10 de junho de 2014

LACAN COTIDIANO N. 405 - PORTUGUÊS



Quarta-feira,  28 de maio de 2014 - 17h00 [GMT + 1]    
NO 405
Eu não teria faltado a nenhum seminário por nada deste mundo— Philippe Sollers
Nós venceremos porque não temos outra escolha — AgnÈs Aflalo
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Reedição
JACQUES-ALAIN MILLER
A filha do diabo
 29 de SETEMBRO de 2011


O pai estava contente de reinar em seu emirado de preguiçoso. «Em sua casa cada qual é rei[1]», sua ambição não ia além disso. Fascistas, colaboracionistas, católicos tradicionais, neo-pagãos, monarquistas, negacionistas, OEA, além de um quadrado de Waffen SS para alegrar o todo, esse patchwork de tribos desemparelhadas não se ligava senão por um fio: era necessário de tempos em tempos remendá-lo com um dito espirituoso fazendo função de pogrom. A gente se indignava. Entretanto, nenhuma manobra subversiva; tinha a escolha exclusiva da via parlamentar; e, por ter certeza de ser perdedor, tinha a prática do excesso e do ultraje. Esse homem tão brutal, mas cheio de afetação, que usava como ninguém o imperfeito do subjuntivo, era em suma um caso bastante puro de masoquismo político. Aliás, ele adorava fazer o papel da vítima. Mitterrand o julgava inofensivo. «Um diabo placebo[2]», diz Mélenchon de um modo belo.
Nisso, chega a filha do diabo. «Desdiabolizar», diz ela, envolvida em sua lourice. Exorcismo imediato. O odor di femina remove o odor de enxofre. Ali onde o pai rangia, fazia caretas, cuspia fogo, Biondetta dava aos flashes um sorriso vencedor. Em 2007, o velho, escondido em sua fortaleza, via, impotente, seu feudo devastado; a filha tem outro temperamento: ela não se encerra, ela galopa, ela trota e salta; a alusão antisemita, apanágio de família, ela deixa para trás, para os aturdidos que se lambuzam com isso; multiplica os ataques surpresa, à esquerda e à direita, conquista posições nevrálgicas que haviam sido abandonadas, planta sua bandeira nos fundamentos da República, passa por toda parte, agarra tudo. Ali, pulsa uma vontade de poder que não se dobra nem escorrega.
Ninguém duvida: governar o país, ela o quer de verdade, enquanto o papai só fazia semblante disso. Ela não merece crédito? Ela o terá. Faltam-lhe experts? Eles virão até ela. Asperezas? Ela as aplainará. Sua xenofobia? Será indexada às pesquisas. Sua filiação, uma deficiência? Ela já deixou seu patronímico; amanhã, será o nome do partido; a viagem a Jerusalém, que ela fará assim que possível, lhe servirá[3] para limpar sua origem.
Restou um detalhe: seu pé fendido[4]. Para mostrá-lo ela espera ter, no pescoço, o Grande Colar da Legião de honra.






