17 de outubro de 2018



Movimento Zadig/Brasil - Doces Bárbaros
Dois textos da Conversação de 10 de outubro de 2018





Não existe democracia sem política!
Lucíola Freitas de Macêdo (Presidente da EBP)


Posicionar-se
Algumas palavras sobre o posicionamento da EBP através das suas instâncias, em face ao delicado momento que estamos vivendo: estamos hoje aqui presentes, presidente e diretor geral da EBP, unidos à Movida Zadig nesta ação que tem o formato de uma conversação. A escolha deste dispositivo não é casual. A conversação analítica é, em si, um ato político, no sentido mais estritamente lacaniano do termo. Neste dispositivo cada um é convidado tomar a palavra não a partir de identificações coletivas, mas desde a sua posição de sujeito, o que implica impreterivelmente um desejo que não seja anônimo, e lugar vazio da causa analítica. Este motor não é o Um unificador do grupo, mas o desejo do analista, que se urde da disjunção entre o ideal (I) e o objeto a. Isto somente se perfila se o que se enuncia se faz a partir de uma divisão subjetiva, incluindo-se aí, o resto não absorvido pelas identificações e pelos ideias.  
Nessa perspectiva, a democracia não se restringe a mais um significante mestre na série infinitamente metonímica vociferada pelos meios digitais. A democracia cumpre, em uma conversação analítica, ela própria o lugar de causa, situando a cada um dos que dela participam, em seu lugar de sujeito dividido[1]. Por isto entendo que posicionar-se em  política, e no âmbito da experiência de Escola, não quer dizer defender uma posição partidária. Isto é o que devemos fazer como cidadãos. Posicionar-se é nadar na contracorrente da tormenta segregacionista que inunda os espaços públicos e privados, varrendo os meios tons, neste momento de nossa civilização. É resistir incansavelmente à solução fácil das polarizações e das rupturas. Posicionar-se é, ainda, lançar-se decididamente na realização de uma continuada mobilização e diálogo com o campo político. Para tanto, Jacques-Alain Miller, instituiu, no dia 14 de maio de 2017, a movida Zadig - Rede Política Lacaniana Mundial, como uma extensão da Escola ao nível da opinião pública[2].

Democracia sem política?

Estamos há poucas semanas do segundo turno das eleições no Brasil. O candidato de extrema-direita, munido de um discurso de cunho explicitamente fascistóide, obteve já no primeiro turno nada menos que aproximadamente cinquenta milhões de votos do eleitorado brasileiro. Esta imensa parcela da população avaliza para a presidência do país alguém que pretende se eleger incitando abertamente o uso da força bruta e da violência, disseminando o ódio, fazendo apologias à tortura, à homofobia, ao racismo ao machismo e à segregação, tudo isto em nome do bem da nação, da moral e dos bons costumes. As forças que poderiam desconstruir, mostrando o absurdo e a insanidade deste tipo de discurso, não se fazem escutar. Vale ressaltar que, ao eleger-se por meios democráticos como presidente do Brasil, a quem encarna tais bordões, legitima-se, ao mesmo tempo e como consequência, certo tipo de discurso.

Diante deste estado de coisas, uma pergunta torna-se inevitável: o que está acontecendo com as democracias, hoje? Que tipo de desastrosas mutações estão em curso? Como chegamos, no Brasil, a este ponto? É notório que os pilares da democracia, tal como praticada no século vinte, encontram-se fortemente abalados. Observa-se pelos quatro cantos do planeta a ascensão de representantes de uma extrema direita reacionária se elegerem democraticamente. Há certamente movimentos de cunho neofascista, que se nutrem das fixações residuais e não ultrapassadas dos grandes conflitos mundiais do século XX. Mas diferentemente dos movimentos fascistas do século passado, há nas manifestações obscurantistas deste início de século, mais diferenças que pontos em comum, dificultando a sua leitura e interpretação, o que levou o cientista político Enzo Traverso a nomear este conjunto de movimentos de “pós-fascistas”[3]: seu conteúdo ideológico é flutuante, instável e frequentemente contraditório, podendo abarcar ideias e crenças francamente antinômicos. Em lugar das diferenças e tensionamentos ideológicos, ganham terreno polarizações de todos os tipos, reduzidas a nós conta eles, a partir da identidade personificada por um líder autoritário.

