31 de marzo de 2015

El trauma de lo imprevisto, por José Ramón Ubieto


La muerte de un ser querido implica siempre una pérdida dolorosa y requiere de un duelo posterior*. Cuando esa pérdida es anunciada por signos previos de enfermedad o envejecimiento, ese duelo se realiza con antelación y eso permite a cada uno hacerse poco a poco a esa ausencia. Lo cotidiano incluye ya ese vacío y muchas actividades se realizan sin esa persona, enferma o incapacitada.
Lo verdaderamente traumático es cuando surge el acontecimiento imprevisto y la pérdida se produce bruscamente como es el caso de la catástrofe aérea. Aquí además se trata de una filial de una de las aerolíneas de mayor prestigio. Nadie espera que eso ocurra y por tanto el sentimiento de alerta, que podría estar activado en otras circunstancias, aquí no nos previene de lo imprevisto.
Cada familia, cada persona vinculada a alguna de las víctimas del accidente, tendrá que enfrentar el sinsentido más brutal de este suceso. Lo traumático, decía Lacan, es esa ausencia de sentido, es lo real cuando se presenta bruscamente y en su estado puro: sin palabras que expliquen lo que no tiene sentido.
La perplejidad es la primera reacción subjetiva ante la irrupción de un acontecimiento traumático, sea un accidente, una catástrofe o una pérdida brusca (muerte, ruptura). A partir de allí el sujeto inventa significaciones para tratar de explicarse lo sucedido y recuperar su locus control: se buscan culpables, antecedentes, teorías que justifiquen lo sucedido y nos proporcionen alguna orientación para seguir viviendo.
Hoy, en la sociedad del riesgo, lo traumático adquiere nuevas formas y empieza a ser también aquello que emerge fuera de la programación, de manera imprevista, aquello con lo que no contábamos. Y no lo hacíamos porque en nuestra sociedad, organizada a partir del dominio de la ciencia y las nuevas tecnologías, todo parece previsible y calculable.
Colectivamente, y particularmente, buscaremos en los próximos días explicaciones para ese vacío de sentido. Explicaciones técnicas, meteorológicas, de posibles fallos humanos o atentados terroristas. Para las familias explicaciones sobre las razones concretas de ese viaje, sobre las alternativas posibles que no se dieron, tratando de volver al momento antes del accidente. En cualquier caso ninguna de ellas logrará taponar el enorme agujero que se ha producido en la vida de muchas personas.
Hará falta un tiempo para hacerse a esa ausencia, un tiempo para que cada uno reconozca en sí lo que ha perdido, aquello que ya nunca más será para ese ser querido y aquello que esa persona le aportaba y que muchas veces sólo la pérdida real permite reconocer. No será un tiempo corto y sin angustia.  Dependerá también mucho de los duelos aplazados que cada uno tenga. En la vida a veces no registramos, afectivamente, las pérdidas. Evitamos el duelo y lo reemplazamos por sustitutos: otros embarazos cuando se pierde un hijo, nuevas parejas tras una ruptura, hiperactividad profesional tras un fracaso laboral. Esos duelos no realizados se reactivan cuando surge una nueva pérdida y es entonces, a posteriori, cuando el dolor silenciado toma cuerpo de diferentes maneras.
Tras una tragedia como la de los Alpes, cada uno de los afectados habrá aprendido, de la manera más radical, que lo imprevisto forma parte de la vida y que la fragilidad del ser humano es que en un instante puede perder aquello que más quiere, que en la vida no existe la garantía ni el riesgo cero. 
 
*Publicado en La Vanguardia. Internacional. Miércoles, 25 de marzo de 2015

30 de marzo de 2015

Jacques-Alain Miller: Roland Dumas faz um fuzuê - Roland Dumas: altos y bajos

Terça-feira, 17 de fevereiro

«Como dizem os suíços, eu toquei fogo no lago!» Roland está contente. E por que não? Uns ruídos seus com a boca pela manhã em frente ao «Homem livre» da rádio-TV, bastaram para fazer toda a classe política gritar. O título de seu novo livro, lançado ontem, anunciava sua intenção de dar-lhe ares de «politicamente incorreto». Bom, ele demonstrou isso em ato. É muito astuto. Aos 92 anos, o antigo presidente do Conselho constitucional tornou-se o velho homem indigno da política francesa.

É um volume de memórias novo. Quantos ele já escreveu? Quatro, cinco, seis? Não menos, talvez mais. Ele é incalável. E, acreditem nele ou não, nunca, ou quase nunca se repete. Ele é matéria inesgotável para si mesmo. «Minha alma tem seu segredo, minha vida tem seu mistério». Pobre Arvers, tão limitado. Pensem que se a alma de Roland Dumas só tivesse guardado um segredo, ele não teria ido muito longe. Não, ela encerra numerosos segredos, sua alma, segredos inomináveis, e que não são apenas seus. Ela deve ter a estrutura do tonel das Danaides, essa alma, o que explicaria que ela pudesse contar assim, incessantemente, reconhecer, confessar-se, sem nunca estar a seco.

Assediado por Eva, demolido por Edwy [4]

A seco! Ele entrou na vida assim. De Limusine, ele é um «jovem resistente magricela», diz Libération, 2001, sob a pluma de Pascal Virot. «Em Paris, ele parece um Rastignac[1]. Seu charme opera. Sua ambição o serve. Os salões se abrem. As alcovas também.» Mais tarde, quando a justiça vasculhará suas contas e abrirá seus cofres, e se revelará que ele conservava somas importantes em dinheiro. Se me lembro bem, ele se explicou a respeito arguindo sobre seu gosto campesino pelo colchão e pela meia de lã.

Deus sabe que teriam lhe criticado certas coisas! Ele terá tido tudo. Ele foi sabiamente torturado por Eva Joly[2] por ocasião do caso Elf, e não era belo-belo[3] de ver, por assim dizer. O amigo Plenel, de seu lado, duas ou três vezes por semana, dedicava a primeira página do Monde às suas torpezas. Assediado por Eva, demolido por Edwy, atirado diariamente do alto da Arx tarpeia[5], desonrado, Roland não dormia mais, ele pensava seriamente em se matar. Nós, seus amigos, estávamos inquietos. Talvez o momento mais penoso tenha sido quando lhe informaram de que, depois de derrubá-lo, a terrível Norueguesa faria sua entrada na política. Parecia uma bacante se revestindo com a pele ensanguentada do sátiro depois de tê-lo esfolado vivo. Visão de horror.

A imensa fortuna de Talleyrand

Uma coisa que ninguém criticou em Roland, foi de ter enriquecido no poder. Uma de suas amantes sem dúvida fez a festa com seu cartão de crédito corporate para lhe dar uns presentinhos. Não digo que um Robespierre o aceitou, mas afinal de contas, aconteceu até na Noruega. Não, Roland fez fortuna antes de se tornar ministro. Nada a ver com Talleyrand, esse «homem tão espirituoso, diz Stendhal, a quem sempre faltava dinheiro.»[6]

Anedota. Estamos sob o Diretório [1ª. República]. Barras domina o grupo dos cinco, a Madame de Staël se agita para tentar obter para seu amigo Talleyrand a pasta das Relações Exteriores. Isto se deu no dia 16 de julho de 1797. O novo ministro narra o momento nas suas Memórias: «O caráter absoluto de todos os atos do Diretório, as instâncias de pressão da madame de Staël e, mais do que isso tudo, o sentimento que se tem, de que um pouco de bem não é impossível de fazer, afastaram de mim qualquer ideia de recusa.»

Benjamin Constant narra a coisa um pouco diferente. Talleyrand está no teatro com Boniface de Castellane. É ele, Benjamin, quem traz a notícia ao novo ministro. Os três entram em um carro. Fechando os joelhos de seus companheiros, que o encurralam, Talleyrand se exalta: «Nós sustentamos o lugar, é preciso fazer nele uma fortuna imensa, uma imensa fortuna.» Ele repete sem parar, como louco, ao longo de todo o trajeto: « uma fortuna imensa, uma imensa fortuna.» Duff Cooper questiona a veracidade dessa história.

Como Wikipédia escreve belamente, «De fato, e a partir desse instante, ele adquire o hábito de receber importantes somas de dinheiro do conjunto dos Estados estrangeiros com os quais trata.» Sainte-Beuve, nos Nouveaux Lundis: «O próprio sr. Talleyrand avaliava em sessenta milhões o que podia ter recebido, no total das potências, grandes ou pequenas, em sua carreira diplomática.»

Roland também é muito espirituoso, no espírito de nunca lhe faltar dinheiro. Ele teve sua prática de advogado para ganha-lo. Ali, nunca deu presente a ninguém. E por que o teria feito? A outra anedota vem agora.

