7 de agosto de 2017

EBP - MG: L'incs #4 - Boletim da XXI Jornada "O Inconsciente e a Diferença Sexual: o que há de novo?"

http://jornadaebpmg.blogspot.com.es/p/lincs-4.html





Randolpho Lamonier


Jorge Mourão

A fotografia que ilustra nosso Boletim L’Incs #4 da XXI Jornada “O inconsciente e a diferença sexual” é da instalação “Atacama – Contagem” do artista Randolpho Lamonier - uma cama desertificada cercada por objetos de consumo. 

Na abertura de seu Seminário 20 e de maneira bem-humorada, Lacan apresenta aos seus alunos a não relação sexual. A cama será a metáfora que acolherá suas primeiras palavras:

“Deixo-os então nessa cama, à inspiração de vocês. Saio, e mais uma vez escreverei nessa porta, a fim de que à saída, talvez, vocês possam sacar de novo os sonhos que tiveram prosseguindo nessa cama. Escreverei a frase seguinte – O Gozo do Outro, do Outro com A maiúsculo, do corpo do Outro que o simboliza, não é o signo do amor”. (Lacan, Seminário 20, pág 11).









Há algo de novo na resposta dada pela escola americana ante ao trabalho entregue pelo estudante Jasper Finn? Finn é um jovem trans de 18 anos, que mora no estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Ele decidiu apresentar nocolégio umtrabalho que valeria créditos para ingresso em universidades, envolvendo dois temas que o cercam: gênero e sexualidade. A resposta da escola foi censurar seu trabalho e reprovar o estudante. Nas palavras twitadas por Finn: “a adminsitração da minha escola me disse para eu parar de me concentrar em gênero e sexualidade porque isso era inapropriado”.



 Randolpho Lamonier


HERÉTICOS ADOLESCENTES
Crônica de Laurent Dupont
Garoto ou garota, a hora da escolha


O herético é aquele que escolhe. Essa dimensão da escolha é muito presente no ensino de Lacan, desde a “insondável decisão do ser”1 até a heresia de Joyce no Seminário XXIII, passando pela “escolha forçada”, que Lacan evoca de maneira exemplar com a fórmula “A bolsa ou a vida”2 - qualquer que seja sua escolha, você perderá algo! 
 
E se uma das questões que tocasse o sujeito no momento das metamorfoses da puberdade fosse a de se fazer herético ao discurso do Outro? E se um adolescente fosse alguém que se sentisse no dever de se posicionar em relação ao discurso dominante do grupo, ao qual ele pertence ou se opõe, no pátio da escola, na família, no grupo de amigos, na sociedade? E se a clínica, nesse momento, fosse a referência da posição, da escolha, da impossibilidade ou da hesitação em escolher, daquele cujos apegos à infância se saltam aos golpes infligidos pelas modificações de seu corpo? E se ser um adolescente fosse ser convocado a ser um herético? 



 
Randolpho Lamonier


A segregação homens / mulheres e seu futuro
Aurélie Pfauwadel


Como vai a mais velha segregação do mundo – a segregação homem / mulher – na modernidade.


Os diferentes “discursos”, tais que definidos por Lacan no final dos anos 60, capturam “séries de corpos” [1] que eles visam submeter. Seja pelo distanciamento ou pelo reagrupamento dos corpos, eles isolam assim os gozos. Pois o que se trata de segregar, são sempre os gozos dos corpos. A principal função do discurso do mestre é de impor as normas ao gozo e de proceder à contenção de todo gozo Outro ou anormal. Pois bem, qual gozo é o mais radicalmente Outro, e deve ser o mais urgentemente abafado, senão o gozo feminino? Daí a estrita separação dos gêneros e o sequestro dos corpos femininos nas sociedades patriarcais tradicionais. Em “Televisão”, Lacan sugere que o racismo anti-feminino expressa o paradigma do ódio frente aos outros modos de gozar: se não há relação sexual, é que o Outro é de uma outra raça, é o Outro lado do sexo, “na medida em que estamos separados dele”.










Entrevista para o Boletim da Jornada EBP-MG
Simone Souto (AME/EBP-AMP) 



L’Incs: Há algo de novo na sexualidade dos seres falantes em sua articulação com o Incs?