Temos problematizado as questões em jogo na fragilidade da democracia, advindas de transformações ocorridas no interior dos próprios regimes democráticos. Nota-se uma destituição da política enquanto instância de mediação, o que não é sem relação com as mutações do simbólico como eixo sobre o qual as democracias se sustentaram durante o século XX.
No caso do Brasil, o incremento dos apelos reacionários, ao modo de uma onda ultraconservadora, se alastra no vácuo de uma crise da política representativa e de uma perda de confiança nas instituições. Nesta onda, uma horda de cidadãos não propriamente fascistas, mas decepcionados com os rumos da política, se amalgamam e dão corpo ao núcleo duro do pós-fascismo, que se alastra sem freios. Este veio autoritário e dogmático que desponta na subjetividade da época requer leitura e interpretação.

Políticas da palavra, política do sintoma

A psicanálise é uma prática da palavra, e enquanto tal, perturba fixações em oposições estanques, indicando outro modo de fazer com os opostos que se repelem, apontando ali onde uma polarização se fixa, a torção própria à extimidade. Somente partindo-se daí, é possível forjar-se uma política da palavra que esteja à altura da nossa prática, e de nossa época.

Algumas questões ressurgem, nestes últimos tempos, e à medida que a nebulosa obscurantista vem avançando e se disseminando em nosso país: em tempos pouco afeitos à leitura do inconsciente, com quais recursos a psicanálise far-se-á presente no campo político? Quais usos faremos das nossas ferramentas de sempre: a palavra e a experiência analítica?      
   


O psicanalista e a política
Luiz Fernando Carrijo da Cunha (Diretor da EBP)

Começo por um   pressuposto: O discurso fascista está instaurado – Claro que o andamento do processo eleitoral ainda não terminou. Mas independente de seu resultado, uma perda já se processou, e tomar tal perda como intrínseca à estrutura do discurso que o mal-estar anuncia, é mister ao psicanalista. Éric Laurent, em sua entrevista feita por Fernanda Otoni para divulgação do XXIIº EBCF, assinala, à guisa de uma interpretação desse fenômeno discursivo que avança em todo mundo, que se trata de “uma vontade de conservadorismo” em decorrência mesma da queda do falocentrismo que temos vivenciado nas últimas décadas. Portanto, o que vivemos hoje como realidade no campo da política no Brasil, é uma resposta a isso , mas através de um “fora da norma”, como assinala Laurent e isso, certamente nos chama a atenção na medida em que há aí, nesse “fora da norma”, uma alusão a um empuxo para fora da ordem simbólica, colocando a descoberto todo semblante que funcionaria como um agente “apaziguador” do mal-estar.
Logo, duas vertentes se abrem, nos levando a retomar Freud em sua “Psicologia das massas”, para extrair dali sua atualidade. Chama a atenção, entretanto, a horizontalização sem limite: Por um lado, a fascinação cega advinda da submissão a um ideal higienista e portanto, disseminador do ódio; e por outro a “indignação”, ancorada tanto na denúncia da impostura, quanto no medo. A questão é que um polo alimenta o outro, numa espécie de batalha sem fim onde fatos novos não interferem na dinâmica, não produzem brechas, mas cada fato novo é reabsorvido na consumição da dita polarização.
Ora, o campo de batalha se constitui, essencialmente, na praça virtual – Não há diálogo, apenas afirmações replicadas ao infinito. As redes sociais protagonizam uma “campanha” cuja capilaridade se torna perniciosa pois não há índice do verdadeiro que se sustente; as “fake News” ganharam o proscênio denunciando o pouco de sentido que sustenta cada argumentação. Quanto mais o horror é replicado e banalizado por um lado, mais a indignação toma conta do lado oposto. – Mas, sim, ainda temos o direito de nos indignar, do contrário estaríamos na mesma ciranda da “banalização do mal”...Entretanto, as respostas a essa indignação não traz o elemento “surpresa” diante do qual teríamos a chance de fazê-lo repercutir de forma diferente alcançando algo verdadeiro na subjetividade de cada um.
Quando estamos identificados a uma ideologia,  a um partido, estamos no registro de fazer existir ou dar consistência ao mestre... e quando se trata de dar consistência ao mestre contemporâneo, não fazemos outra coisa senão endossar a proliferação do ódio e do horror. Eis a questão que nos concerne diretamente no que diz respeito ao “posicionamento” da Escola – Não podemos nos posicionar sem levar em conta estes fatores; ou seja, nosso posicionamento não pode se dar sem o devido distanciamento das identificações – A Escola representa um coletivo, mas, como bem disse J-A. Miller na “Teoria de Turim”, é um coletivo que remete à solidão subjetiva, onde no Um por Um cada qual tem a chance de se colocar em relação ao ponto comum que nos causa enquanto psicanalistas e com isso, também a chance de se distanciar de suas identificações ideais – A psicanálise não é um higienismo ao contrário. Logo, só podemos nos posicionar, nesta ou em qualquer outra situação, tomando o mal-estar a partir do sintoma – É nisso que a psicanálise pode contribuir no campo da política e, toma-la na vertente do sintoma, faz-se necessário consentir que a perda já se instaurou
Em outros termos, se a indignação é um afeto coletivizável, e nisso nos parece muito “natural” que cada membro ou participante de nossa comunidade de trabalho esteja indignado com os fatos, é preciso lembrar ainda que tal afeto processa suas respostas, também de modo “natural”, a partir das identificações. Ou seja, produzir respostas e ações que possam ser efetivas em relação ao mal-estar, requer do psicanalista ou da Escola que o representa, dar uma volta a mais no ponto da “indignação” e do “medo” que se segue como corolário. Entendo que estamos entrando num momento de reflexão onde o que nos interessa é encontrar, na própria psicanálise, instrumentos eficazes para fazer objeção ao discurso fascista.
Se o papel da Escola não for este, as instâncias responsáveis por sua condução ficarão relegadas ao trabalho burocrático – por exemplo entrando na ciranda infinita proposta pelas redes sociais com seu poder de pulverização e, como consequência última, condenar a psicanálise ao seu desaparecimento.
A “Rede Zadig”, enquanto extensão da Escola, criada por J-A. Miller, é o lugar onde esta reflexão pode se dar. O lugar onde a psicanálise pode e deve ir à política. Sua capilaridade no Outro social dependerá de nossas ações cuja efetividade pode fazer repercutir o sintoma da civilização. E, sem dúvida, há uma Escola antes e uma depois de Zadig. Talvez o significante que melhor aponte para esta fronteira, seja o “Campo Freudiano ano Zero”, onde, efetivamente, através de J-A. Miller, a psicanálise reivindica seu lugar na política.