Em Dumas, ninguém lhe dará presentes

Início do ano letivo de 1965, há meio século. Acabo de cooptar meus amigos Grosrichard e Milner, que estão na École (ENS) comigo, mais Regnault que acaba de partir para dar aulas de filosofia em Prytanée militaire de la Flèche[7]: A ideia é de publicar dia sim, dia não, um pequeno boletim mimeografado que canalizará a agitação intelectual onde nos foi colocado o seminário dos ‘agrégatifs’ de 1963-1964 dedicado por Althusser a Lacan, seguido da vinda de Lacan em pessoa entre nossas paredes (janeiro 1964).

Subvenções, verba dedicada: zero centavos. Acabo de considerar com Jacques Broyelle, o adjunto de meu amigo Robert Linhart, que o boletim lacano-althusseriano que vou criar teria 500 exemplares tirados no mimeógrafo que seu grupo clandestino acaba de comprar, grupo que tem por objetivo provocar uma cisão da UEC[8] por ocasião das próximas eleições presidenciais. Os números seriam cobrados a preço de custo, e a primeira tiragem seria paga só depois de vendida. Broyelle não considera que o que faz seja mais-valia nas costas dos colegas, basta-lhe fazer rodar o material.

Estoque: na adega do apartamento de Judith, na rua de Buci. Nós dois mantínhamos o registro das assinaturas, e entregávamos aos assinantes. Haverá um só depósito em livraria, no Maspero, rua de la Huchette, sob a insígnia de «la Joie de lire», onde se fornece tudo o que o bairro Quartier latin tem, para os então aspirantes revolucionários intelectuais e políticos.

Tudo se fará de maneira militante. Nada de assalariado. Cada qual dará seu tempo. Sem finalidade lucrativa, evidentemente. É preciso ainda criar uma pessoa moral, uma associação segundo a lei de 1901, que vai redigir os estatutos, depositá-los na Prefeitura, fazer a inserção no Diário Oficial? Roland Dumas, me diz Judith, o advogado da família, é um amigo, ele nos fará isso de graça, ou a preço de custo. Alguns dias mais tarde, recebo na rua d’Ulm[9] uma carta do escritório de Dumas, contendo: 1) a fotocópia do estatuto-padrão de uma associação de 1901, o modelo que se encontra aos montes na Prefeitura; 2) uma fatura cujo montante alcança meu salário mensal de aluno-funcionário.

Furor de ter sido enganado como um principiante (quando, na verdade, eu era um principiante). Preencho o cheque solicitado (sem que me aflore a ideia de jogar a fatura no lixo). Juro que a partir de então só contarei com minhas próprias forças (preceito de Mao). Serei conduzido, nos anos 80, a criar na psicanálise dezenas de associações através do mundo, e redigirei pessoalmente todos os estatutos. Quando necessário passar por um advogado, eu o mantinha na rédea curta, discutindo sem rodeios seus honorários previamente. Construí a Associação Mundial de Psicanálise com esses princípios (mais de 2.000 membros, repartidos em sete Escolas). Devo tudo isso a Roland, e ao modo como ele me depenou, em detrimento de sua amizade muito verdadeira por Judith.

Não apenas não tenho raiva dele por não me ter feito nenhum favor («Demasiado favor mata», título de Stendhal), mas lhe agradeço pela lição: para bom entendedor, meia palavra basta[10]. De fato, recebi a mesma lição de Lacan, através de uma terceira pessoa. Será minha terceira e última anedota.

Com Lacan também

1974. São os primeiros tempos de minha amizade com Benoît Jacquot, encontrado em seu projeto de televisão com Lacan. Ele vive, se me lembro bem, na rua Bourbon-le Château, a dois passos da rua de Buci nº 15, em parceria com uma moça muito bela e tocante, que de vez em quando é manequim de lingerie. Um dia, eles vêm almoçar em nossa casa, vejo que N* está mal, ela me chama de lado, as lágrimas surgem em seus olhos: as coisas não estão bem com Benoît, estou muito angustiada, preciso falar com um analista, não vejo outra pessoa além do Dr Lacan (ele é sempre tão atencioso com ela, arrastava um pouco a asa para o lado dela), mas ele é muito caro, eu sei, não tenho dinheiro, Jacques-Alain, você pode lhe explicar isso, ele vai te escutar, para que me faça um preço.

Telefono a Lacan, na rua de Lille, explico-lhe o lance. Sim… sim… ele é bastante compreensivo, que ela venha me ver a tal hora. Transmito a notícia a N*. Efusão. Ela sai de sua entrevista, me liga: ela lhe disse tudo, chorou muito, na saída ele lhe deu uma facada, pegou tudo o que ela acabara de ganhar como manequim. Ela ainda está tremendo.

Mais tarde me dirá o quanto essa sessão lhe foi salutar. A história com Benoît poderia ter se arrastado ainda por muito tempo, mas estava acabada, eu sabia disso, mas não queria admitir. Moralidade: preocupado em arranjar a situação do próximo, você o enfia em seu marasmo, você o encerra na sua prisão de subterfúgios. A verdade liberada.

Retornemos ao velhote indigno que toca fogo no lago.
O sentimento da língua

«Como dizem os Suíços, eu taquei fogo no lago!» Roland Dumas teve essa frase ontem à tarde em France 24, algumas horas depois de ter se espalhado a notícia sobre a BFM. Adoro a precisão: «Como dizem os Suíços.» Admiro que mantenha a calma, a pose, fique zen, no tumulto.

Meu Dictionnaire des expressions quotidiennes (por Bernet e Rézeau, editado pela Balland, 2008) atesta «não há fogo no lago» como uma locução frasal significante «não há motivo de pressa». É um reforço da expressão «não há fogo», que é atestada no oeste da Suíça a partir da metade do século XIX. Os autores destacam que fora da Suíça «a expressão é por vezes articulada com uma entonação arrastada que tenta reproduzir a entonação dos Suíços do oeste». Isto só existe para os judeus, ao passo que os valdenses[11] também teriam de que se queixar e o que reivindicar. Lacan apreciava o espírito valdense; ele menciona nos Escritos um provérbio valdense que Sylvia lhe ensinara: «Nada é impossível ao homem, o que ele não pode fazer, ele larga»[12]. Vê-se aqui que Roland faz parte da família.

Em contexto positivo, «há fogo no lago» significa que há urgência. Quanto a «botar (ou tocar) fogo», essa locução verbal quer dizer: «colocar muita ambientação em um concerto, um espetáculo». Ver Acender o fogo, título de uma canção de Johnny (1998). É também: «animar com ardor uma prova, uma competição».

Contudo, o Bernet et Rézeau não tem o «tocar fogo no lago» Nada no Dictionnaire de l’argot de Larousse, nem no Nouveau dictionnaire de la langue verte, de Pierre Merle. O Comment tu tchatches! Dictionnaire du français contemporain des cités, prefaciado por Claude Hagège, dá como sinônimos «mettre le bronx, mettre le souk, foutre le delbor, foutre le hala [13]»: nem sobre o fogo, nem sobre o lago.

Bom, é preciso saber interromper uma pesquisa. Até maiores informações, manterei a expressão «tocar fogo no lago», diversamente atestada no Google, para a contaminação da expressão «tocar fogo» pela expressão «não há fogo no lago», significante «criar uma situação de urgência, fazer um fuzuê no lago, um plácido lago de patos» - todos efeitos que correspondem aos de irrupção do «politicamente incorreto» no meio «correto». Concluo disso que o sentimento da língua em Roland Dumas é de uma segurança perfeita. «Eu toquei fogo no lago», ele não podia dizer melhor na segunda-feira à tarde isto que havia feito naquela manhã no microfone de Jean-Jacques Bourdin.

Afirmaram que me aproximo a passos contados do núcleo incandescente do caso.

Parada agora na localidade «Jean-Jacques Bourdin».

A seguir...

Publicado em 20 de fevereiro 2015 em lepoint.fr

Tradução: Teresinha N. M. Prado

Notas T.