Os Dardenne no ápice de sua arte
Finalmente! (5), a crônica belga de
Yves Depelsenaire
Dois dias e uma noite1 é, aos meus olhos, o mais perfeito dos filmes dos irmãos Dardenne. Numa primeira abordagem, ele retoma o problema de Rosetta2: como sobreviver a um dissídio brutal? Como não se fazer ejetar do mercado de trabalho? Como escapar da precariedade prometida? Mas Sandra não tem, ou não tem mais, a impetuosidade combativa decidida de Rosetta. Ela se restabelece de uma licença de saúde por depressão; não é seguro que ela tenha se recuperado, ela continua tomando Xanax; ela não faz mais amor com seu marido há quatro meses; sua voz se entrecorta.
Estamos numa sexta-feira. Ela deve retomar o trabalho na segunda de manhã. Telefonema de uma colega: ela fica sabendo que ela foi despedida depois de uma votação organizada pelo chefe de sua oficina. Um belo golpe dado com a benção dos «Recursos humanos». Os dezesseis colegas de Sandra terão que escolher: ou seu retorno para junto deles, ou um adicional de produtividade anual de 1000 euros. Pura sujeira de um patrão que sobrecarrega seus empregados com seus cálculos sórdidos. O voto é sem piedade : quatorze são a favor do adicional. Perspectiva de um belo final de semana.
Apoiada por Juliette, uma das duas colegas que não votou pelo seu afastamento, e por seu marido, ela obtém do patrão que a votação, influenciada pelas manobras de intimidação do chefe – se não for ela que sai, será um outro –, seja reiniciada na segunda pela manhã. Ela tem dois dias e uma noite para contatar seus colegas e tentar arrancar uma outra escolha deles. Dois dias e uma noite para mudar o mundo.
O que é sublime neste filme, é a tessitura sutil dessa situação social, até mesmo banal, com a vacilação subjetiva de Sandra e a radiografia do que tanto uma quanto a outra fazem signo: essa «política das coisas»3, segundo a expressão de Jean-Claude Milner, que reduz os seres falantes a mercadorias. Não é à toa que a voz de Sandra se entrecorta.
Entretanto, melhor que Rosetta nisso, Sandra dá a entender algo de precioso : indo encontrar um por um seus colegas de trabalho, ela não pede nenhum dó, mas ela espera de cada um uma palavra. Que um persevere em sua escolha cínica, que o outro seja torturado pelo remorso, o seguinte paralisado pelo medo, é inteiramente secundário. O inadmissível é o silêncio daquele que se recusa a responder com seu ato, a covardia daquela que recusa lhe abrir a porta. Da mesma maneira, inadmissível será a promessa pérfida do diretor da empresa: num «espírito de apaziguamento», ele oferece a Sandra retomar, depois de dois meses de desemprego técnico, o contrato temporário de um jovem colega que estava se expirando. Sem dúvida, ironia da história, ele se beneficiava do contrato chamado «Rosetta»4!
No final desse combate com resultado incerto, o que Sandra ganhará será de uma natureza bem diferente.
Se destaca desse jogo contido de Marion Cotillard uma emoção rara. Mas é preciso também sublinhar a justeza de Fabrizio Rongione, passando com uma evidência absoluta de seu papel de resistente comunista sob a Ocupação alemã, na bela série Un village français5 àquele de marido afetuoso de Sandra na periferia de Liège onde resistir não é, aliás, uma palavra vazia.
[1] Deux jours et une nuit, filme de Jean-Pierre e Luc Dardenne, maio de 2014. Apresentação na seleção oficial no festival de Cannes.
2 Rosetta, filme de Jean-Pierre e Luc Dardenne, 1999. Palma de outro no festival de Cannes (em unanimidade) e prêmio de interpretação feminina.
3 Milner J.-Cl., La politique des choses, Paris, Verdier, 2011.
4 Plano de ajuda temporária para a inserção profissional dos jovens colocado em prática na Bélgica depois do lançamento do filme Rosetta.
5 Un village français, série televisiva escrita por Frédéric Krivine, dirigida por Philippe Triboit, difundida na França na TV5 a partir de 2009 e na Bélgica, Suissa, Canadá e Coréia do sul, em 2014.

A cannabi-economia
por David Briard

A cannabis terapêutica: uma simples mudança de ordem simbólica, e por isso mesmo essencial
O Sativex, derivado da cannabis, acaba de obter, no dia 8 de janeiro de 2014, uma autorização para ser colocado no mercado (AMM) com indicações bem precisas, depois de um decreto de 5 de junho de 2013, para comercialização prevista para o início de 2015. Um bom número de países europeus e do outro lado do Atlântico já o autorizaram. As precisões trazidas pelo ministério da Saúde e pela Academia de Medicina fazem disso um acontecimento. Eles devem lembrar que não se trata de uma autorização à cannabis terapêutica mas, a princípio, de uma autorização à comercialização de um medicamento. A Academia de Medicina se opôs ao projeto, adiantando diversos argumentos : a ausência de ganho terapêutico evidente em relação à farmacopéia existente que acaba por  competir com ela, um risco de dependência, um risco de desvio de sua indicação inicial, entre outros.
No dia 10 de maio de 2014 ocorreu uma marcha mundial pela legalização da cannabis. As manifestações francesas não deixaram de colocar em paralelo em seus cartazes a autorização de colocação no mercado do medicamento à base de cannabis e a legalização dessa última, que eles pedem. Esta perspectiva da cannabis terapêutica reforça a atração dos consumidores pelos benefícios da cannabis comum e sua liberação. As fronteiras entre medicamento, cannabis terapêutica, produto ou ainda droga, são porosas e tornam difícil o nascimento do medicamento. Passar para a etapa do medicamento toca a ordem simbólica e os gozos respectivos de cada grupo que brande seus argumentos.
O que é o Sativex? O cânhamo contém numerosos compostos químicos (até 500). O principal é o d-9-tetrahidrocannabinol, o THC na origem dos efeitos psicoativos. THC vai ser o novo nome da cannabis permitindo assim acentuar seu caráter de molécula, de princípio ativo, de medicamento, mas é também seu nome de código nos blogs pró-cannabis. O Sativex contém esse delta-9-tetra-hidro-cannabinol e o cannabidiol, as 2 moléculas principais.
Então, não é mais a cannabis apesar dos efeitos principais se encontrarem aí. O efeito psicoestimulante do medicamento não se chama mais efeito High, e o efeito depressivo substitui o efeito Stone da droga. Os efeitos da planta são, aliás, até o momento, mais conhecidos do que os do medicamento. O que está na categoria do efeito buscado da droga passa para a categoria de efeito indesejável do medicamento. Tomam-se outros efeitos principais para retê-los no efeito terapêutico, em função da indicação. Por exemplo : como analgésico ou vasodilatador para o efeito anti-asmático ou orexígeno na anorexia.