[1] Bassols, M. Campo Freudiano, Año Cero, en la ELP. In: Lacan Quotidien, n.758.
[2] Miller, J.-A. Campo Freudiano, Ano Zero. In: Lacan Quotidien, n.718.


[3] Traverso, E. les nouveaux visages du fascisme. Patis: Textuel, 2107, p.13.

16 de outubro de 2018

PROGRAMA X JORNADAS DE LA NEL
Viernes 19 de octubre 2018

 
Gran Salón I y II

9:00 - 10:00  
Apertura X Jornadas de la NEL
¿Qué madres hoy? Vicisitudes en la experiencia analítica


ANGELINA HARARI (Presidente de la Asociación Mundial de Psicoanálisis)
MARCELA ALMANZA (Presidente X Jornadas de la NEL)
ANA VIGANÓ (Directora Comisión Organizadora X Jornadas de la NEL)

Tonantzin to Coatlicue (Nuestra Madre la de la Falda de Serpientes)
Performance Ritual Azteca a la Madre Tierra

10:00 - 11:15 
MARIE-HÉLÈNE BROUSSE
“Vaciar la madre”
Primera Conferencia


Coordinación: ANA VIGANÓ



11:15 - 11:45
Pausa Coffee Break


11:45 - 12:45
Plenaria 1 
Las madres y su voz
  • FLORY KRUGER (Federación Americana de Psicoanálisis de la Orientación Lacaniana - FAPOL) “Gritos y Susurros”
  • ALIANA SANTANA (Red de Psicoanálisis Aplicado) “¡Alojar sus voces!”  
  • ELIDA GANOZA (Observatorio de Autismo) “Autismo: un real para una madre”
Coordinación: MARÍA ELENA LORA

12:45 - 13:15 
Presentación Revista Bitácora Lacaniana N° 7 “La experiencia de Escuela”  ADOLFO RUIZ
Presentación de Factor @  Publicación virtual de la NEL  GABRIELA URRIOLAGOITIA