[1] N.T.: Eugène de Rastignac: personagem de Balzac, presente em vários volumes de A comédia humana. Jovem ambicioso que vai para Paris estudar direito, observa a vida na alta sociedade e é capaz de qualquer coisa para conquistar essa posição.
[2] N.T.: Eva Joly, personalidade francesa de origem norueguesa e francesa, foi juíza no caso Elf nos anos 90, à época um escândalo político e financeiro envolvendo essa empresa petrolífera em um esquema de vultosas propinas; posteriormente envolveu-se diretamente na vida política, tendo sido eleita para sucessivos cargos legislativos.
[3] N.T.: Trocadilho com o nome da juíza: Joly – joli-joli.
[4] N.T.: Edwy Plenel.
[5] N.T.: Nome em latim da Rocha Tarpeia, local onde eram feitas execuções na Roma Antiga.
[6] N.T.: Sthendal, (2012). A cartuxa de parma. São Paulo: Companhia das Letras.
[7] N.T.: Liceu (ensino médio) militar de renome situado em Paris.
[8] N.T.: União Estudantil Comunista.
[9] N.T.: Endereço da Escola Normal Superior (ENS).
[10] N.T.: Expressão de La Fontaine, na fábula “O corvo e a raposa”: “[Cette leçon] vaut bien un fromage”.
[11] N.T.: Os valdenses são uma organização religiosa cristã que surgiu em Lyon, no séc. XII, com um comerciante, Pedro Valdo, que encomendou uma tradução da Bíblia para linguagem popular, e defendia que todo fiel teria direito a ler e interpretar os livros sagrados em sua língua (e não em latim, que só os clérigos eram capazes de ler à época).
[12] N.T.: Lacan, J. (1998). “Formulações sobre a causalidade psíquica”. In Escritos. RJ: Zahar, p.159.
[13] N.T.: No original, mettre le bronx, mettre le souk, foutre le delbor, foutre le hala são expressões que designam de formas variadas uma situação em que alguém provoca uma balbúrdia, uma confusão, um tumulto.


***********

Jacques-Alain Miller: Roland Dumas: altos y bajos

Como dicen los suizos, J´ai mis le feu au lac! Roland está contento de sí mismo. ¿Y por qué no? Esos ruiditos hechos con la boca frente al "hombre libre" de la radio televisión bastaron para hacer gritar a toda la clase política. El título de su nuevo libro* aparecido el lunes, anunciaba su intención  de astutamente hacerse el "políticamente correcto". Y bien, lo demuestra en acto. Es muy fuerte. A los 92 años, el ex presidente del Consejo Constitucional se volvió el viejo caballero indigno de la política francesa.

Es un nuevo volumen de memorias. ¿Cuántas ha escrito ya? ¿Cuatro, cinco, seis? No menos, tal vez más. Es inagotable. Y, créanlo o no, nunca se repite, o casi nunca. El mismo es materia inagotable. "Mi alma tiene su secreto, mi vida tiene su misterio". Pobre Arvers, tan estrecho. Ustedes piensan bien que si el alma de Roland Dumas hubiera ocultado solo un secreto no hubiera llegado muy lejos. No, su alma encierra cantidades de secretos, secretos innumerables, y que no son solo los suyos. Este alma tiene la estructura del tonel de las Danaides, lo que explicaría que pueda incesantemente contar, confesar, confesarse, sin agotarse jamás.

Acosado por Eva, demolido por Edwy 

¡A seco! Así entró en la vida. En limusina, un "joven resistente famélico", dice Liberación en 2001, con la pluma de Pascal Virot. "En París, toma la apariencia de Rastignac. Su encanto opera. Su ambición le sirve. Los salones se abren. Los saloncitos también". Más tarde, cuando la justicia destape sus cuentas y abra sus cofres, se comprobará que conservaba sumas importantes en efectivo. Si recuerdo bien, lo explicó aduciendo su gusto provinciano por el colchón y las alcancías.

¡Dios sabe que le han reprochado cosas! Habrá tenido de todo. Fue sabiamente torturado por Eva Joly luego del asunto Elf, no era lindo lindo (joli joli) de ver, si puedo decirlo. El amigo Plenel, por su parte, consagraba la primera plana de Le Monde a sus ignominias. Acosado por Eva, demolido por Edwy, arrojado todos los días desde lo alto del Arx tarpeia, pensó seriamente en matarse.

Nosotros, sus amigos, estábamos preocupados. Quizá el momento más penoso fue cuando supimos luego de derrotarlo, que la terrible Noruega iba a entrar ella misma en política. Se hubiera dicho una ménade vistiéndose con la piel sanguinolenta del sátiro luego de haberlo despellejarlo vivo. Visión de horror.

La "inmensa fortuna" de Talleyrand

Algo que nadie le repechó a Roland es haberse enriquecido con el poder. Una de sus amantes sin duda hizo que se recalentase un poco su tarjeta de crédito corporate para hacerle regalitos. No digo que un Robespierre lo hubiera aceptado, pero en fin, incluso esto pasa en Noruega. No, Roland tenía fortuna antes de ser ministro. Nada que ver con Talleyrand, ese "hombre con infinito espíritu, dice Stendhal, al que siempre le faltaba dinero".

Anécdota. Estamos bajo el Directorio, Barras domina el grupo de cinco. La Sra. de Staël se activa para hacerle obtener a su amigo Talleyrand la cartera de Relaciones Exteriores. Es cosa hecha el 16 de julio de 1797. El nuevo ministro da cuenta de ese momento en sus Memorias: "El carácter absoluto que tenían todos los actos del Directorio, las instancias apremiantes de Staël y más que todo eso, el sentimiento que uno mismo tiene de que no es imposible hacer un poco de bien, me alejaron de cualquier idea de rechazo".

Benjamin Constant narra la cosa un poco diferente. Talleyrand está en el teatro con Boniface de Castellane. Es Benjamin quien trae la buena nueva al nuevo ministro. Los tres suben a un coche. Apretando las rodillas de sus dos compañeros a su lado, Talleyrand se exalta: "Hay que hacer una fortuna inmensa, una inmensa fortuna". Duff Cooper duda de la veracidad de esa historia.

Como Wikipedia lo escribe de una linda manera, "de hecho y desde ese instante, toma la costumbre de recibir importantes sumas de dinero del conjunto de los Estados extranjeros con los que trata". Sainte Beuve en los Nouveaux Lundis: "El Sr. de Talleyrand evaluaba en 60 millones lo que podía haber recibido en total de las grandes o pequeñas potencias en su carrera diplomática". Roland también tiene mucho espíritu, uno es el espíritu de que nunca le falte dinero. Tuvo su práctica de abogado para ganarlo. Allí nunca le hizo un regalo a nadie. ¿Y por qué lo habría hecho?

Anécdota

Ahora otra anécdota. Comienzo de clases de 1965, hace medio siglo. Acabo de reclutar a mis amigos Grosrichard y Milner, que están conmigo en la Escuela, más Regnault que acaba de dejarla para irse a enseñar filosofía al Prytanée militar de La Fléche: la idea es publicar cada dos meses un pequeño boletín mimeografiado que va a canalizar la agitación intelectual en la que nos colocó el Seminario de los agregados 1963-1964, consagrado a Lacan por Althusser, seguido de la venida de Lacan en persona a nuestros muros (enero 1964). Subvenciones, fondos: cero centavo. Termino de resolver con mi amigo Jacques Broyelle, el lugarteniente de mi amigo Robert Linhart, que el boletín lacanoalthusseriano que voy a crear tenga una tirada de 500 ejemplares en el mimeógrafo que acaba de comprar el grupo clandestino, cuyo objetivo es separarse de la Unión de Estudiantes Comunistas en ocasión de la próxima elección presidencial. Los números nos los van a facturar a precio de costo y la primera tirada se pagará una vez vendida. Broyelle no piensa obtener plusvalía sobre las espadas de sus camaradas, le basta con hacer circular el material.

Almacenamiento: en el sótano del departamento de Judith, rue de Buci. Los dos llevaremos el registro de las suscripciones y entregaremos a los suscriptos. Solo habrá un depósito en librería en Maspero, rue de la Huchette, con la insignia La Joie de lire (La alegría de leer), donde se aprovisiona todo lo que el barrio latino cuenta en ese momento como aspirantes a revolucionarios intelectuales y políticos.

En lo de Dumas no les hacen regalos

Todo se hará de manera militante. No hay salario. Cada uno donará su tiempo. Ningún fin de lucro, lo que va de suyo. Aun hace falta crear una personería jurídica, una asociación según la ley de 1901. ¿Quién va redactar los estatutos, llevarlos a la prefectura, publicarlo en el Diario oficial? Roland Dumas, me dice Judith, el abogado de la familia, es un amigo, nos lo hará gratis o a precio de costo. Algunos días después recibo del estudio Dumas en la rue d´Ulm un correo que contiene: 1) la fotocopia de los estatutos tipo de una Asociación de 1901, el modelo que encontramos en una pila en la prefectura. 2) una factura cuyo monto alcanza mi salario mensual de alumno funcionario.

Furia por haberme dejado agarrar como un tonto (siendo que en efecto soy un tonto). Hago el cheque que me piden (no sin que me aflore la idea de tirar la factura a la basura).

Me juro no contar de ahora en adelante más que con mis propias fuerzas (precepto de Mao). Seré conducido a crear en los años 1980 en el psicoanálisis decenas de asociaciones a través del mundo y redactaré yo mismo todos sus estatutos. Cuando necesite pasar por un abogado, tendré las riendas, discutiendo ásperamente sus honorarios con antelación. Con este principio, construí la Asociación Mundial de Psicoanálisis (más de 2.000 miembros, repartidos en siete Escuelas). Le debo todo a Roland, y a la manera que tuvo de torcerme, a despecho de su amistad con Judith.

