24 de julio de 2014

LACAN COTIDIANO, Pierre Naveau, François Regnault.


A ASA DE CORVO DE DESEJO, por Pierre Naveau

Micha Lescot é Tartufo nos Ateliers Berthier. O Tartufo de Luc Bondy certamente está longe do de Planchon, mas surpreende. Micha Lescot? Ele faz ao mesmo tempo um dandi desengonçado, um estudante charmoso dissimulado e um empregado de escritório tirado de um romance de Dostoievsky ou de Kafka, e mesmo de Melville. Ele dá a seu Tartufo o ar de uma doce astúcia. Tartufo, o impostor, é o terceiro homem. Pois Orgon e Elmire – Luc Bondy insiste nisso – são marido e mulher. O que acontece quando um marido introduz um outro homem na casa? Klossowski debateu isso em seus Lois de l'hospitalité (Leis da hospitalidade). Como ignorá-lo? Este outro homem não pode senão querer tomar ao marido sua mulher e seus bens! De fato, a comédia de Molière se inicia com o que coloca em agitação a família, Dorine principalmente: Orgon casa sua filha. Mas aí está, ele decidiu dá-la a esse Tartufo que se acha muito embaraçado com isso. Não é a moça que ele cobiça. Dito de outro modo, Orgon sacrifica sua filha a seu próprio capricho. Luc Bondy enfatiza precisamente o fato de que Orgon permanece cego em relação àquilo que se trama. Ele não quer saber.

Quando seu filho Damis lhe conta que surpreendeu Tartufo fazendo a Elmire «a injuriosa confissão de uma culpável chama», ele não quer acreditar em nada disso. E que Tartufo, por astúcia, peça a ele, ao contrário, que creia naquilo que seu filho lhe diz – que ele é um perverso, um culpável, o maior celerado que jamais existiu e que Orgon deve expulsá-lo de sua casa como a um criminoso –, ele recusa, no entanto, a ouvir essas confissões que o perturbam em suas convicções e em seus acomodamentos íntimos.

Stendhal, depois de ter visto Tartufo, escreveu que ele não havia rido. Ri-se pouco, é verdade. Mas se trata justamente de uma comédia. Lacan diz porquê numa passagem muito esclarecedora na página 488 do Seminário VI : «Estamos na comédia cada vez que o desejo aparece aí onde se não o esperava.» O «dito» por meio do qual Tartufo define a si mesmo – «Ah, por ser devoto, nem por isso sou menos homem» – foi articulado por Molière inspirado pelo «dito» do herói na tragédia de Corneille Sertorius: «Ah, por ser romano, nem por isso sou menos homem». Mas, ao contrário de Sertorius, Tartufo não é um herói. Ele está aí para designar o que Lacan chama: «um mais além do pudor».

Por que Orgon não quer saber de nada? Porque não se espera que Tartufo comece a revelar a Elmire seu «ardor secreto» e sua paixão e que ele chegue a querer – franqueando assim ointerdito – tocar seu corpo (Luc Bondy põe com isso os pingos nos is). Tartufo, quanto a isso, não se detém. Ele declara a Elmire que ele não é um anjo, que é um ser de carne e que, se sua confissão lhe é insuportável, ela só se deve a seus encantos, reconhecendo assim que ele é sensível à tentação. Uma tal declaração só faz pôr em relevo a hipocrisia de seu famoso «Cubra este seio que eu não saberia ver» que ele dirige a Dorine.

É sobre este ponto que aquilo que François Regnault chamou «o desejo de Molière» está implicado: a mola da comédia tem a ver com que Orgon nada quer ver na medida mesma em que ele não espera que «seu» Tartufo manifeste seu desejo relativamente à sua mulher. Em princípio, diz Lacan, p. 488 do Seminário VI, «o desejo é algo que não se confessa». Que um tal desejo apareça no ponto mesmo onde deveria ser impossível que ele aparecesse, é esta « transgressão » que dá a esse drama familiar a dimensão da comédia.

E é preciso que Elmire ponha algo de si na cena V do ato IV – Clotilde Hesme atua, com efeito, com toda a força de sua energia contida – para que Orgon consinta enfim em ver o que ele não queria ver até agora.. Elmire finge a confissão do amor e se oferece assim a Tartufo. Ela representa ser uma mulher. Tartufo não esconde, inicialmente, sua surpresa. Mas ele se mostra muito rapidamente tolo diante do ardil: «É, sem dúvida, Senhora, de uma doçura extrema / Ouvir tais palavras da boca amada: / Seu mel em todos os meus sentidos provoca / Uma suavidade como jamais senti.» Seria assim a primeira vez que uma mulher teria lhe falado nesses termos.