13:15 - 14:15 
Plenaria 2 
El cartel en la NEL, hoy
  • CLAUDIA VELÁSQUEZ (Secretariado de Carteles de la NEL)  “Lo Uno y lo múltiple en el cartel”
  • FERNANDO GÓMEZ SMITH  “El cartel: Una política de Escuela”
  • CAROLINA PUCHET  “El cartel, un grupo advertido”
  • PAOLA CORNU  “La experiencia de la práctica del cartel”

14:15 - 15:45 
Intervalo – Comida

15:45 - 16:45 
Plenaria 3
La institución de la maternidad
  • ALEJANDRO REINOSO “Sobre el deseo materno en una institución-toda-madre”. Centro de Atención de Víctimas de Abusos Sexuales (CAVAS)
  • JOSÉ FERNANDO VELÁSQUEZ  “Las madres y las funciones en las instituciones del campo social”
  • ALEJANDRA HORNOS “En la institución de la transferencia: una experiencia de trabajo con “Madres SOS”
  • JIMENA GARCÍA CABELLO “Maternidad en prisión”. Asociación Civil Reinserta
Coordinación: ADOLFO RUIZ

16:45 - 17:15
Presentación del IX ENAPOL – São Paulo 2019 
Odio, cólera, indignación. Desafíos para el psicoanálisis 
FLORY KRUGER (Presidente de FAPOL) - GUSTAVO ZAPATA (Comisión Científica por la NEL hacia el ENAPOL)


17:15 - 17:45
Pausa Coffee Break


17:45 - 19:00 
MARIE-HÉLÈNE BROUSSE
“Madres públicas, mujeres secretas”

Segunda Conferencia


Coordinación: ANA VIGANÓ


Gran Salón I y II
20:00 
Cóctel de bienvenida para todos los asistentes  
 
Sábado 20 de octubre de 2018



Jornada Clínica - Mesas simultáneas

9:00 - 10:20
Casos de ayer ¿Madres de siempre? 
De Freud a Lacan: madres en el diván…

Gran Salón I 
Madres inquietantes 
JAIME CASTRO  “La irritación de Olga”
JULIETA RAVARD  “Posición de la madre de Juanito”
LAURA ARCINIEGAS  “El caso Sandy o la pequeña Inglesita”
Discutidora: LORENA GREÑAS

Gran salón II
Desmentir la castración materna
JIMENA CONTRERAS  “La madre de la Joven Homosexual, una mujer”
ADOLFO RUIZ  “Amor, deber ¿y deseo? Gide y la mortífera envoltura del amor”
MARÍA VICTORIA CLAVIJO  “Leonardo, entre la mujer y la madre”
Discutidora: MÓNICA PELLIZA

Salón Velasco-Villalpando
Delirios maternos
CARLOS GARCÍA GAVIOLA  “Posición de la madre y goce femenino en Aimée”
VIVIANA BERGER  “Marrana. Enseñanzas analíticas de un mundo esencialmente femenino”
CAROLINA HERNÁNDEZ  “Marrana”
Discutidora: CLAUDIA VELÁSQUEZ

Salón Vitral I
Entre la mujer y la madre
ALBA ALFARO  “Función deseo de la madre en la histeria. El caso Dora”
SUSANA DICKER  “Dora y su madre”
MARÍA HORTENSIA CÁRDENAS  “Hamlet y el deseo de la madre”
MERCEDES IGLESIAS  “Medea”
Discutidora: GLADYS MARTÍNEZ

10:30 - 11:30
Gran Salón I
Las vueltas del estrago
MARCELA ALMANZA  “Sacrificada”
CAROLINA VIGNOLI  “De abandonada a luchadora”
Coordina: RAQUEL CORS ULLOA

Gran Salón II
Soluciones por el arte
GLADYS MARTÍNEZ  “División madre-mujer en un caso de psicosis”
PAOLA GONZÁLEZ CASTRO  “Mi madre quería una princesa, pero me tuvo a mí”
MARCELA GONZÁLEZ  “Una escafandra para bucear por el mundo”
Coordina: GUSTAVO ZAPATA

Salón Velasco - Villalpando
Intrusión materna
PAOLA CORNU  “Darlo todo”
ANA VIGANÓ  “Cerrando puertas”
Coordina: MARÍA HORTENSIA CÁRDENAS