Simone: A articulação da sexualidade com o inconsciente, a meu ver, possibilita sempre o surgimento de algo novo: a experiência psicanalítica dá testemunho disso. No que concerne à sexualidade e sua relação com o inconsciente, os seres falantes se dividem entre os que se inscrevem do lado do gozo todo fálico, os que se inscrevem do lado do gozo não-todo fálico e os que se situam fora do falo, ou seja, aqueles cuja sexualidade não tem nenhuma relação com a norma fálica. Essas três formas de se colocar com relação ao falo possibilitam infinitas maneiras de identificação sexual. Cada época parece dar mais lugar a este ou aquele posicionamento diante do falo. A multiplicidade de identificações sexuais que encontramos hoje em dia, e o surgimento, a cada dia, de novas nomeações, são, a meu ver, em sua maioria, invenções que se situam de forma não-toda com relação à norma fálica ou fora dela. Nossa época é marcada por uma maior expressão e também aceitação dessa pluralidade sexual que se encontra total ou parcialmente fora da norma.
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Jasmine: A irrupção de uma mulher de verdade
Elizabeth Medeiros, Lisley Braun Toniolo
 

O filme blue Jasmine, de Woody Allen, foi exibido no quarto encontro da mostra de Cinema e Psicanálise, uma co-realização da Fundação Clóvis Salgado e da Escola Brasileira de Psicanálise – Seção Minas Gerais. Mais uma vez o Cine Humberto Mauro esteve lotado e acolheu a proposta de conexão da psicanálise com a cidade. Ao final da sessão, Antônio Teixeira, nosso colega e membro da EBP-MG, fez comentários preciosos sobre o filme e causou um debate vivo na plateia presente

O filme nos conduz através da história de Jasmine, uma mulher rica que perde todo o seu dinheiro e vai morar em São Francisco com Ginger, sua irmã proletária, em condições muito diferentes das que vivia até então. O reencontro com sua irmã, também adotiva e a perturbadora vida que passa a levar em São Francisco a partir da perda de tudo que a sustentou como mulher, atraem nosso olhar para essa comédia que não deixa de exibir o caráter dramático dos impasses que a protagonista enfrenta na relação com o outro. Jasmine, encenada por Cate Blanchet, ainda que perpassada por uma marcada antipatia, nos captura em sua trama, fazendo de sua história mais um excelente filme do diretor.  







Quanto mais quente melhor
Juliana Saragá
Diferença sexual e gênero. Este foi o tema do X Simpósio da Liga Acadêmica de Psicanálise da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG), realizado no último dia 24 de junho. Para tratar do assunto, os acadêmicos convidaram a coordenadora da XXI Jornada da Escola Brasileira de Psicanálise - MG, Ludmilla Féres Faria, já que a temática perpassa pelo tema central da Jornada deste ano. Na ocasião, o gatilho para a discussão se deu a partir do filme “Some Like It Hot” ( EUA, 1959), em português,  “Quanto mais quente melhor”, estrelado pela eterna diva-símbolo do universo feminino, Marilyn Monroe. O enredo se desenrola no ​final dos anos 20, quando dois músicos presenciam a execução de um mafioso em Chicago e, para não serem mortos, disfarçam-se de mulher e vão tocar em uma orquestra feminina. Joe vira Josephine e Jerry, Daphne. Elas se tornam “amigas” de Sugar Kane (Marilyn Monroe) que busca conquistar um milionário. A palestrante inicia trazendo um questionamento de Clotilde Leguil, autora do livro "Ser e Gênero", já que o filme trata a questão de gênero com leveza e naturalidade, diferente das contemporâneas tensões e intolerâncias que versam as atuais discussões. Ludmilla segue ainda trazendo a leitura da psicanalítica sobre a questão, desmistificando o olhar preconceituoso, muitas vezes atrelado inadequadamente à psicanálise.
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“...a diferença sexual anatômica é insuficiente para fechar uma pergunta que se impõe comprometendo os corpos” (Pepa Freiría, ampblog2006.blogpot.com.br)
 

17/08, às 10hs:30 – “O homem não existe”. Comentário de caso do Instituto Raul Soares por Cristiane Barreto; 

23/08, às 15 h. – “Se essa rua fosse minha: fragmentos” . Comentário de caso do Programa Consultório de Rua (PMBH). Auditório da Secretaria de Saúde. Comentários por Juliana Motta e Ludmilla Féres; 

31/08, às 19h. – “O inconsciente e a diferença sexual : recortes e casos”. Faculdade Newton Paiva. 