No solo no le tengo rencor por no hacerme ningún favor (Favores que matan, título de Stendhal) sino que le agradezco la lección que me dio: costaba lo que valía. De hecho, recibí lo mismo de Lacan por vía de una tercera persona. Será mi tercera y última anécdota.

En lo de Lacan tampoco

1974. Son los primeros tiempos de mi amistad con Benoit Jacquot, al que encuentro en su proyecto de Televisión con Lacan. Si recuerdo bien, vivía en rue Bourbon-le-Chateau, a dos pasos del 15 rue de Buci, en pareja con una muy linda y conmovedora joven, que cada tanto trabajaba como modelo de ropa interior. Un día vienen a almorzar a nuestra casa, veo que N* está mal, me lleva a un costado, sus ojos se llenan de lágrimas: las cosas no marchan con Benoit, estoy muy angustiada, tengo que hablar con un analista, solo veo al Dr. Lacan (siempre es tan atento con ella, siempre con amabilidades), pero es muy caro, lo sé, no tengo dinero, Jacques-Alain, puede usted explicarle, lo escuchará, que me haga precio.

Llamo por teléfono a Lacan, rue de Lille, le explico la cosa. Sí... Sí... es muy comprensivo, que venga a verme a tal hora. Yo transmito a N*. Entusiasmo. Sale de su cita, me llama, ella le dijo todo, lloró mucho, a la salida, la aporreó, le sacó todo lo que había ganado como modelo. Aún está temblando.

Más tarde, me dirá cuánto le sirvió esta sesión. Hubiera podido seguir arrastrando la relación con Benoit mucho tiempo, pero se terminó, yo lo sabía, pero no quería admitirlo. Moraleja: no hay que preocuparse por ayudar a su prójimo, ustedes lo hunden en su propio marasmo, lo encierran en su prisión de evasivas. La verdad libera.

Le feu au lac

Volvamos al viejo indigno que met le feu au lac.

Como dicen los Suizos, j´ai mis le feu au lac! Roland Dumas dijo esta frase ayer por la tarde en France 24, algunas horas después de haber saltado a los titulares en BFM. Adoro la precisión: "Como dicen los suizos". Admiro que permanezca calmo, reposado, zen en el tumulto.

Mi Diccionario de expresiones cotidianas (de Bernet y Rézeau, editado por Balland 2008) dice: "il n y a pas le feu au lac", como una locución de la frase que significa "nada apura". Es un reforzamiento de la expresión "no hay fuego", que está consignada en la suiza francófona desde mediados del siglo XIX. Los autores señalan que fuera de Suiza "la expresión a menudo se articula con una entonación arrastrada que trata de reproducir la entonación suiza francófona". Solo es para los judíos, mientras que los valdenses también tendrían razones para quejarse y reivindicar. Lacan apreció el espíritu valdense; menciona en los Escritos un proverbio valdense que le había enseñado Sylvia: "Nada es imposible para un hombre, lo que no puede hacer, lo deja". Vemos aquí que Roland forma parte de la familia.

En contexto positivo "y a le feu au lac" significa que hay urgencia. En cuanto a "mettre (ou foutre) le feu", esta locución verbal quiere decir: "Caldear mucho el ambiente en un concierto, un espectáculo". Ver "Encender el fuego", título de una canción de Johnny (1998). También es "Animar con ardor una prueba, una competencia".

Sin embargo, el Bernet y Rézeau no dice nada de "mettre le feu au lac". Nada en el Diccionario del argot de Larousse ni en el Nuevo Diccionario de la lengua verde, de Pierre Merle. ¡Cómo parloteas! Diccionario del francés contemporáneo de citas, prefacio de Claude Hagege, da como sinónimos "mettre le bronx (causar problemas), mettre le souk (hacer desagradable desorden), foutre le delbor (joder), foutre le hala", nada sobre el fuego, ni sobre el lago.

Bueno, hay que saber detener una búsqueda. Hasta información más amplia, me atendré a la información de Google, en razón de la  contaminación de la expresión "mettre le feu" por la expresión "y a pas le feu au lac", como significando "crear una situación de urgencia, joder en un burdel, un apasible estanque de patos", todos efectos que corresponden a los de la irrupción de un "políticamente incorrecto" en un medio "correcto". Concluyo de esto que el sentimiento de la lengua en Roland Dumas es de una seguridad perfecta. "J´ai mis le feu au lac", no podría decir mejor el lunes a la tarde lo que hizo la mañana misma en el micro de Jean-Jacques Bourdin.

Se habrá notado que me acerco a pasos cuidadosos del núcleo incandescente del asunto, el llamado "Jean-Jacques Bourdin".

Le Point- Publicado el 21/2/15 a las 9.43

Continuará...

Traducción: Silvia Baudini

29 de marzo de 2015

“MIA FARROW ES UNA MEDEA MODERNA", Entrevista a Mónica Torres, Télam


El libro, publicado por la editorial Grama, es uno de los cursos propedéuticos de esta analista, que no ahorra los ejemplos contemporáneos.

Torres es miembro de la Escuela de Orientación Lacaniana (EOL) y de la Asociación Mundial de Psicoanálisis (AMP). Además, es miembro del consejo científico académico y docente del Instituto Clínico de Buenos Aires (ICdeBA).

Esta es la conversación que sostuvo con Télam.


Télam: ¿Cuál es la actualidad de una clínica de las neurosis? La pregunta ¿está mal formulada?

Mónica Torres: La pregunta está muy bien formulada. Para el primer Lacan está claro que sí. Su concepto de estructura clínica, ligado a la estructura del lenguaje, lee los casos de Freud a la luz de nuevos conceptos, como Nombre del padre, falo, deseo… El sujeto del primer Lacan es un sujeto hablado por el deseo del Otro. Lacan elabora la idea de un sujeto compatible con la noción de estructura. Este deseo del Otro, preexiste al sujeto, la palabra del Otro maternal, el Otro del lenguaje, mortifica al sujeto. La palabra misma atraviesa al sujeto, con las flechas del significante. El último Lacan, en cambio, no habla de sujeto, habla del ser hablante y lo refiere al goce y no al deseo.

Pero la estructura clínica sigue siendo necesaria para pensar la dirección de la cura. Las histéricas actuales pueden estar relacionadas de un modo distinto con su cuerpo, que aquel que tenían las histéricas con las que Freud inventó el psicoanálisis. Sin embargo sigue siendo actual que ellas estén referidas al deseo del Otro, al amor del Otro y que en cambio, ignoren todo sobre su goce.
 
El analista sigue hoy la brújula del goce, pero debe tener claro que la histérica sabe más del deseo que de su goce. Un deseo que se ve obstaculizado por la demanda.

El deseo insatisfecho y la demanda de amor, se siguen escuchando en nuestros consultorios, la histérica cambia con la moda, cambia el semblante, pero mantiene vigente su demanda al Otro del amor, insatisfecha por definición. Para el obsesivo, la obcecación en creer que su deseo, es suyo o bien es del Otro, lo enjaula y lo aísla. Ese autoerotismo puede tomar formas más actuales. En su jaula, puede estar acompañado por su computadora y su celular. Pero es el mismo autoerotismo que lo aparta del Otro y torna imposible su deseo. Si lo que él quiere el otro también lo quiere, entonces ya no es su deseo. Se trata de una opción imposible: o el deseo o el Otro. Para ambos tipos clínicos está en juego el falo.

T: En pocas palabras, ¿cuál es la diferencia lógica entre el nominalismo del sujeto y el realismo de la estructura? Digo: en la perspectiva abierta por la clínica de las neurosis (contemporáneas).

MT: El analista debe estar a la vez escuchando la singularidad del caso, único e irrepetible y conociendo el tipo clínico que está en juego (histeria u obsesión) y la estructura (neurosis a psicosis). Es decir, se trata de un sujeto único y singular, pero también hay tipos de síntomas particulares.

Creo que los poetas lo expresan mejor. Borges en su poema El amenazado nos dice: ¿De que me servirán mis talismanes (…) las galerías de las Bibliotecas (…)?... Me duele una mujer en todo el cuerpo. 

En efecto, ¿de que sirven las bibliotecas si se ama a una mujer en singular? ¿Qué aprendizaje lo pondrá a cubierto? Así, el practicante del psicoanálisis lleva tras de sí las bibliotecas, libros en los que se diferencian las neurosis de las psicosis, la histeria de la obsesión… Quizás las bibliotecas estén detrás de su sillón, con los libros de Freud y de Lacan. Pero está a solas con el analizante singular. Así pues, son necesarias las bibliotecas que explican el realismo de la estructura y a la vez hay que olvidarlas para escuchar a un analizante en singular. No es posible olvidarlas sin conocerlas. Por eso hay que conocer la clínica de las neurosis.
 