Salón Vitral I
Repercusiones del estrago materno
LAURA ARCINIEGAS  “Un amor aplastante”
LUISA ARAGÓN  “Encerrada”
Coordina: PIEDAD ORTEGA DE SPURRIER

11:40 - 12:40
Gran Salón I
La madre y el cuerpo en la psicosis
MARÍA HORTENSIA CÁRDENAS  “Soy un ente para ella”
CARLOS GARCÍA GAVIOLA  “Soy Trico: una salida al estrago materno”
Coordina: LUISA ARAGÓN

Gran Salón II
Embrollos entre madres e hijas
MERCEDES IGLESIAS  “Ser hija para existir”
MAITE RUSSI  “Un Estrago Materno, un llamado al Padre”
FABIANA CHIRINO  “Hacerse una piel”
Coordina: MARCELA ALMANZA

Salón Velasco-Villalpando 
De la madre al partenaire síntoma
RENATO ANDRADE  “Una joven actriz
RUTH GOREMBERG  “Al borde”
MARÍA ELENA LORA  “Una relación madre-hija hoy”
Coordina: ALBA ALFARO

Salón Vitral I
Nuevas parentalidades
FERNANDO GÓMEZ SMITH  “Entre dos madres”
ANGÉLICA MARCHESINI  “La madre en una familia monoparental”
Coordina: ANA VIGANÓ

12:45 - 13:45
Gran Salón I
Lo materno bajo transferencia
ALEJANDRO REINOSO  “Un adolescente niño. Incidencias del Otro materno”
ELIDA GANOZA  “Mi madre y yo: dos cuerpos que gozaban en consonancia”
Coordina: JOSÉ FERNANDO VELÁSQUEZ

Gran Salón II
Rechazo y consentimiento
SILVANA DI RIENZO  “Entre la tragedia y la poesía”
MARITA HAMANN  “Entre repetición y rectificación”
Coordina: LILIANA BOSIA

Salón Velasco-Villalpando
Maternidad y transferencia en la psicosis
VIVIANA BERGER  “Mother and Daughter ‒ una reedición en otra lengua”
ANDRÉS BRALIC  “Soportar la anorexia”
Coordina: JAIME CASTRO

Salón Vitral I
El cuerpo en la maternidad
BEATRIZ GARCÍA MORENO  “El embarazo, el cuerpo y el hijo de María”
AURORA VALLADARES  “Vaya madre… ¿y usted?”
Coordina: CAROLINA PUCHET

13:45 - 15:30
Intervalo – Comida

15:30 - 16:30
Gran Salón I
Separación… ¿Posible?
JESSICA JARA  “El hijo soldado, y la madre dichosa… ¿cuándo?”
MARIELA RODRÍGUEZ  “El secreto: una solución ante lo femenino”
ANITA SANHUEZA  “Una madre (que) araña”
Coordina: VIVIANA BERGER

Gran Salón II
El analista frente a la locura materna
JOSÉ FERNANDO VELÁSQUEZ  “Lidiar con la locura materna y sus efectos”
FRANCISCO PISANI  “(No) Tan loca”
Coordina: MARÍA VICTORIA CLAVIJO

Salón Velasco-Villalpando
Una madre suficientemente buena
CLAUDIO MORGADO  “Ser una buena madre, no puede soportase tal cual…”
CAROLINA PUCHET  “La madre de la niña muerta”
Coordina: SUSANA DICKER

Salón Vitral I
Entre la madre y la mujer
GLORIA GONZÁLEZ  “Una loca fantasía”
FERNANDO ESPAÑA  “Para ser madre, se necesita ser mujer”
Coordina: FERNANDO GÓMEZ SMITH

16:40 - 17:40
Gran Salón I
Deseo de madre – Deseo de mujer
SUSANA DICKER  “Deseo del analista… entre la madre y la mujer”
SUSANA STROZZI  “Una voce poco fa…”
Coordina: PAOLA CORNU

Gran Salón II
Urgencias subjetivas. ¿Qué madres?
ALEJANDRO VELÁZQUEZ  “Mi hijo me necesita”
ALIANA SANTANA  “No deseo ser mamá, pero me preocupa que no me preocupe”
Coordina: ANGÉLICA MARCHESINI

Salón Velasco-Villalpando
Fantasma de la madre, síntoma del hijo
ANA MARÍA SOLÍS  “El tratamiento de la voz”
BERNARDO PASOS ESTRADA  “Siempre me está viendo”
Coordina: JIMENA CONTRERAS