25/09 às 9 h . – “Masturbação infantil?” Comentário de caso na PUC Coração Eucarístico por Lilany Pacheco.


5 de agosto de 2017

Lacanian Compass: August Newsletter


AUGUST NEWSLETTER

Free programs. Please contact the group administrator if you would like to participate.
 



COLUMBIA, MO

502 W Rockcreek Dr | Sat @2pm
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Contact: Ellie Ragland columbia@lacaniancompass.com

 

 

HOUSTON, TX

12220 F-M 1960 | 2030 W Gray

8/1 (W Gray @11:30am) Reading  Seminar: "Real, "Variables and Formulation". Miller, J-A. Fine Things in Psychoanalysis, 2008. Clinic Florilegio 2000 AMP, Naveau Laure. Berenger, Enric, Capiton 1, 2006. Gueguen, Pierre-Gilles, The case Practice.2008.

8/12 (F-M @12m): Reading  Seminar: "Childhood and Adolescence". Lacan, Jacques. 1958. On a question prior to any possible treatment of psychosis. Schemas L, R and  I. Écrits. Here, Salvador Dali. 1904-89.

8/16 (W Gray @6:30pm): Reading  Seminar: "More About Love". Lacan, Jacques. Book 8, Chapter XXI. "The Turelure Abjection", 1961.

8/16 (W Gray @7:30pm): Reading Seminar: "Psychoanalysis and Politics". Turin Theory,2000. Miller, J-A. The Patapouf Eternal. June 2017. ZADIG

8/21 (F-M @11am): Reading  Seminar: "Very Last Lacan". Miller, J.-A 2006. Chapter lX. Ultimísimo Lacan. Lacan, Jacques. The Sinthome. 1975.
Discussant: Carmen Navarro-Nino
Caywood @11am: Address: 1518 Caywood Ln  Apt B. Zip code 77055
Wednesday From 11 am to 1 pm

08/02: "The Mirror Stage as Formative of the Function of the I as Revealed in Psychoanalytic Experience", Ecrits 1 (1949)

08/09: "The topic of imaginary" , Chapters VII-VIII-IX, Book I (1954)

08/16: "The topic of imaginary" Chapters X-XI-XII, Book I (1954)

08/23: "Remarks on Daniel Lagache's Presentation: "Psychoanalysis and Personality Structure", Ecrits 2 (1960)

08/30: Recap
Discussant: Mercedes Acuna

Contact: Carmen Navarro-Nino houston@lacaniancompass.com


MIAMI, FL

782 NW 42 Ave Le Jeune Rd | Suite 339 | Wed @7:30pm
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NEW YORK, NY

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Clinical Study Days 11 // New York , 9-11 2017
"Delights of the Ego"

 
Early Registration
Available until Until November 15, 2017.

Call for Papers
The Scientific Committee of CSD11 invites you to propose a case presentation for our Study Days, to be constructed in such a way as to address the theme of the meeting.  Papers should be both at most 15 minutes long when read aloud and at most 11,000 characters with spaces in length. Papers should be submitted by October 15, 2017.  We appreciate your interest and look forward to reading your papers and seeing you in New York. Please send your texts and any questions to the CSD 11 Scientific Committee at: ket316@gmail.com, Subject: 'CSD 11'
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3 de agosto de 2017

Somos sólo mujeres o un ejemplo que ofrece el cine, por Sebastián Digirónimo


Mercedes Ávila publicó:"Sebastián Digirónimo   La forma en la que muchas veces se acercan los psicoanalistas a las otras artes implica un error que borra los límites ente éstas y, por lo tanto, las desdibuja, impidiendo con ello toda posibilidad de decir algo interesante."