A cannabis medicinal faz a cama da economia da cannabis recreativa
A produção sempre ilegal na França está em plena expansão. O custo igual da legalização e da repressão poderia tentar o Estado a retirar a proibição para visar o tráfico da droga e mudar sua economia clandestina para uma economia de mercado. O que quer que seja, essa entrada no mercado do Sativex não marca o início de um programa em direção à legalização na França, como testemunha sua evolução nos Estados Unidos ? O avanço tomado do outro lado do Atlântico é uma ilustração bem atual do discurso capitalista, antecipado há muito tempo por Lacan, por causa do estabelecimento de engenhosos sistemas jurídicos, financeiros, comerciais, medicamentosos, cujo objetivo é uma recuperação de gozo sem falhas e sem limites.
O Colorado é o primeiro Estado da América a ter legalizado a venda de maconha para as pessoas acima de 21 anos. 55 % dos habitantes deste Estado disseram sim à cannabis recreativa num referendum de 6 de novembro de 2012. As regras concernindo a publicidade ou as campanhas de sensibilização se tornaram aquelas aplicadas para o álcool e para o cigarro com, por exemplo, um limiar de direção em estado de embriaguez da cannabis a 5 nanogramas de THC por mililitro de sangue. O Estado de Washington é o próximo da lista, depois a Califórnia. Cada etapa, até a venda, é controlada. As licenças de exploração foram dadas aos grupos ativos no domínio da maconha medicinal, agora fornecedores dos clubes cannabis. Os ambulatórios autorizados a distribuir a cannabis medicinal distribuem a cannabis recreativa. A cannabis está disponível desde 1996 para fins medicinais em 22 Estados. O primeiro a autorizá-la foi a Califórnia e os últimos foram a Flórida e o Estado de Nova Iorque.
Espera-se que o mercado da cannabis recreativa seja muito « suculento ». A máquina está lançada, é o arremesso em direção ao ouro verde. A cannabicultura explode, cultura aliás muito poluente. O Courrier International de 14 de maio de 2014 teve como título: «Um flagelo ecológico chamado cannabis nos Estados Unidos ». 25 % das venda, ou seja, 27 milhões de dólares anuais, enriquecerão o Estado, e o dinheiro retornará para as escolas e vai sustentar a economia, argumentos mais importantes para a legalização. O business muda de mão e passa para a economia dita clássica . As ações cotadas na bolsa das empresas de cannabis com fins medicinais aumentam.
Os sites do mercado de ações retransmitem todas as notícias cannabis e estão na primeira página do Google. Os escritórios de advogados especializados, os contadores, o software de gerenciamento de estoque (Marijuana freedway),  a companhia de seguros Cannassure e o ramo universitário especializado na indústria da cannabis, já em funcionamento para a cannabis terapêutica, o estão agora para os clubes cannabis e esperam novos clientes.
Falta pouco tempo para que o distribuidor automático chamado Zazzz, até agora reservado para os ambulatórios da cannabis terapêutica, passe para os clubes cannabis. A revista High Times se vê, a partir de então, legitimada aí onde ela ostentava os méritos da maconha e dos objetos de transformação, fornecia truques para apagar todos os traços de consumo, e enfrentava todas as interdições.
O Presidente Obama fecha os olhos para a lei federal dos USA e não se opõe a essa abertura nos três Estados, velando pela aplicação estrita da nova legislação local. Eles servem de laboratórios de experimentação, voluntários, antes de uma propagação controlada para os outros Estados. Com a criação desse vazio jurídico, os bancos permanecem reticentes em acolher esses novos lucros, e em financiar a indústria da cannabis. De todo modo, lhes é proibido aceitar o dinheiro de uma atividade que permanece ilegal. Mas isso sem contar com Michaël Kennedy, diretor e advogado de High Times, e com o diretor comercial Mickaël Safir, que aproveitam desse vazio jurídico para lançar um fundo de crescimento privado High Times que fará o papel dos bancos cautelosos. Pois a indústria da cannabis permanece deficiente pela falta de disponibilidade de fundos.
Como é que o gozo se distribui? Para retomar uma expressão de Jacques-Alain Miller a propósito da economia de gozo no ensino de Lacan, não se trata de ser econômico[1]. Ao contrário, é a exploração desse fato de estrutura que é que o gozo não pode ser negativizado, e seu produto aqui é essencialmente uma recuperação financeira. Foi preciso 18 anos à Califórnia (1996-2014) para passar do uso terapêutico à cannabis recreativa, 16 anos para o estado de Washington e 14 anos para o Colorado. O Estado francês e a Academia de Medicina conhecem esse caminho. Quem será o próximo? A Guatemala? O México? A Irlanda? O Marrocos?