Salón Vitral I
Ex-tragante en el cuerpo
JOSÉ LUIS OBAID  “Del estrago y el sin límite del goce femenino en la histeria de hoy”
CLAUDIA SUBIETA  “Del objeto que “sirve” al Sujeto que habla”
Coordina: CLARA MARÍA HOLGUÍN

17:50 - 18:50
Gran Salón I
La maternidad como anudamiento
MACKLING LIMACHE  “Un hijo, una modalidad de anudamiento”
PETER MOLINEAUX  “Virgen madre”
Coordina: MARÍA EUGENIA CARDONA

Gran Salón II
Todo hijo es adoptado
NATALIA PALADINO  “La maternidad, patología femenina”
ALEJANDRO GÓNGORA  “De un deseo anónimo y sus efectos tóxicos”
Coordina: GABRIELA URRIOLAGOITIA

Salón Velasco-Villalpando
Maternidad y pasaje al acto
JOAQUÍN CARRASCO  “Una lapa que no soltó el útero”
EDNA GÓMEZ MURILLO  “Rellenita”
Coordina: GLORIA GONZÁLEZ

Salón Vitral I
Invenciones sintomáticas
PIEDAD ORTEGA DE SPURRIER  “Lo que perdura del murmullo”
LAURA BENETTI  “El cauce de la lágrima”
Coordina: MARÍA CRISTINA GIRALDO


21:00 - 1:00 
Fiesta

 
Domingo 21 de octubre de 2018


Gran Salón I y II

Mesas del Pase

9:00 - 10:00 
MARÍA CRISTINA GIRALDO - Testimonio: “La claridad difusa”
Interlocución: MARIE-HÉLÈNE BROUSSE y ANGELINA HARARI
Coordinación y pregunta del Cartel sobre sus testimonios: MERCEDES IGLESIAS

10:00 - 11:00 
MARIA JOSEFINA SOTA FUENTES - Testimonio: “Parirse”
Interlocución: CLARA MARÍA HOLGUÍN y MARCELA ALMANZA
Coordinación y preguntas del Cartel sobre sus testimonios: GLORIA GONZÁLEZ


11:00 -11:30 
Pausa Coffee break



11:30 - 12:30 
RAQUEL CORS ULLOA - Primer Testimonio: “27-28-Uno”
Interlocución: MARIE-HÉLÈNE BROUSSE y ANGELINA HARARI
Coordinación: PIEDAD ORTEGA DE SPURRIER


12:30 - 12:40
Cierre de las Jornadas  ANA VIGANÓ, MARCELA ALMANZA


12:40 - 14:00 
Conversación: Pase y Escuela (Actividad exclusiva para miembros)
Pase y transmisión: consentir a la experiencia y dejarse enseñar
Participan: MARÍA CRISTINA GIRALDO, MARIA JOSEFINA SOTA FUENTES, RAQUEL CORS ULLOA, ANGÉLICA MARCHESINI, MARIE-HÉLÈNE BROUSSE y ANGELINA HARARI
Coordina: MARCELA ALMANZA

 

14 de outubro de 2018

PSICOANÁLISIS, DEMOCRACIA Y NEOFASCISMO


Por Jesús Santiago
Responsable por El Movimiento Zadig Brasil/ “Dulces Bárbaros”


                  La afinidad entre la democracia y la vida se explica por el hecho de que ambas tienen como columna vertebral la indeterminación propia de lo real contingente y, por ende, es lo que vuelve necesario e irreductible el conflicto. La democracia asume una relación directa con la vida pues, como el psicoanálisis nos enseña, está atravesado por el azar y por la indeterminación radical inherente a los acontecimientos contingentes de la historia política de un pueblo. ¿Quién podría imaginar que la democracia brasileña, aún en fase de gestación, iría a pasar por esa onda avasalladora de un oscurantismo conservador? Si la contingencia, la diversidad y la división constituyen el corazón de todo régimen democrático, se exige de ello una política de protección y de defensa. Esperamos que, en los próximos días, los movimientos y fuerzas políticas esclarecidas sepan ejercer esa protección y esa defensa de la democracia, por medio de la creación de un frente republicano que pueda derrotar al amo reaccionario obstinado en querer restaurar un orden patriarcal y falocéntrico[1]. Y no hay dudas que el psicoanálisis podrá desempeñar su modesto papel en esta búsqueda de la preservación de la vida democrática.