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La forma en la que muchas veces se acercan los psicoanalistas a las otras artes implica un error que borra los límites ente éstas y, por lo tanto, las desdibuja, impidiendo con ello toda posibilidad de decir algo interesante. En la actualidad ocurre, sobre todo, con esa forma de arte relativamente nueva, que se nutre, ciertamente, de otras formas de arte anteriores a ella. Tanto se nutre de otras formas de arte anteriores que alguien ha señalado que ella incluye a esas otras formas de arte en una especie de síntesis superadora. Esa lectura es un error. No hay ninguna síntesis superadora, y eso se puede observar en las confusiones que se generan a la hora de reflexionar sobre las enseñanzas que nos dejan ésta o aquélla película. Hablamos, por supuesto, del que se ha dado en llamar séptimo arte.
El cine genera un problema fundamental que radica en la sobrevaloración actual de la imagen. Y en esa sobrevaloración incurre la mayoría de los que reflexionan sobre las películas, sobre todo cuando lo hacen desde el psicoanálisis. El mismo que habló de síntesis superadora dijo que, a la literatura, el cine le agrega la imagen. La pregunta que surge rápidamente es cómo será que lee, cómo será el acceso que él tiene a la literatura. ¿Será que si leyera La isla del tesoro de Stevenson él accederá sólo a la sucesión de palabras que sus ojos ven impresas en la hoja? La sobrevaloración de la imagen efectiva, la que entra por los ojos, marcha pareja con la desvalorización de la palabra. Ambas son directamente proporcionales. Para un psicoanalista, después de Lacan, esa desvalorización de la palabra es, por lo menos, problemática. Desde allí, las puertas se abren a toda posibilidad de despeñaderos.

Hace poco dos personas, psicoanalistas ellas, posteriores a Lacan, que se declaran lacanianas a rajatabla, militantemente, sostuvieron que Lacan, a través de las obras de los artistas, se metía con las vidas de éstos. Que Lacan, en una palabra, psicoanalizaba las obras de los artistas y, con ello, psicoanalizaba a los artistas mismos. Es claro que se trata de una lectura tendenciosa que busca justificar, a través del nombre de Lacan, la propia forma de acercarse a las obras de arte. Esto ya constituiría, por sí mismo, una falacia. Sin embargo, el error es doble.

Estas mismas personas consideran que las palabras de Miller son ley. Quizá lo hacen con razón, ya que Miller es el lector de Lacan por excelencia. Podríamos usar incluso la categoría del lector ideal. (De modo análogo, Barenboim es el lector de Beethoven, quien mejor extrae la lógica de su música, es decir, la poesía). Y de hecho es sólo a través de la lectura de Miller que algunos consiguen leer a Lacan. Y Miller debería desautorizar la otra parte del error que cometían, como claramente se lee en la página 137 de Piezas sueltas: «Lacan no estaba persuadido de que pudiera efectuarse la operación psicoanalítica a partir de obras. Nunca hizo, en la menor medida, psicoanálisis aplicado, y menos a la literatura». Es que, mejor que sostener que Miller es el lector ideal de Lacan, es tratar de explicar por qué ello es así. Y es así, fundamentalmente porque Miller extrae la lógica de la enseñanza de Lacan, y ello implica saber subrayar lo que permite relanzar al psicoanálisis una y otra vez, es decir, reinventarlo todo el tiempo (como todo el tiempo hay que reinventarlo ante quien consulta).

Pero, para peor, hay otro error análogo. También hace poco, quizá incluso el mismo día, leí que alguien se esmeraba en escribir algo que ya le había oído decir a otros: que tal o cual director de cine o escritor "debe haber leído a Lacan". Una zoncera semejante sería considerar que Sófocles leyó a Freud. Y no es error y zoncera por la mera imposibilidad temporal que ello entraña. Es mucho más complejo que eso. Agreguemos, además, que cada vez que alguien leyó a Lacan o a Freud o a quien fuera, y trata de crear una obra de arte a partir de esa lectura, los resultados suelen ser de una aplastante mediocridad (como siempre que la obra de arte responde a las intenciones del autor -cuando no responde, en cambio, surgen obras de arte pese a esas intenciones: paradigmas de esto son El Quijote y el Martín Fierro). 

Extrañamente, la creencia en el cálculo total está diseminada también entre quienes deberían saber que cuanto más se calcula el tiro, más se alejará del blanco. Otro día, alguien presentó un caso clínico en el cual había ciertos cambios innegables en el analizante y ellos mostraban, a las claras, cómo a través de lo simbólico se puede tocar el cuerpo. Entonces, ante las intervenciones del psicoanalista, otro, que en ese momento formaba parte del público, sin que nos interesaran los motivos de ello, le señaló que había un punto que parecía pretencioso y preguntó: "¿estuvo calculada esa intervención?". Sin comparar al psicoanalista con Cervantes, sí podemos decir que la pregunta es tan estúpida como preguntarle a Cervantes si calculó el impacto que El Quijote iba a tener en la literatura. Hay algo que no se puede calcular, pero también hay un momento clave en el cual es necesaria una intervención. Y no hablamos solamente del psicoanálisis, aunque en él esto es más que claro. Seguramente Cervantes sintió, de alguna manera, que debía escribir el Quijote , incluso sin saber de antemano qué sería el Quijote una vez terminado. Sintió que debía escribir.