Elmire sabe, então, proceder. Mas Tartufo quer mais – que ela lhe conceda seus favores: «E não acreditarei em nada antes que tenhas, Senhora / sabido convencer minha paixão com realidades. » Realidades? A encenação de Luc Bondy não vai direto ao assunto; ela faz de modo que pudor e vergonha pareçam então ser jogados para o alto.

Quando Tartufo declara: «Satisfaça meu desejo (a palavra «desejo» está aí, então), e não tenha medo algum», os dois personagens se encontram na cena à beira da nudez. Certas palavras que se escuta – como o faz valer Paul Éluard – dão, com efeito, a ver.

Assim Orgon não pode deixar de ver a que extremos as coisas chegaram. Mas, enfim, quando, se sentindo traído, ele sai de debaixo da mesa onde estava escondido gritando: «Eis, eu vos declaro, um abominável homem», sem dúvida deveria ele se lembrar que dissera a Tartufo no ponto mais vivo de um de seus arrebatamentos (cena VII do ato III): «Atormentar o mundo é minha maior alegria, / E quero que a todo o momento o vejam com ela (sua mulher, então). / E não é tudo ainda: para que mais se danem, / Não quero ter outro herdeiro que não o senhor, / E vou, imediatamente, / fazer-lhe doação de todos os meus bens» Atormentar o mundo é minha maior alegria!, reconhece ele. Uma tal «confissão» toca no recalcado. Orgon – o «tartufado» (palavra de Molière) – não pode, então fazer de outra maneira, ele, o anfitrião, senão resvalar na tendência da infernal tentação – dar tanto sua mulher quanto seus bens a «o outro homem», a seu «hóspede»!

Certamente, no fim do fim, o Oficial detém Tartufo – «um velhaco renomado» – para conduzi-lo à prisão. Mas Lacan sublinha, sempre à página 488, – a punição não mudará nada. Um canalha permanece um canalha, um celerado, um celerado. Nas verdadeiras comédias, diz Lacan, «a punição não roça sequer a asa de corvo do desejo, que voa absolutamente intacto.» 
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LIDO HOJE, por François Regnault

17 de maio de 2014
Lido no Causeur N°13, de Maio de 2014, o artigo de Antoine Menusier: «os muçulmanos divididos pela querela do gênero» 

«Previsto para sábado, desmarcado e depois reprogramado in extremis para a quinta-feira de Páscoa às 10h30, o debate intitulado "A teoria do gênero, que gênero de teoria? ", com Farida Belghoul como convidada principal, finalmente aconteceu depois de intensas pressões exercidas pela geração montante. [...] Encontram-se muitos dieudonistas*, como nas fileiras dos jovens UOIF [União das Organizações Islâmicas da França] que fizeram grandes esforços para que Farida Belghoul pudesse vir debater, observa um jornalista dito "comunitário".

"Queremos que um homem, em sua virilidade, em sua missão de proteção da família, não assuma mais seus deveres?", pergunta Farida Belghoul a respeito do ensino destinado a lutar contra os estereótipos sexistas na escola.. Ela, mãe de três filhos, antecipa o ataque: "Eu, filha de um emigrado da Cabília, de extrema direita?" Haveria aí, a lhe dar ouvidos, contradição nos termos e nas trajetórias. "Tive belos diplomas que me fizeram renegar meu pai, minha religião, mas também os princípios da França. Ora, a França é o batismo de Clovis**", declama, como adepta à história sagrada dos reis, aniquilada pela Revolução ímpia. Além disso, continua, "as pessoas me têm por Joana d'Arc". […]"Eu sou a favor dos estereótipos de gênero, proclama ela. Não sou a favor que um homem vista um vestido. A feminilidade deve ser respeitada, a virilidade também"»

Uma muçulmana pró-merovíngia tida por Joana d'Arc (apesar dos hábitos do homem dessa última!) e um tanto sexista, «Tudo é variado e ornado ao mais alto grau», como diria Leibniz. Imagino também Voltaire, partilhado entre as pérolas dos Diafoirus da teoria de gênero e as adagas de uma Bécassine cabila. (Acima, à esquerda: Farida Belghoul)

* Seguidores de Dieudonné M'bala M'bala, um comediante, ator e ativista político francês. Algumas de suas performances e associações têm sido controversas e ele foi condenado por anti-semitismo.
** Primeiro rei dos francos, considerado o fundador da França e da dinastia merovíngia. Converteu-se ao catolicismo por estímulo de sua esposa Clotilde.