La democracia como experiencia e invención

                  Es preciso considerar que la democracia no es finita y, por lo tanto, no se escribe jamás en el cuerpo social de modo definitivo. Será siempre capaz de sorprendernos. Apenas encuentra su fuerza si admitimos que sus debilidades y sus males no son pasajeros, sino constantes e irreductibles. La democracia es experiencia e invención; está, para siempre, sujeta a ser reescrita[2]. Y esa relación con la vida hace que la democracia pueda padecer gravemente. En los tiempos actuales, ya se presenta como un cuadro de padecimiento agudo y corremos serios riesgos de ver su fallecimiento con la inminencia del triunfo electoral de Jair Messias Bolsonaro, el capitán reformado del ejército brasileño.

                  Cabe resaltar que bastó que ocurriese la adhesión en masa de la población brasileña a esta figura de violencia y horror para que las expresiones típicas del fascismo como la intimidación, discriminación, fanatismo y la violencia pasaran a proliferar entre nosotros. Los relatos acerca de esos actos sórdidos están en aumento, como ejemplifica el caso del asesinato del capoerista bahiano Moa do Katendê, cometido por enfurecido elector de Balsonaro. Con la Psicología de las masas, Freud pudo tratar estas expresiones del fanatismo y la violencia, por medio de procesos identificatorios que envuelven el cuerpo y sus afectos[3]. Desde entonces, la política en general y, sobre todo, las tentaciones totalitarias no deben ser vistas como fenómenos racionales, pues implican el cuerpo pulsional. ¡Pensamientos son palabras y las palabras son actos! Pero precisamente, a lo que asistimos, en los últimos tiempos, son actos discursivos que diseminan la violencia y el odio. Se vuelve importante impedir el avance de un candidato cuyas palabras están al servicio de la defensa de la tortura, de la segregación racial y de la misoginia, como sucedió al decir a una colega diputada, en público, que “ella no merecía ser estuprada”.

Identificación al poder falocéntrico del capitán

                  Es importante constatar que ese discurso de odio en que se sacraliza la violencia se hace presente en ambientes restringidos a la Internet, en los grupos de WhatsApp, por medio de intimidaciones en que solo uno de los dos lados puede tomar la palabra. El restante, en caso de que no se quede en silencio, será blanco de prácticas de intimidación coercitiva. El odio diseminado en las redes digitales tiene como telón de fondo el uso político del afecto, reinante en estos días sombríos, a saber: el miedo. Los grupos de WhatsApp reproducen, en consecuencia, procesos de masa, vía un proceso de identificación horizontal de los individuos entre sí y, verticalmente, con el Uno que, a pesar de buscar confundirse con un hombre común, se presenta como la excepción. Como efecto de ello, una de las características de ese fenómeno de masa es la oferta de un semblante del hombre común que, aparentemente, se confunde con la masa de brasileños y en el cual se destaca el uso particular de la lengua, con un exceso de palabrejas y términos de moda que incitan a la violencia.

                  Por otro lado, el fanatismo es un amor hipnótico por el líder que se coloca en el lugar del padre redentor y que alardea, por las cuatro esquinas del Brasil, que va a trabajar por la higiene moral de las suciedades dejadas por los otros. En verdad, sabemos muy bien lo que viene a ser ese trabajo de higiene, a saber, oponerse a una sociedad diversa y plural, lo que se nota, por ejemplo, en el combate que emprende a lo que, estúpidamente, llama “ideología de género”. La mediocridad llega a un punto que se recusa el saber de la ciencia para la acción gubernamental, al negar los cambios climáticos y querer entregar la Amazonía a una actividad de extracción primaria y grotesca. Ya se declaró claramente contrario al sistema de poderes y contrapoderes y al modo de escrutinio de nuestro país. Milita contra los derechos humanos y contra las libertades individuales y llega a propugnar por las ejecuciones extrajudiciales pues eso derechos del ciudadano son la razón para la crisis de la seguridad pública. Otro componente típico de las prácticas de la violencia neofascista es la creación de organizaciones paramilitares y milicias que van contra el hecho de que la violencia es un monopolio del brazo armado del Estado y que solo el gobierno puede usar legítimamente la fuerza y, notablemente, que ese uso sea regido por la ley y por las instituciones autorizadas para ese fin regulador. La cumbre de este discurso de odio es la defensa intransigente de que el ciudadano común tenga licencia para armas para poder defenderse y defender a su familia de la violencia en una evidente apología de los “discursos que matan”.