Cannabis-rupturas
A passagem da cannabis de um estatuto ilegal ao terapêutico e depois de recreativo desencadeia rupturas simbólicas em cascata, espécies de cannabis-rupturas, poder-se-ia dizer, pelo fato de sua radicalidade, mas trata-se verdadeiramente de uma mudança das relações do sujeito com seu produto de gozo ?
Talvez a intervenção do médico poderia ainda tocar na relação do paciente com seu produto, mas a prescrição medicinal se vê ameaçada pela cannabis recreativa e sua possível automedicação. A transgressão se desloca da proibição total à proibição de um consumo muito elevado não autorizado, freio fraco que não toca à disponibilidade do produto diante do gozo. «Todo mundo vê que a legalização desenfreada traria um «empuxo à morte» tão grande quanto a proibição. São duas faces do supereu. O gozar sem entraves tanto quanto a tolerância zero produzem as duas faces de um mesmo apelo à morte», escreve Éric Laurent em LQ 204, [2]. Os pequenos consumidores, aqueles que já podem limitar seu consumo, ficarão mais tranquilos a não ser que essa liberalização seja tomada ao pé da letra e debride o gozo. De qualquer forma, para a psicanálise, o freio ou a liberalização do gozo não são um fato da lei. Guardemos a bússola da economia de gozo analítico que se apóia sobre a linguagem [1]. A sequência vai ser tanto mais difícil quanto não tivermos senão indicadores de massa.


[1] MillerJ.-A., Cours « L'orientation lacanienne », « Choses de finesse en psychanalyse », seminário pronunciado no quadro do Departamento de psicanálise da universidade Paris VIII, [2008-2009], aula de 13 e 20 de maio, 3 e 10 de junho de 2009. Publicadas na revista La Cause freudienne n°77, pp.135-174.
[2] Laurent É, « Le traitement des choix forcés de la pulsion », Lacan Quotidien 204.


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"Latigazo" nº4
- A ler no site de Lacan Quotidien -

Editorial  de "Latigazo" nº 4, março de 2014

por Raquel Cors Ulloa




LIDO HOJE
por François Regnault
24 de maio de 2014
Lido no Le Monde de 23 de maio a resenha da tribuna de Nicolas Sarkozy publicada no Le Point de 22 de maio de 2014 :
Nicolas Sarkozy : « Devemos parar de acreditar no mito da igualdade dos direitos e das responsabilidades entre todos os países membros.»
«Nessa ótica, comenta o redator do artigo, Alexandre Lemarié, aquele que havia instaurado o "MerKozy" fazendo do eixo França-Alemanha o motor da União, reivindica a favor de uma cooperação mais estreita entre esses dois países.»
Lido, então, em Wikipédia:
«A Europa é uma região terrestre que é considerada pelos geógrafos seja como um continente com plenos direitos, seja como a extremidade ocidental do continente eurasiático, até mesmo como uma das sub-partes do super-continente da Afro-Eurásia.
População: 739,2 millions (2011)
Superfície: 10 180 000 km²»
Eis a lista dos 28 países que fazem parte da União Europeia. Ela contém os 26 países que poderiam se ofender, de forma errônea (é a opinião de um francês), das declarações acima :
1 Alemanha, 2 Áustria,  3 Bélgica , 4 Bulgária, 5 Chipre, 6 Croácia, 7 Dinamarca, 8 Espanha, 9 Estônia, 10 Finlândia, 11 França, 12 Grécia, 13 Hungria, 14 Irlanda, 15 Itália, 16 Letônia, 17 Lituânia, 18 Luxemburgo, 19 Malta, 20 Holanda, 21 Polônia, 22 Portugal, 23 Republica Tcheca, 24 Romênia, 25 Reino Unido, 26 Eslováquia, 27 Eslovênia, 28 Suécia.