T: Existe un ultimísimo Lacan. ¿Cómo afecta ese decir a las neurosis?

MT: El ultimísimo Lacan, en efecto, no es afecto a las clasificaciones. Se guía por el goce y el síntoma (sinthoma) en singular. Está más cerca de Joyce que de Freud. Cuando una mujer, por ejemplo, acepta ser el síntoma de otro cuerpo, está en una posición femenina. Poder ser síntoma de otro cuerpo es lo que separa, para el Lacan de los '70, la posición histérica de la femenina. Es de esperar que en el recorrido de un análisis la histérica devenga mujer. Una mujer, en singular, no única, sino una. Es por esto que Lacan nos dice que La mujer no existe.También nos dice que no hay relación sexual, ya que cada uno de los partenaires está solo con su goce. Porque el goce es del Uno, así como el deseo es del Otro.

Ambos, histérica y obsesivo, tienen distintas estrategias para un mismo fin: mantener alejado el objeto de amor. Para creer que el no hay relación sexual no es estructural. Que con otro partenaire sería posible hacer de dos, uno. Y eso sigue siendo actual, porque aunque haya nuevas formas de la histeria y nuevas virilidades, siempre está en juego el triste porvenir del ideal. Y el derrotero del falo.

Para el último Lacan, la solución es siempre singular, es que sólo es posible hacer lazo social con el sinthoma. El sinthoma es un modo de saber hacer, singular, con el no hay relación sexual.

T: Hablas de una formulación de Jacques-Alain Miller sobre el capricho, una teoría del capricho. Si el capricho fuera un exceso, ¿no habría allí un goce que pondría en juego otro asunto?

MT: ¡Ah, el capricho femenino! La mujer sorprende con su salto de cabra y deja desorientados a padres, novios, amantes o maridos. Es Kant quien nos habla de que la voluntad femenina puede tomar la forma de su imperativo categórico. Puede tratarse del más cruel de los caprichos: Salomé pidiendo la cabeza de Juan el Bautista o, a veces, del tono de comedia de la Lucinda del Médico a palos de Moliere, que puede quedarse muda o comenzar a gritar sin que médico alguno pueda hacerla callar. O de la reina loca de Alicia en el país de las maravillas gritando insensata: ¡Que le corten la cabeza!, pero el capricho femenino es siempre temible. Por eso Miller separa las Medeas de las burguesas. Los hombres, dice, prefieren casarse con las burguesas, porque le tienen miedo a la Medea.

Es impredecible, sin embargo que un buen día la más burguesa de todas las señoras, decida dar su salto de cabra y se transforme en Salomé o Medea.

Medea no es contemporánea, es una heroína de la tragedia griega, pero puede tomar hoy los rasgos de Mia Farrow y su venganza con el único hijo biológico de Woody Allen, a quien le cambia nombre y apellido, y del que ha declarado hace poco, que en verdad era hijo de Frank Sinatra. Mia Farrow, es una Medea moderna. La voluntad femenina puede ser feroz si su partenaire la ofende.

T: ¿Por qué la fobia es un enigma?

MT: En relación a la fobia, Lacan tiene también dos momentos. En el primero, Lacan hace un análisis del caso del pequeño Hans (Juanito). En el Seminario 4 La relación de objeto, Lacan trabaja cuestiones como: la madre insaciable, la relación entre la madre, el niño y el falo, la diferencia entre la madre lacaniana y la madre freudiana. Y también la elección heterosexual de Juanito, pero con una masculinidad que Lacan considera débil. Lo que es realmente anticipatorio, ya que el pudo introducir el problema de las nuevas virilidades de nuestro tiempo, y esto en los años 1956/57.

Es otro el lugar que Lacan le va a dar a la fobia en su Seminario 10, La angustia.

La angustia de Juanito se desencadena cuando Juanito tiene sus primeras erecciones, y esto porque el falo-órgano predomina sobre el falo-significante. Es importante porque anticipa al último Lacan, ya que en el camino del deseo se trata del falo significante y en el camino del goce se trata del órgano. Lacan va a decir en sus últimos seminarios que la fobia no es una entidad clínica sino una placa o plataforma giratoria que va a virar hacia la histeria o hacia la neurosis obsesiva. O sea, no es en sí misma una estructura clínica.

Esa última definición de la fobia hace que el destino de la fobia infantil sea enigmático y que la fobia generalizada de nuestro tiempo, nos interrogue aún sobre lo que Lacan denomina carencia paterna.

La carencia paterna no es equivalente a la forclusión del Nombre del Padre en la psicosis. A mi gusto, es este concepto de carencia paterna el que hace a la fobia tan enigmática como actual.

T: Finalmente, ¿podría decirse que bajo el genérico clínica de las neurosis hoy podrían agruparse la totalidad de los modos sintomáticos posibles, incluso los más extraños?

MT: No. Los síntomas de la neurosis responden a la lógica fálica. Mientras que hay otros modos de anudamiento posibles que no se corresponden con esa lógica. Y otros modos de gozar. Es precisamente el caso de Joyce, el que da cuenta de un tipo de anudamiento diferente. Y sin embargo, el Seminario que Lacan dedica a Joyce, se denomina El sinthoma.

Lacan considera que en Joyce no se trata de la neurosis. Es una psicosis que no se desencadena gracias al sinthome que anuda lo real, lo simbólico y lo imaginario. El modo de goce fálico es determinante en las neurosis. Pero no lo es para todo síntoma.

27 de marzo de 2015

LACAN QUOTIDIEN. Note sur Rome et L'Islam, di Antonio Di Ciaccia



We are coming to Rome

Telle est la dernière menace arrivée par un hashtag sur Twitter. Voir le drapeau noir de l’Isis hissé sur l’obélisque de la Basilique Saint-Pierre donne un certain frisson – même si c’est un photomontage. Les réponses moqueuses des romains, reprises par le Washington Post (1), sont peut-être à la hauteur des hooligans hollandais, dignes descendants des Landsknechte de Charles Quint, mais est-on conscient de ce qui est en train de se passer ?

L’Islam fait peur (2). Non seulement aux non musulmans, mais aussi à ceux qui appartiennent à l’Oumma islamique (3).

La naissance d’une nouvelle religion

Les « Évidences » révélées par l’ange Gabriel à Mahomet, un arabe du VIIe siècle, sont à l’origine de la religion musulmane. La clef est écrite dans la Sourate LXI, 6 du Coran, où Mahomet est l’Envoyé de Dieu, identifé au Messie juif et au Paraclet chrétien : il est le Prophète de la fn du monde et du Jugement dernier. On comprend la déception de Mahomet quand il se rend à l’évidence que ni les juifs ni les chrétiens ne s’empressent de le reconnaître. Mais dès que lui arrive par révélation le « Certain », il entreprend aussitôt de combattre les réfractaires à ses doctrines et de ramener par la force ceux qu’il n’avait pu conquérir par la persuasion.

À l’époque, l’Arabie était presque toute chrétienne, avec des ilots juifs, lesquels se montrèrent les plus hostiles à le reconnaître, en raison de sa connaissance précaire du Livre. Voici le trait que nous retrouvons dans le rapport de Mahomet et de ses fdèles concernant les deux autres grandes religions monothéistes : cette religion considère dépassées les religions juive et chrétienne parce qu’elles ne sont que des formes corrompues de la vraie, celle d’Abraham, qui prend forme uniquement dans le Coran.

S’il indiquait d’abord la soumission inconditionnelle à Dieu, valable donc aussi pour les juifs et les chrétiens, dès leur refus de suivre Mahomet, Islam deviendra le nom de la nouvelle religion, qui sera, pour l’humanité entière, défnitive et eschatologique – en nouant étroitement la mort et le Paradis.

Depuis lors, parmi les obligations rituelles, il faut mentionner le djihâd, la guerre sainte. Elle ne sera plus portée contre les agresseurs, mais contre les infdèles : païens, juifs, chrétiens, athées. Actuellement l’objectif est d’arriver à un État, un grand Khalifat – dont le nom renvoie à l’immédiate descendance du Prophète et aux sanglants affrontements entre sunnites et chiites, encore aujourd’hui à l’ordre du jour.

Contre cet esprit guerrier, l’Occident a plusieurs fois dû faire face. Qu’on se souvienne de la bataille navale de Lépante en 1571, voulue obstinément par le Pape Pie V, ou de la défense de Vienne en 1683. Mais, pour ce qui concerne Rome, déjà en 846, la Basilique Saint- Pierre avait été pillée par les troupes sarrasines.