18 de maio de 2014
Lido esse poema sem título, de Apollinaire, no Le Guetteur Mélancolique

Il me revient quelquefois
Ce refrain moqueur
Si ton coeur cherche un coeur
Ton coeur seul est ce coeur

Et je me deux
D'être tout seul
J'aurais voulu venir dans une ville et vivre
Et cela peut-être l'ai-je lu dans un livre
Que toujours il fait nuit dans la ville
Mais cela se songe seulement
Et je me voudrais fuir

Je voudrais l'inconnu de ce pays du soir
Je serais comme un aigle puisqu'il n'y aurait pas
De soleil à fixer
Que seuls fixent les aigles
Mais la nuit noire peut-être la lune maladive
Mais les hiboux des soirs
Ululant dans le noir
Mais cela se songe seulement
C'est pourquoi je me deux […]

(Algumas vezes me vem
Este refrão zombeteiro
Se teu coração busca um coração
Teu coração sozinho é esse coração

E eu me ressinto
De ser inteiramente só
Gostaria de chegar numa cidade e viver
E isso pode ser que tenha lido num livro
Que sempre seja noite na cidade
Mas isto se sonha somente
E eu gostaria de fugir

Eu queria o desconhecido deste país da noite
Eu seria como uma águia já que não haveria
Sol para olhar
Que somente as águias olham
Mas a noite negra talvez a lua doentia
Mas as corujas das noites
Ululando no negrume
Mas isto se sonha somente
E é por isso que eu me ressinto […])

Por que esse poema ? Porque o li no «Homenagem a Marguerite Duras pelo arrebatamento de Lol V. Stein», de Jacques Lacan :

«A cena de que o romance inteiro não passa de uma rememoração é, propriamente, o arrebatamento de dois numa dança que os solda, sob os olhos de Lol, terceira, com todo o baile, sofrendo aí o rapto de seu noivo por aquela que só precisou aparecer subitamente. «E, para tocar no que Lol procura a partir deste momento, não nos ocorre fazê-la dizer um " eu me dois" [je me deux], conjugando doer [douloir] com Apollinaire?» [Outros Escritos, p.199]

Lido no Littré : «Douloir (se), verbo reflexivo. Empregado somente no infinitivo e ainda assim raramente; é pena que esse verbo tão cômodo e tão expressivo tenha caído em desuso. Sentir profundamente a dor, se queixar. […] Régnier ainda o empregou no presente: "Mas aquilo de que eu me ressinto (je me deulx) é justamente de outra coisa."» (no alto, à direita: Guillaume Apollinaire)
19 de maio de 2014

Lido no Le Monde de 16 de maio de 2014 o artigo acertadamente vingador de Edgar Morin sobre La Marseillaise.

« La Marseillaise, que se a cante daqui por diante numa unanimidade espantosa, dos comunistas aos lepenistas, acaba de ser brutalmente mas justamente abalada. Isto não tem a ver com a ministra Christiane Taubira, que preferiu comemorar a escravidão se recolhendo em vez de cantar o hino que acompanhou todas as aventuras da França durante uma boa parte do século XIX, mas também as cruéis expedições coloniais, cobrindo com um véu glorioso os danos da colonização. Isto tem a ver com o ator Lambert Wilson, qui, em seguida às agitações antitaubirescos causadas pela direita, sentiu-se, de repente, envergonhado das palavras - racistas, diz ele abusivamente -, de fato sanguinárias e vingativas, da primeira estrofe, que se canta ignorando as outras. Como essa estrofe parece revoltante e absurda se se a coloca em nossa conjuntura atualmente pacífica, eu quis explicar porque me parece importante assumi-la assim mesmo. A primeira estrofe de La Marseillaise, que é a única executada, memorizada e cantada, surpreende. Esse hino de combate (ele foi o do exército do Reno) é inteiramente diferente dos hinos nacionais, que são quase religiosos e litúrgicos, à Nação (Deutschland über alles, «A Alemanha acima de tudo») ou à realeza, símbolo da Nação (God Save the King, «Que Deus salve o rei»). este hino de combate é um hino de alerta e de resistência à invasão dos exércitos reais conjurados. O perigo é, naquele momento, mortal para a República nascente. Seu caráter sanguinário está ligado a esse momento de exaltação, e mesmo de euforia vital. E, sobretudo, ele liga indissoluvelmente a identidade da República à resistência às tiranias. Ele liga, não menos indissoluvelmente, a ideia de República à ideia de França.