25 de maio de 2014
Lido nesse 25 de maio, dia das eleições europeias, à propósito do Império romano, em A Cidade de Deus (Livro V, XVII, 1) de Santo Agostinho:
«Neque enim et Romani non vivebant sub legibus suis, quas ceteris inponebant. Hoc si fieret sine Marte et Bellona, ut nec Victoria locum haberet, nemine vicente ubi nemo pugnaverat : nonne Romanis et ceteris gentibus una esset eademque condicio? praesertim si mox fieret, quod postea gratissime atque humanissime factum est, ut omnes ad Romanum imperium pertinentes societatem acciperent civitatis et Romani cives essent, ac sic esset omnium, quos erat ante paucorum; tantum quod plebs illa, quae suos agros non haberet, de publico viveret; qui pastus eius per bonos administratores rei publicae gratius a concordibus praestaretur quam victis extorqueretur. »
[Tradução de G. Combès, Obras de Santo Agostinho, vol. 33, Desclée de Brouwer: «Os Romanos, de fato, viviam também sob suas próprias leis, que impunham aos outros. Ora, se tinha-se colocado de acordo sem recorrer a Marte e a Belonio [a guerra], sem dar um lugar à Vitória e sem que houvesse vencedor por falta de combate, a condição dos Romanos e aquela das outras nações não teria sido absolutamente a mesma? Sobretudo se se tivesse feito logo o que se fez muito gratuitamente e muito humanamente mais tarde: associar à Cidade todos os residentes do Império e declará-los cidadãos romanos; assim o privilégio de um pequeno número seria estendido a todos, dependendo apenas de alimentar às expensas do Estado essa plebe que não tinha terras próprias. Essas despesas alimentares, era mais fácil, graças a bons administradores da coisa pública, tomá-las das nações concedentes do que extorqui-las dos vencidos.»]

26 de maio de 2014
(Re)lido « Le bateau ivre », de Arthur Rimbaud, e meditado sobre os versos :
«Moi qui tremblais, sentant geindre à cinquante lieues
Le rut des Béhémots et les Maelstroms épais
Fileur éternel des immobilités bleues
Je regrette l'Europe aux anciens parapets!»[5]

27 de maio de 2014  
Lido no Hors-Série Le Point N°16 (Juin-Juillet 2014) – Os mestres-pensadores, dedicado a Michel Foucault, por ocasião do trigésimo aniversário de sua morte (25 juin 1984). Um número bem completo. Lido na Entrevista com Pierre Nora: « Ele pediu que não houvessem escritos póstumos», página 71 :
As confissões da carne
«LE POINT: Acontecia-lhe frequentemente de se debater com um texto?
PIERRE NORA: Não, escrever era fácil para ele. Mas então, ele se deu conta de que seria necessário voltar no tempo. Ele começou trabalhando num livro sobre a Antiguidade tardia, os padres da Igreja, que deveria se chamar As Confissões da carne. Para isso, ele retomou o latim, dando cursos no Collège de France sobre esse tema. […] Quando terminou, Paul Veyne lhe explicou que tudo havia se passado muito antes ! Ele não deveria retomar do início, por um livro consagrado à Antiguidade. Ele deixou, portanto, essas Confissões de lado...Mas o livro existe, eu tenho uma versão dele. […]
LE POINT : É preciso verdadeiramente publicá-lo?
PIERRE NORA : Sim, penso que agiríamos em seu detrimento não o publicando! Por uma simples razão : esse livro é uma chave do projeto foucaltiano. Nele, ele se exprime a respeito de tudo: a castidade, o casamento... Até mesmo o título é revelador … »

Nota pessoal de F.R.: Eu me lembro de Michel Foucault me dizer, no momento em que ele escrevia esse livro: «Diga-se o que for, toda a Patrística grega é dominada por Orígenes, toda a latina, por Santo Agostinho».
 

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Tradução: Cristina Drummond
Comunicação: Maria Cristina Maia Fernandes





[1] NT - Charbonnier, maître chez soi.
[2] NT - Diable de confort, expressão cunhada a partir de médicament de confort, placebo
[3] NT- Lui servira de savonnette à vilain, sabonete que limparia a origem não nobre de algúem.
[4]NT -  Pé de diabo
[5] «eu, que tremia, ouvindo a distante agonia
do cio dos Behemots e dos Maelstroms estreitos,
eterno tecelão da azul monotonia,
lamento a Europa dos antigos parapeitos!» trad. Renato Suttana


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