Deux visions de la religion

Mais pourquoi les djihadistes veulent-ils Rome ? « Rome, dans la langue du prophète Mahomet, écrit la revue Dabiq de al-Dawlat, nom arabe de l’État islamique, est le terme qui désigne les chrétiens en Europe et leurs colonies dans le Sham (Moyen-Orient) ». Rome doit être prise en tant que symbole de la chrétienté. 

Quels sont les rapports entre Rome et l’Islam ? Il faut considérer deux aspects : primo, les rapports entre la religion et la politique ; secundo, la visée universelle des deux religions.

En ce qui concerne le premier point, ce qui a donné sa puissance à l’Islam est, depuis le temps de son fondateur, l’étroit amalgame entre la politique et la religion. Amalgame indissoluble, qui se présente encore à l’heure actuelle comme une théocratie absolue. En revanche, au fl des siècles, l’Occident a connu dans ce domaine des oscillations. Déjà au IVe siècle, saint Augustin et les Papes vont faire la différence entre l’État de Dieu et l’État temporel, ce qui sera l’objectif de Dante. La frontière qui sépare les deux ne sera défnitive qu’au XVIIe siècle, au moins chez les catholiques, après les positions prises par Venise grâce à Paolo Sarpi, un ami de Galilée.

L’autre point dolens est l’universalisme des deux religions. Pour les musulmans, il va de soi que tout vivant est soumis à Dieu – ce que l’on peut, à la limite, concevoir. Mais cela comporte la reconnaissance de son Prophète et l’obéissance aux règles théocratiques. Il est probable que l’universalisme islamique provienne de l’universalisme paulinien. Mais alors que le salut islamique est bien fxe, celui du Christ est interprété par l’Église, ce qui donne des variations. Il sufft de comparer ce que le Concile de Florence proclame en 1442, Extra Ecclesia nulla salus, avec le salut éternel pour tous les hommes de bonne volonté, formulé par le dernier Concile, Vatican II. Les musulmans sont compris dans ce dessein du salut, soit du fait de leur reconnaissance du Créateur, soit pour avoir la foi d’Abraham qui leur permet d’adorer – comme font les juifs et les chrétiens – le Dieu unique et miséricordieux du Jugement dernier (4).

Ce qui frappe, c’est l’immobilisme du côté de la doctrine islamique et le constant, inexorable mouvement de la doctrine catholique, et cela, malgré les dogmes. L’universalisme islamique se base sur la conquête territoriale et corporelle, l’universalisme chrétien va vers l’assentiment personnel et singulier des esprits.

À ce point, il faudrait étudier de près la conception de Dieu dans les trois religions monothéistes. On verra que cette conception donnera une vision différente de la religion et de l’intériorité. Par exemple, dans l’Islam, il n’y a pas à proprement parler de sacerdoce, et donc il n’y a pas de médiateur entre Dieu et le fdèle. Mais il semble que ce soit l’intériorité qui fasse défaut à la religion musulmane, bien que le soufsme en témoigne, plus particulièrement les mystiques et les poètes arabes.

Je termine avec les mots du plus grand d’entre eux, al-Hallag, bien que sa foi et son rapport à Dieu aient été interprétés par ses coreligionnaires comme athéisme et qu’il fût donc exécuté en 922 : « Pour celui qui aime, il sufft d’isoler le Un » (5). 

Notes:


1: http://www.washingtonpost.com/blogs/worldviews/wp/2015/02/20/the-islamic-state-threatens-to-come-to-rome- italians-respond-with-travel-advice/
2 : Parmi les nombreux ouvrages en italien cf. M. Molinari, Il Califfato del terrore. Perché lo Stato islamico minaccia l’occidente, Milano, Rizzoli, 2015.

3 : Cf. Tahar Ben Jelloun, E’ questo l’Islam che fa paura, Milano, Bompiani, 2015.
4 : Cf. Constitution dogmatique du Vatican II Lumen gentium, art. 16 (Rome, 1965). 5 : Cité par H. Küng, Islam. Passato, presente e futuro, Rizzoli, Milano, 2005, p. 400.

26 de marzo de 2015

Onfray Moves Out, by Jacques-Alain Miller

 
1. Why Papuans?* 

Onfray displays the virtue of the philosopher as public figure: according to Foucault, parrhesia, Greek for telling-all, truth-telling, plain-talk. He preaches the four virtues to the powerful, pulls down the idols, all the while chanting out unanswerable indictments. And when the dosage is right, you can wrangle yourself from the Left to the Right. But sometimes he gets confused, and then, thump!


A short time ago, in Le Point, our Chief Justice took aim at Saint-Germain-des-Prés, which he declared a “Papuan village”, and whose pinko-caviar mafia he decapitated without pity. In the fury of the massacre: “I prefer an accurate analysis by Alain de Benoist to an inaccurate analysis by Minc, Attali or Bernard-Henri Lévy… The Papuans will scream! But they will not make me say that I prefer an inaccurate analysis by BHL on the pretext that he claims he is left-wing.”

This Sunday, Manuel Valls steps in, displaying the virtue of the chief: authority, the constant companion of his anger. Here he is, shutting up the philosopher: “When Michel Onfray claims that basically Alain de Benoist is worth more than Bernard-Henri Lévy, it means that we’re all losing our bearings.”

Onfray is immediately in all the news outlets: he has not been read, he was misread, he even goes so far as to propose in Le Figaro “a close reading of the text.” The problem, in his opinion? Valls is “a cretin”. Not exactly. There is something rather twisted in Onfray’s proposal.

He presents a conflict of preferences. A) As a “man of the Left”, I (Onfray) am expected to prefer other men of the Left to those of the Right. B) As a philosopher, I prefer the accurate to the inaccurate, the true to the false. C) As I am a philosopher before I am a man of the Left, I give way to B over A: a truth from the Right is worth more than an error from the Left.

This chiasmus of preference is not raw Onfray. He found his classical expression in the Latin sentence: “Amicus Plato, sed magis amica veritas” : Plato is my friend, but the truth is a still greater friend. This thought comes from Plato, and is taken up by Aristotle. Cicero, on the other hand, makes the opposite choice: I would rather err with Plato than be in the truth with Pythagoras (the origin of the celebrated phrase “Better to screw up with Sartre than to be right with Aron”).

What is wrong with Onfray’s formulation is that he is far from being BHL’s friend. He can’t stand him. Thus, the “Plato amicus” is invalidated as a basis for the proverb. Thump! This fact alone endorses Valls’ interpretation.

In fact, Tarski, the great logician, offers the only version that could have made sense of Onfray’s gibberish: “Inimicus Plato, sed magis inimica falsitas“, that is: BHL is my enemy, but error is a still greater enemy.

A mystery persists: why pick on the Papuans? The Papuan cultures inspired the great ethnologues: Malinowski, Margaret Mead, Godelier. Who are you, Onfray, to scorn them?

2. Logic of Gibberish

Now I would like to consider seriously Onfray’s gibberish, to deploy all its subtlety, to tease out its deeper sense.

I will begin with an “oddity” pointed out by Maria de França (“Manuel Valls, Michel Onfray et Bernard-Henri Lévy: what’s at stake in the debate”, La Règle du jeu, 8 March 2015): “We have every right to find it odd that a completely forgotten intellectual, Alain de Benoist, should emerge from the mothballs of obscurity.” In effect, why Alain de Benoist?

Why impute to this very figure the paternity of “the accurate analysis” corresponding to the “inaccurate analysis” of BHL? As an ad hominem attack, with BHL as its target, the mention of his name imposes itself, it is legitimate and necessary. On the other hand, the mention of Alain de Benoist is not necessary but contingent: any other figure from the Right would have done as well. The choice of name has no effect on the logical validity of the reasoning.

We might attribute to Onfray’s theory of preferences the following axioms:

A) the true, T, prevails over the false, F;

A’) scholium: every thesis T (accurate, true, exact) always prevails over every thesis F (inaccurate, false, erroneous) no matter the author of the thesis;

B) to every name belonging to the set of “men of the Right” may be assigned the production of a thesis T;

C) to every name belonging to the set of “men of the Left” may be assigned the production of a thesis F.

Onfray’s gibberish would then rest on the following implication, valid if redundant – since the fact that the author of the thesis comes from the Right or the Left is neutral with respect to the validity of the formula. Namely: for all x such that x is a true thesis with an author from the Right, and for all y such that y is a false thesis with an author from the Left, x is worth more than y.

The choice of proper name destined to exemplify the right-wing author of a true thesis or the left-wing author of a false thesis belongs to the sentimental or ideological, rather than logical, order – that is, it is effectively a rhetorical choice.

In the context of a polemic against BHL, nothing is more legitimate than to identify by this name the left-wing author of a false thesis. However, Onfray’s hostility toward BHL is such that it overflows the bounds of the logical scheme of his crossed preferences- whence the suspicion that we are dealing with gibberish.