Estrofe 1
Avante, filhos da Pátria,
O dia da Glória chegou.
O estandarte ensangüentado da tirania
Contra nós se levanta. (bis)
Ouvis nos campos rugirem
Esses ferozes soldados?
Vêm eles até nós,
Degolar nossos filhos, nossas mulheres. 

Vichy suprimiu essa primeira estrofe, por ódio da República, e apagou a resistência à invasão porque ele praticava a colaboração com o invasor.. Certamente, a estrofe que a substituiu tem sua beleza no «amor sagrado da Pátria», mas ela elimina a República da identidade francesa. Vichy era racista (e não a primeira estrofe de La Marseillaise, que é certamente sanguinária, mas na euforia guerreira). Ora, esse caráter sanguinário é abertamente repudiado pelo depois da vitória. (ver fim da estrofe 15).»

Eis o fim dessa estrofe 15:
«Estejamos unidos! Tudo é possível;
Nossos vis inimigos cairão,
Então os Franceses cessarão
De cantar esse refrão terrível»
Como dizia Jean-Claude Milner : «Nenhum ignorância é útil.» Sobretudo a da História… 

20 de maio de 2014
Lido em Charles Péguy, morto por uma bala na cabeça em 5 de setembro de 1914, em Villeroy, perto de Paris, já no começo da Guerra de 1914-18, que comemoramos impunemente. Texto póstumo de julho de 1913, intitulado «Diálogo da história e da alma pagã». É Clio que fala: 

«Diz-se que os povos felizes são aqueles que não têm história. Isto não é muito lisonjeiro para mim, diz ela. Mas analisemos assim mesmo. É preciso justamente analisar. Não tenho necessidade de dizer a você que é falso. Não há povos felizes. Mas este adágio, falso como todos os outros, introduz, como a maioria dos outros, uma distinção útil. Não somente há povos que têm uma história e outros que não a têm, o que coloca uma questão inteiramente outra, infinitamente mais grave, mas, e é aqui que hoje estamos, há períodos de tempo em que há história, e períodos de tempo em que não há. Dando precisamente a esta palavra de história o sentido destas articulações visíveis, exteriores, aparente, grosseiras.

Nesse sentido, diz ela, não temos história. E, assim, estamos bem situados para saber o que há de pungente nessa situação. Nada acontece. Nada aconteceu.»
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Tradução: Ruth Jeunon

Comunicação: Maria Cristina Maia Fernandes 

 www.lacanquotidien.fr


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23 de julio de 2014

TIRESIAS: 13ª Jornadas de la Escuela Lacaniana de Psicoanáli​sis. HALLAZGOS Y HEREJIAS DE LA SEXUALIDAD: VARIACIONES SOBRE EL OBJETO SEXUAL, por Félix Rueda


1
Contrario a considerar el psicoanálisis como una cosmovisión, Freud descarta que sus Tres ensayos -una pluralidad- pudieran constituir “una teoría sexual”[1]. Subrayando que estos serán tributarios de la praxis psicoanalítica que le llevó a redactarlos.

Es la praxis que inventa, la que le hace constatar, y así lo refleja en el primero de sus ensayos, Die sexuellen Abirrungen  (es decir, las “aberraciones”o las “variaciones” sexuales), las variantes frente a la norma sexual.

Al realizar la división entre el objeto y la meta sexual[2] de la pulsión, la experiencia recogida con los casos considerados anormales enseña a Freud que entre la pulsión sexual y el objeto sexual no hay sino una soldadura. Lo cual le hace concluir que concebía demasiado estrecho el enlace entre la pulsión y el objeto sexual. Estableciendo que debemos aflojar, en nuestra concepción, los lazos entre pulsión y objeto”[3].

Así la ausencia de simetría, de proporción, entre objeto y pulsión, que la concepción freudiana descubre, introduce, junto con la sexualidad infantil, una profunda subversión en la concepción de la sexualidad humana, al hacer de la variación la norma. Donde cualquier objeto es capaz de satisfacerla pulsión. Poniendo en evidencia que no hay una relación natural entre los sexos ni un saber hacer preestablecido sobre el sexo humano, nada que diga lo que es su posición como hombre y mujer. Encontrándose de inicio, en ese vacío, con la satisfacción de los orificios pulsionales.