A estos dos errores análogos se suma uno más, relacionado, sobre todo, con la lectura que suelen hacer los psicoanalistas del cine. No ocurre de la misma manera con la literatura. Cuando es hacia los libros que tienden, suelen caer en el error mencionado antes y leer al autor en la obra (en el peor de los casos leen la vida del autor en la obra, la vida S1 en la obra S2). Con el cine ocurre algo distinto, como si la dimensión de la imagen les hiciera olvidar que las obras cinematográficas también fueron escritas por alguien. El error, sin embargo, está en otro lugar, y se trata de reducir toda una película a una lectura que puede hacerse, por ejemplo, en una escena singular de ella. Así, el resto de la película entra allí a la fuerza, traída de los pelos o metida en el cajón de la lectura a las patadas. Maltrecha, de todas formas, la película se deja hacer y pocos o ningún quejido profiere.

En este caso, la lectura de la película de von Trier que me interesa se reduce a la escena final. Desde allí, de todas formas, se podría llevar a la película toda sin hacerle demasiado daño y sin forzarla del todo.

Partamos de algo que señaló alguien alguna vez. El hombre, poeta, dijo que las películas apocalípticas, particularmente las producidas en Hollywood, adolecen siempre del mismo defecto: retroceden justo cuando están por llegar al punto cumbre de lo apocalíptico. Esbozan ese punto, a veces más, a veces menos, pero, en última instancia, todas retroceden. En los últimos años existieron varios ejemplos de ello: el más burdo es Señales, protagonizada por Nicolas Cage. Otro ejemplo es El día que la tierra se detuvo, que es además, ejemplo de los tiempos que corren, pues se busca cada vez más ganancia sin riesgo (y Hollywood no quiere arriesgar en la taquilla), ejemplo de los tiempos que corren, entonces, porque es remake.

Seeking a friend for the end of the world -póster-Hay una extraña excepción: Seeking a friend for the end of the world, del año 2012. Es, en un aspecto, la Melancholia norteamericana, pero con cierta particularidad fallida que la hace soportable en la tierra del norte. El mismo desenlace, quizá los mismos anudamientos trágicos y los mismos embrollos edípicos, pero salpicados, por todos lados, por toques de comedia.

 La pregunta mejor es la más sencilla: ¿qué papel desempeñan esos toques de comedia en la película? La primera respuesta que nos asalta es que atemperan el carácter insoportable de lo irreparable de la tragedia. Toque de comedia fallidos, por otra parte, pues no bastan para borrar el efecto trágico de lo caprichoso del destino sin resurrección que ocurre al final. En el diálogo de los protagonistas esto queda plasmado con todas las letras: se pregunta uno de ellos por qué no se conocieron antes, y la respuesta que encuentran es que no podía haber sido de otra manera. Lo caprichoso del destino humano hacía que estuvieran destinados a no durar. Un no durar apocalíptico, sin resurrección, un destinados-a-no-durar con todas las letras. A uno de los personajes lo reconforta morir feliz, pero al espectador eso no le basta. Al final, la relación de la película de von Trier titulada Melancholia con esta otra Melancholia norteamericana titulada Seeking a friend for the end of the world es análoga a la relación que existe entre el psicoanálisis verdadero, el descubrimiento de Freud, y el psicoanálisis norteamericanizado, la ego psychology.

En síntesis, cuando a película debe enfrentarse con la inexistencia del Otro, retrocede, lo saca de la galera y evita la angustia que tanto aborrece la mirada hollywoodense. La angustia y la taquilla no van de la mano, ciertamente.