Onfray’s chiasmus is overthrown by his refusal to recognize BHL as a proper left-winger. He highlights that BHL “says he is left-wing”. In his eyes, what’s at stake is an illocutionary assertion, expressing a subject’s opinion of himself; which presupposes that Onfray himself refuses to assign the status of objective truth to this claim. Thereafter, nothing prevents the supposed falsity of BHL’s thesis from extending itself to his left-wing presumptions. In other words, Onfray lets us understand, or suggests, that BHL is a false “left-winger”.

The result of all this is that the axiom of preferences, which proposes that, in every case, the true is worth more than the false, does not have as its only consequence the scholium affirming that every true thesis is worth more than every false thesis. There is another implication: that a true right-wing man who authors a true thesis is worth more than a false left-wing man who authors a false thesis. This scholium completely justifies Manuel Valls’ reading of Onfray’s gibberish.

Onfray has wrestled like a devil, has disputed this reading in every way, in every media outlet; he has called Valls a “cretin”. The fact remains: there’s only one cretin in this affair, and it is Onfray.

The boy, who is otherwise far from unintelligent, is “cretinized” by the excess of his hatred. Hatred of BHL. Hatred of the elitist, decadent, Saint-Germain-des-Prés mafia. Hatred of the left in nearly all its known forms. Of all those who have expressed themselves in the media in 2015, Onfray is by far the most consistently hateful, he is the only one whose style transmits something of Action Française. Today’s Rivarol is far behind.

3. The choice of a proper name

Now, what name do we choose to exemplify the right-wing man as the author of a true thesis?

There are names whose association with the notion of “true thesis” would offend the public’s common sense, or, to use Orwell-Michéa’s phrase, “common decency“. In short, to consider someone as the source of a true thesis inevitably conveys a laudatory effect. Let’s say I were to claim, for example: “a true thesis by Hitler”. Even if I affirm my hatred of this figure elsewhere, this claim conveys praise, since I presuppose that Hitler is someone who is capable of making (at least) a true claim.

Yet it is clear that in some sense Hitler made plenty of “true claims”, like: “I will re-occupy the Rhineland by surprise, and they won’t do anything”, “No one will prevent me from enacting the Anschluss“, “We will cross the Maginot line on the recommendation of Manstein, and we will beat them hands down”, etc. Given the exactitude of these forecasting assertions, nothing opposes the strict logicality of speaking of “true claims” of Hitler. To resume Roland Dumas’ memorable phrase from his dialogue with Jean-Jacques Bourdin, from February 16, “Why not say it, if it’s a reality?”

However, it’s quite something to make of Hitler an example, in the context of a purely logical argument, of the source of true claims. It is yet another matter to do so in the “public sphere” (in Habermas’ sense). This particular proper name contains a connotation that no speaker can reasonably ignore, if he doesn’t wish to be seen as a Nazi sympathizer.

Thus the choice of a proper name must respond to certain extra-logical, tactical, and opportunistic criteria. The name has the status of a rhetorical signifier, characterized by its “nebulosity”, according to Barthes’ term. One can calculate in advance its probable effect on the public.

In the present case, the balance of the case would require that name of BHL be paired with the name of a more or less comparable right-wing intellectual, namely a notorious figure, with easy access, indeed privileged access, to the media, ready to express himself loud and clear on questions of current events.

But who is Alain de Benoist? He is an authentic, extreme right-wing, autodidact intellectual. He is a prolific author. He is also the leader of a certain school of thought, whose hour of glory was in the years post-68, when Robert Hersant and Louis Pauwels entrusted the orientation and editing of the Figaro-magazine to him and his group “La Nouvelle Droite”, posts formerly held by François Mauriac and Raymond Aron. Nevertheless, his name satisfies none of the requirements that I have just explained. Whence Maria de França’s astonishment.

I do not mean to say that Onfray’s choice of name was unmotivated. It can be explained, according to Renaud Dély, by the “common points and convergences” between Benoist and Onfray, noted in the latest number of Monsieur de Benoist’s magazine Eléments (“Michel Onfray et les ‘idées justes’ d’Alain Benoist”, Bibliobs, 9 March). In short, it’s an example of payback.

There remains only one name other than that of Alain de Benoist which might take its natural place opposite BHL without startling anyone: that of Eric Zemmour. It would perfectly satisfy the informal requirements I have enumerated. Here is the basis of the hypothesis that there was a signifying metaphor (in the Lacan’s sense) in Onfray’s claim. The signifier “Alain de Benoist” would have substituted for “Eric Zemmour”, which would have then “fallen into obscurity”.

Provided that this metaphoric substitution took place, what was its sensible effect?

1) Concerning BHL, the metaphor operates by contamination: it sends him back into the mothballs of oblivion along with Alain de Benoist. Associating BHL with Zemmour would have meant associating him with an actual and promising dynamic: associating him with Benoist places him in the past, buries him, it’s the equivalent of saying “Die, BHL!” or “You’re already dead, BHL!”

2) Concerning Onfray himself, the metaphor operates inversely by decontamination: associating the names of BHL and Zemmour would have made a correlative association between the name of Onfray and that of Zemmour. Thus, that which Onfray would prefer the reader to misunderstand would have become legible. This is what we are about to investigate.

4. How to be “left-wing” on the right

This is what I call Onfray’s chiasmus: an accurate analysis by Alain de Benoist rather than an inaccurate analysis by BHL. Until now, we have analyzed it as such, out of context. Now let us replace it in its proper context, the interview in Le Point from which it is excerpted.

The lead-in to the article explains clearly that Onfray is in a transitional phase, a political “moving-out”, and it is not clear that this figure, so quick to rectify everything said concerning him, showed the best judgment in manifesting himself in this case. Text: “The philosopher scorns the proper-thinking left. Suffice it for the right to recover him… ” In effect, Onfray has set out. He is in the process of migrating, with arms and baggage, from the Left to the Right.

However, the difficulty of this operation arises from Onfray’s not having any interest in the Right unless he can join its as a “man of the Left”. He must accomplish a tour de force: to be a “left-wing man” on the Right, indeed “the left-wing man” on the Right.

This demands: a) that the Right be defined as a place, and no longer as a class of individuals; b) that, contrary to Danton’s claim about the fatherland, he, Onfray, may bring the country under the soles of his shoes.

One condition can satisfy both demands at once. It was claimed by Corneille’s Sertorius before Pompey: “Rome is no longer in Rome, she is wherever I am.” This is Onfray’s project: to demonstrate that the Left is no longer on the Left, but rather wherever he is.

I do not abandon the Left, cries Onfray, she, the bitch, is adandoning me, but in so doing she leaves herself. As noted by Baptiste Rossi, Onfray’s Left is “neither the bohemian left, nor the communist left, nor the liberal left, nor the islamist left, nor the proper-thinking left, nor the animal-loving left, nor the Mitterrand left, nor the marxist left, nor the Sarkozy left…” (“Michel Onfray, le mafia ne passera pas”, La Règle du jeu, 9 March). In his interview with Le Point, the rage Onray reserves to stigmatize all the Left’s trends leads him to define the Left by what it is not. This amounts to transposing in political philosophy the major proceeding of negative theology, whose first theorist was, at the end of the 5th century, the so-called Pseudo-Denis the Areopagite, “the father of mysticism”. I might add in passing the regrettable fact that the volume of his Complete Works, once translated for Aubier by Maurice de Gandillac, is out of print.

Onfray’s apophatism with respect to the Left (Wikipedia: from the Greek noun apophasis, from the verb apophemi, “to deny”) knows only one limit: Onfray himself. Baptiste Rossi explains it well: “You might say that for Michel Onfray the definition of the Left begins at Michel and ends at Onfray.” This is the solution to the problem. When the true Left is just wherever Onfray is, and is somehow confused with his person, it is permissible for him to compromise with the Right, associate, flirt, fuck with the Right, indeed bear it children, and for all that never cease being left-wing.

Surely we have lost our bearings, as Manuel Valls indicates, but this is not due to Onfray’s own disorientation. On the contrary, disorientation is his tactic. In order to successfully accomplish his installation on the Right as a “left-wing man”, he must cover his tracks. The idea is to establish a vague situation where the well-known cat can no longer find her kittens. The passage through the “cosmos” will help him there.

In his novel 1984, Orwell imagines a ministry of Truth, a propaganda organ for the powerful, that hammers out the Party’s three slogans: “WAR IS PEACE”, “FREEDOM IS SLAVERY”, “IGNORANCE IS STRENGTH”. Onfray, who has offered himself in almost all the media outlets this past week, is himself a little ministry of Truth in his own exclusive service. What sublime slogans does he diffuse? Something like: “THE LEFT IS NO LONGER THE LEFT”, “THE RIGHT IS MUCH MORE THAN THE RIGHT”, “ONFRAY SPEAKS THE TRUTH ABOUT TRUTH”.