No hay fin de la historia.

                  Lo que está en juego en este momento es el hecho de que el orden democrático republicano, necesario para la práctica del psicoanálisis, está en cuestionamiento. Desde la caída del muro de Berlín, en 1989, todo indicaba que no habríamos de asistir a otras alternativas políticas distintas de la democracia. En este momento decisivo de nuestra reciente historia, solo la China, o también el populismo bolivarista en Venezuela y algunos otros, podrían ser considerados como excepción en este abanico homogéneo de regímenes políticos democráticos del planeta. Delante de las evidencias, el diagnóstico que se podía hacer en aquella ocasión era que la cuasi totalidad de las sociedades anhelaban la inmediata implementación de la democracia. Es en este contexto que surge la tesis del filósofo Francis Fukuyama del “fin de la historia”, tesis que emana de la constatación de esta supuesta unanimidad que tiene lugar, tras los acontecimientos que marcan el fin del llamado “socialismo real”.[4]

                  Hoy, así con todo, estamos sorprendidos y desafiados por el surgimiento, en escala mundial, de movimientos de extrema derecha. Por más que haya especificidades de esos movimientos, en el contexto de cada nación concernida, nos parece evidente que el blanco de la extrema derecha es, antes que todo, las libertades civiles y las instituciones que buscan encarnarlas[5]. De todas maneras, la conjunción del odio y de la política en esa escena mundial es un aspecto sobresaliente de las respuestas de lo real frente a la inexistencia del Otro. ¿Cómo lidiar con los efectos de la inexistencia del Otro, en el ámbito de la política, sin ceder a los imperativos de goce del superyó presentes en la subjetividad represiva propia del neototalitarismo? En consecuencia, la cuestión política en el mundo contemporáneo no se centra solo en la desigualdad entre ricos y pobres, o sea, el conflicto y el impase civilizatorio no es solamente distributivo, incide sobre el problema de fondo de los propios rumbos y direcciones que seremos capaces de ofrecer a la humanidad. Hacer existir al psicoanálisis en el campo de la política es poder interferir, decididamente, en el proceso de oposiciones y divisiones que marcan el estado actual del malestar -nacionalismo y globalización; ignorancia provinciana y el cosmopolitismo elitista; finalmente, barbarie y civilización -divisiones que envuelven y minan los cimientos de la república.

                  Adquirimos a lo largo del tiempo un cierto saber sobre cómo el psicoanálisis puede convivir con la forma dominante de la política moderna que es la democracia. Llegamos incluso a entablar batallas históricas contra las tentativas de regulación del psicoanálisis por el Estado y, en muchas de ellas, salimos vencedores. Por ende, con relación a los regímenes políticos de extrema derecha, no hay otra cosa que hacer sino ir contra los peligros de la indiferencia y del cinismo de los que solo lamentan que “todo está perdido” o que “todo es  ruin” y, principalmente, juntarse a los núcleos de la sociedad civil esclarecida, para asumir que en los momentos en que la democracia y los derechos de la ciudadanía más elementares se muestran amenazados, es preciso contar con la invención de la acción política.

Tradução Patrício Moreno Parra
Revisão Ruth Gorenberg





[1]Laurent, É. Video realizado por Fernanda Otoni para la Conversación “Psicoanálisis y Democracia”. EBP-Río de Janeiro. Internet: https://www.youtube.com/watch?v=QVPusLyOVsM
[2]Lefort, C. Pensando o político. Ensaios sobre democracia, revolução e liberdade. Paz e terra: São Paulo, 1991, p. 32. 
[3]Freud, S. “Psicología de las masas y análisis del yo”, in Obras completas, vol. XVIII. Buenos Aires: Amorrortu, 2012.
[4]Laurent, E. Le Nom-du-Père: psychanalyse et démocratie, in: Cités/Jacques Lacan Psychanalyse et politique. PUF: Paris, 2003, nº 16, p.
[5]Lago, M. Extremo centro x entremaderecha, in: Piauionline: https://piaui.folha.uol.com.br/extremo-centro-x-extrema-direita/