Melancholia. Entremos sin anestesia. Hay una escena, cerca del final de la película, en la que se ven unos bichos que, quizá presintiendo la aniquilación, brotan de la tierra casi a borbotones. Allí se muestra lo real crudo una vez que se deshicieron los semblantes. Es la conclusión de lo que le ocurre a la protagonista (con sus pasajes al acto). En este punto comienza una recomposición del semblante que, afortunadamente para la película, no desemboca en el pase mágico de sacar al Otro de la galera.
Melancholia Hermanas y niñoEsa recomposición del semblante antes del final ocurre entre los personajes de la tía y el sobrino. Ellos reconstituyen la pantalla sosteniendo el semblante de la cueva mágica (sabiendo que no hay ninguna cueva mágica pero que sí hay porque, justamente, funciona como pantalla). Y funciona para ellos dos. La hermana de la protagonista, la madre del niño, queda fuera, y ello se ve en la última escena, justo antes de la aniquiladora colisión de planetas, cuando ella suelta las manos de los otros dos y se rinde a la desesperación.

Hay una dualidad entre la decisión femenina y el retroceso histérico que cede al "no quiero saber nada de ello". En Melancholia esa dualidad está figurada con claridad en la relación entre las dos hermanas, una que no quiere saber nada y la otra que sabe demasiado. Esa dualidad, siempre representada con figuras femeninas, es la relación paradójica que tenemos los seres hablantes con el saber. Sabemos más de lo que querríamos saber pero, al mismo tiempo, sabemos demasiado poco como para hacer algo con ese exceso de saber.

En Oblivion está la misma dualidad. La mujer clonada por el Tet no quiere saber nada. Podemos entrever, aunque nunca se dijera en la película, que ella intuye que hay algo más, pero ciertamente elige retrocedes y no quiere saber nada de eso. La otra mujer, en cambio, se atreve a algo más, aunque el personaje es, en la película, un poco insulso y su posición decidida no está en el centro de la escena cuando insiste en saber qué fue lo que ocurrió con la misión original.
Oblivion mujeres
Esa dualidad, mencionada por Freud de pasada en La interpretación de los sueños al referirse a Adam Bede de George Eliot («una muchacha hermosa, pero fatua y enteramente estúpida, y junto a ella una muchacha horrible, pero noble»), está presente en la literatura desde siempre, y quizá la primera vez que ella aparece, como con casi todas las cosas que importan (véase Antígonas de George Steiner), es en la relación entre Antígona e Ismena. 

Sin embargo, lo que Freud señala teniendo en cuenta el Adam Bede es sólo la superficie de las cosas, es sólo su aspecto más grueso. Es claro que, en esa superficie, se suele equiparar belleza con estupidez y fealdad con nobleza, pero detrás de esa equiparación hay algo mucho más sutil. Y eso más sutil tiene que ver con atreverse a saber o no querer saber nada de ello. Ismena retrocede. Antígona avanza. No importan la belleza o la fealdad -aunque Lacan señalara la importancia de la belleza- importa retroceder o no. Por lo menos ahora, en esta página. "Somo sólo mujeres", le dice Ismena a Antígona cuando ya no soporta la posibilidad de no retroceder. Antígona podría responderle con las mismas palabras: "somos sólo mujeres", y luego avanzar hacia donde debe avanzar.

Volvamos por un segundo a la película de von Trier titulada Melancholia. Tiene otra particularidad, porque no sólo se observa en ella la dualidad que mencionamos antes en cuanto al saber sino que ella misma, como película, no retrocede nunca, y el resultado es que esta película se transforma así, quizá (y aventurando un juicio lapidario), en la película más angustiante de la historia del cine. Es una verdadera obra de arte y, quien oyera los comentarios del director de la película y de los actores, sabría que se trata de un caso análogo al Quijote y al Martín Fierro a la literatura. Afortunadamente, la obra sabe ir más allá de las intenciones de sus autores y de las lecturas de sus ejecutores. Eso res, en última instancia, lo que hace arte al arte: el ir más allá de las intenciones de sus autores o ejecutores. Un ir más allá que es furioso. Y el iracundo se queda más acá. Ismena dice "somos sólo mujeres" y se queda más acá. Antígona debería decir lo mismo y avanzar furiosamente.

Sebastián Digirónimo: Elogio de la furia, Letra Viva, Buenos Aires, 2017, página 53.





1 de agosto de 2017

El psicoanálisis y lo que empuja a las mujeres, por Pepa Freiría


 Ilustración de Miriam Lanzaco


Para el psicoanálisis, la sexualidad femenina ha sido la cábala mayor que lo ha hecho progresar. Se podría decir que el descubrimiento del inconsciente y el psicoanálisis mismo tiene que ver con la pregunta: ¿Qué es una mujer? Pregunta que nunca dejó de sacudir a Sigmund Freud. 