5. Flash to the Future

1. – Now that Onfray has moved his household gods to the Right, it is all the more urgent for him to reaffirm his identity as a left-wing man. He will have to highlight certain of his supposedly leftist “markings”.

For instance, there’s his anti-liberalism, but this won’t be enough to make up the difference. The conservative is just as anti-liberal. See for example the interview with Denis Tillinac in Le Figaro on March 14, published under the title: “If the Right is a liberal version of the Left, it will die”. Anti-liberal? The reformed neo-fascist is much more anti-liberal than the average member of the socialist party, whence Alain de Benoist’s joke: “I think I’m further Left than Manuel Valls!” In the end, everybody knows that the Front National is henceforth the biggest anti-liberal political force, leaving Mélenchon, the Front de gauche, and the Trotskyites far behind.

Onfray will need to prove himself resourceful. What tricks will he come up with to preserve his left-wing reputation? Heaping scorn on the real leftists is something, but it’s not enough. I can imagine him picking out here and there certain “left-wing truths” with which to associate himself, to mark with his label.

2. – How much time will the Left take before registering Onfray’s defection? L’Obs seems to have already mourned the loss of the mighty scribbler. Such is not the case with Libération. Marianne is easygoing; we would expect its “cosmic” rantings; we could offer it a place to knock on Valls; the literary chronicle deplores the meddling of politicians in cultural affairs: as much as saying, “Valls, to the doghouse!” We shall see how long this time-to-understand lasts with the “pure of ear”.

3. – The conservative right and the extreme right celebrate the return of the prodigal son. We have seen that Alain de Benoist, the grand anti-Christian, already knighted Onfray. In Le Point this week, Christine Boutin would not be outdone: she excuses his militant atheism, for “his will to seek truth through the real rejoins the Christian incarnation”; whatever that means. Then she falls into a swoon: “He even dares proclaim the end of the Left!”

Giesbert doesn’t hide that he and Onfray are “old friends”. He clasps to his breast “the colossus”, the force of whose work he admires. He has always protected “our national Savonarola”, persecuted by “the commissioners of the thought police”. As he sees it, he defends Onfray as simultaneously the son of the poor, the hick, and the heretic.

The true moderate and liberal Right in all likelihood will not be on the same wavelength as FOG (Franz-Olivier Giesbert), its dandy. Will the Onfray case be the apple of discord among the right-wing? We shall have look at each one’s “position” under the microscope.

6. Here’s why the Papuans…

We know a little more about Onfray. But the mystery of the Papuans remains. Can we pierce through it?

What is it all about? A pretty little joke that’s not too serious. It consists in assimilating Saint-Germain-des-Prés to a “Papuan village”. We know that Saint-Germain was inscribed in the post-war years, then during the colonial wars in Indochina and especially Algeria, as the neighborhood of the capital’s intellectual Left, a bit like Greenwich Village (“the village“) in New York, or Bloomsbury in London, in the days of Keynes, Lytton Strachey, Virginia Woolf.

It is a racist joke, no doubt, but it means much more than it says. You could not say that the “Papuan ethnic group” was aimed for as such. What counts is the word “papou” [papuan], with the internal alliteration of its labials, “p…p…”, and the final long “u” that recalls the call “hoo…hoo…”, whose significance can run from friendly greeting to hostile derision.

There is no question here of those Papuans whose cultures impassioned the great ethnologists, not at all. Only, in French, given the spirit of the language, a certain ridiculousness is attached to the word “papou”, along with a certain tenderness, as in “papounet”, the familiar diminutive form of “papa”. When you hold that the intellectuals of the Saint-Germain-des-Prés are ethereal, even degenerate, snobs, everyone understands that it is a joke to call them “Papous”, a word which in French evokes the general signification of the un-civilized, the savage.

In short, Onfray’s joke on the Papuans: you can’t get any more French than that.

It’s in the best “Gunslinger Tonto” style. It’s like Michel Audiard. The whole spirit of right-wing anarchism is there.

7. È finita la commedia

I’ll drop the word. There is nothing left to bend: Onfray belongs to the spiritual class depicted in literature by Anouilh, Marcel Aymé, Antoine Blondin, Céline, Michel Déon, and other lesser masters.

This is the group that made the Saint-Germain-des-Prés its chosen object of contempt. During the Occupation, they took aim at the “zazous”- ah! there they are, the ancestors of our “papous”- the non-conformist youth, who belched on Vichy, loved jazz, and sometimes even wore the yellow star for solidarity with the Jews (see Wikipedia). Then it was the existentialists who were publicly scorned by our dear anarchists.

I would say that anyone with an ear for literature, and some knowledge of the history of our country in the 20th century, couldn’t fail to see Onfray as the sucker for this good old French tradition.

Rght-wing anarchism! What infamous politics. Literature owes to it some very beautiful pages, some great writers. Its style and worldview profoundly pervaded the “French ideology”. Don’t seek to banish it: it’s a part of the French genius, from Gabin to Delon, from the Nickel-Foot Gang to Journey to the End of Night, about which Beauvoir said in her memoirs: with Sartre “we knew by heart a bunch of passages. His anarchism seemed close to ours.”

Yes, between left- and right-wing anarchism at first there are always overlaps. Time is needed for them to separate. For Onfray, the time has come.

Read his hateful tirade against the Left.

See him execrating the Robespierres, the Marxes, the Sartres.

See his contempt both for the intelligentsia and for the “stupefied crowd”, which “rejoices in voluntary servitude and throngs the streets as a single unit at the first call of the media” (in Le Point, no. 2216, p. 40).

See his “Proudhonian socialism”, a bait-and-switch utopia that has only ever appealed to the extreme right-wing circles (just look at the history of Proudhon’s own circle).

See him posturing as a “poor boy with clenched fists”, burning to take his revenge on the bourgeois ladies, to overshadow the heirs by the energy of “a child of a humiliated people. Caliban has only one wish: to become Prospero. Or rather, to take his place.”

See him playing the part of the “beast” hunted by “the anonymous society of imbeciles and assholes.” Whereupon Giesbert clasps him to his heart: the theatre of virile friendship. “The right-wing anarchist morality is constantly on the defensive.”

See the tendency in his discourse toward “general, pervasive autobiography”, to the point of unleashing his next opus under the title Cosmos.

See his reactionary nostalgia, “his opposition to the century”, and simultaneously, his conviction that the triumph of this very century is “ineluctable”, that the aristocracy of the spirit is destined to be trampled and vanquished. For his populism “is less the deliberate choice of the victims than the just as deliberate choice of the defeated.”

In the end, “his earthly ideal is the pavilion of millstones” – and now, with his success, “a new Lower Norman HQ” in Caen, as Giesbert teaches us – “and whose social type is the small businessman, whose positive image runs through all his books.”

With my anaphoric tirade I invite you to see in Onfray so many traits that sketch a figure who is unique and recognizable among all the others, that of the right-wing anarchist.

Recognize that the quotations sprinkled throughout my lines after the mention of Robespierre, Marx and Sartre are excerpts from a single book: the historian Pascal Ory’s essay Right-wing anarchism, published in 1985 by Grasset. There is no discussion of Onfray, whose first book dates from 1988.

8. Cosmico-comic

The excerpts from Cosmos in this week’s Le Point are really uplifting.

Onfray is nostalgic for the age when men were “in direct contact with the cosmos, and their life was set by the impeccable mechanism of universal clockwork.” What presumption on the part of the humans, those tiny creatures, to rebel against the order of things! “The stone obeys the cosmos, as do the plants and animals, of course, but not man(…)” Well, Bye Bye Kant, and the rest. It’s a tirade worthy of Jean Gabin.

Onfray has surpassed himself. He has found himself. He says as much: “This is my first book.” Until now he had been content to be a grouchy post-68 reactionary. Now he’s a post-1789 reactionary, in unison with the purest counter-revolutionary thought, the original thought of the counter-revolution, the most hostile to the Enlightenment. His emblem: the light-bearing eel. So, a word to the wise.

Bonald and Maistre and Maurras and Pétain tell him, “Enter here, friend of my soul.”

9. News Flash

Onfray: our Joseph de Maistre, with less style, and more of Audiard’s blather.

Zemmour, neo-Bonapartist, could pass, compared with Onfray, for a progressive.

No, Onfray will not be the “left-wing man” of the right. Not a chance. He will be, in fact he already is, the right-wing neo-anarchist our era was waiting for.
Energy, spirit, cunning, charm, charisma, cheek, fine on TV: he’s got what it takes.

N.B. : the first part of this text appeared in this week’s Le Point, no. 2218, p. 59.

-translated by John Tamplin