Y esto es así porque la diferencia sexual anatómica es insuficiente como cierre de una pregunta que se impone comprometiendo los cuerpos.

Ataduras y estereotipos asumidos de la mujer 
Aquello que sacude a las mujeres. Lo que las agita y las empuja a atravesar los muros y las pantallas de cuentos de hadas y de brujas. Aquello que las incita a quitarse los velos que se les imponen para ocultarlas. Aquello que hay en ellas que produce inquietud, angustia, incluso horror. Lo que las hace disconformes y raras a los ojos de los que aún las quieren solo madres y esposas. Lo que sacude a las mujeres, dice Jacques Lacan, es también lo que las socorre.

Aquello que empujó a Marguerite Duras, con 15 años, a los brazos de “su amante amarillo”, fue también lo que la empujó a la escritura. Eso se puede percibir al leer sus novelas hechas de sí misma. Estas nos permiten transitar por fuera de los caminos trillados y respirar atmósferas que tocan la experiencia más íntima.

La condición femenina se impone sobre los cuerpos a porfía del sentido, siempre ha sido así. Hoy más que nunca podemos verificar, en las sociedades más igualitarias, que las formas de rechazo a la feminidad toman otras formas, pero no se desactivan. Y que las mujeres continúan respondiendo como si dudaran de esos derechos. Como si no pudieran dejar de cobrar su mayor sentido a través de la relación con los hombres. De un modo desigual, “como ecos de voces masculinas, sombras de otros cuerpos”, en palabras de Eduardo Galeano.

La igualdad de las mujeres 
La igualdad de derechos, fruto de una lucha incansable por parte de las mujeres y de algunos hombres, nos facilita la vida porque amplia enormemente el marco de las posibilidades de elección. Pero no parece intervenir en el plano del goce de los cuerpos. Aquí, las diferencias que se juegan pueden llegar a socavar esos mismos derechos logrados, encerrando a las mujeres en prisiones ahora más claramente imaginarias, incontables veces en nombre del amor. 

Muchas mujeres consultan a un psicoanalista al darse cuenta de que las palabras no alcanzan para explicarse a una misma por qué. Por qué no puede dejar de repetir funcionamientos que no le gustan y que le hacen sufrir. Sobre todo cuando no parece haber nada en su exterior que se lo esté imponiendo, cuando ya no hay una realidad social tan rígida que lo justifique.

Por qué no puede dejar de sentirse culpable ella frente a un maltrato de su pareja. Por qué no puede dejar de pedirle a él las respuestas a sus preguntas. Por qué no puede parar de dejar caer sus propios deseos para sostener los de los otros (pareja, hijos). Por qué rechaza a su hija adolescente si antes le parecía una niña encantadora. Por qué no puede soltarse de sus trabajos forzados de orden y limpieza, y hacerse una vida más vivible, si tiene los recursos y la libertad para hacerlo. O por qué todo en su vida parece funcionar de maravilla y, sin embargo, el malestar subjetivo es insoportable.

“Con todo el perdón de la palabra, soy un misterio para mí”, escribió Clarice Lispector. Ella buscó probablemente la sublimación por la escritura, a través del testimonio de su experiencia más propia.

Un misterio es una opacidad, algo que llama al desvelamiento, que eventualmente puede tomar forma de un enigma a descifrar. Son esas opacidades, que se enmarcan con las preguntas mejor formuladas, los productos de más valor para una mujer. Porque es a través de ellas que cada mujer puede explorar sus posibilidades de invención.

Pero esas posibilidades de invención vienen determinadas. Están anudadas a lo que ya está inscrito como modalidad de goce del cuerpo en cada cual. Es de lo que da cuenta la repetición que viene a pesar de la voluntad o el fracaso de los intentos de sublimación.

El psicoanálisis lacaniano 
Para el psicoanálisis lacaniano, el objetivo es depurar al máximo esos modos de respuesta instaurados. Y luego desactivarlos como únicas respuestas posibles, abriendo la posibilidad a respuestas inéditas.

Digamos que lo que empuja a las mujeres, a través de la experiencia analítica, puede encauzarse para que empuje hacia un más allá de lo que a cada una le condiciona su modo de ser mujer.

FROM: dDMAGAZINE wwwddermis