Freud ratifica esta subversión,en este mismo ensayo,al negarse a hacer de los homosexuales una especie particular de seres humanos,y al afirmar que la homosexualidad no constituye una entidad clínica[4], tan solo considerando susceptible de análisis a aquellos que sientan su sexualidad como sintomática[5]. Es decir, de manera singular, la cuestión de la elección sexual, sea homo u hétero, responde entonces a la particularidad subjetiva, no estando llamado el psicoanálisis a resolver el problema de la homosexualidad. Tema que Freud trata irónicamente al afirmar que “la empresa de mudar a un homosexual en heterosexual no es mucho más promisoria que la inversa”[6]. La homosexualidad no es entonces un concepto psicoanalítico y Freud la va a definir estrictamente en términos de identificaciones y de elección de objeto[7].

2
El “hallazgo de objeto” que se efectúa en la pubertad, es una elección en dos tiempos[8], es un reencuentro[9] con lo que resta de los primeros vínculos sexuales de la más tierna infancia, que Freud considera los más importantes de todos.

Reencuentro con lo que resta del tiempo en el que la nutrición estaba conectada con la primerísima satisfacción sexual. Donde “la pulsión sexual tenía un objeto fuera del cuerpo propio: el pecho materno. Lo perdió sólo más tarde, quizás justo en la época en que el niño pudo formarse la representación global de la persona a quien pertenecía el órgano que le dispensaba satisfacción”[10]. Este momento de la pérdida del objeto, del seno, que nunca se tuvo, se produce durante el periodo de latencia, momento en el que se realiza la representación del Otro.

El objeto elegido viene al lugar del objeto perdido. La fijación primera, real, va a ser la condición del objeto elegido en la pubertad. Objeto elegido que Freud situará de inicio “en la esfera de la representación […] en el espacio de las fantasías”[11]. Es por tanto un señuelo, un ersatz, que sustituirá, pero nunca será el original. Como plantea J.-A. Miller, es la barrera del incesto freudiano la que aparece como un fondo de imposible, un no cesa de no escribirse, sobre la que se realiza la condición necesaria, sintomática, la que no cesa de escribirse[12].

Años más adelante, ya en la segunda tópica,en la que el inconsciente se articula al ello, a la pulsión, en su Moisés, Freud realiza una analogía entre la aparición de la religión monoteísta y la formación de síntomas,también en dos tiempos, mediados por el fenómeno de la latencia. Apareciendo en el primer tiempo,en el lugar de la fijación a la pérdida del objeto que aparecía en losTres ensayos, el trauma. Trauma que define como vivencias en el cuerpo propio, percepciones sensoriales de lo visto y de lo oído[13].

Estas marcas traumáticas en el cuerpo que dejan lo visto y lo oído son comparadas en “Construcciones en análisis” con las alucinaciones, salvando el hecho de que no se da la creencia en su actualidad. Siendo que tras la comunicación de la construcción, no es el contenido de la construcción lo que retorna, sino lo visto y lo oído, desplazado y desfigurado en los sueños, por las fuerzas contrarias a ese retorno[14]. Lo que en Tres ensayos es la pulsión sin objeto, es en la segunda tópica la pulsión dotada de un cariz traumático que produce marcas en el cuerpo.

Este fenómeno primerísimo, de lo visto y lo oído con sus efectos traumatizantes sobre el cuerpo, nos evoca el shock pulsional del puro encuentro de la lengua y sus efectos de goce sobre el cuerpo. Y en el que la simbolización de dicho real, de este agujero donde no hay saber sobre la relación de los sexos, es ya una construcción secundaria, en el que la lógica se introduce después con la elucubración del fantasma[15].

3
Esta elucubración secundaria, incluye la “asunción”subjetiva del sexo, la “sexuación”, que tiene dos vertientes: por un lado la que respecta a la inscripción del goce en la función fálica, y por otro lado al cuerpo.

La significantización da una posición inconsciente que permite la identificación con el tipo ideal de su sexo, si bien hay algo que la mediación fálica no drena, no alcanza, no sabe. A este agujero traumático, responde el síntoma que produce la sexuación. Ya que como plantea Miller, hombre y mujer son dos razas efecto de discurso, en lo que hace a la relación inconsciente con el goce. Lo cual no es un puro efecto de blablabla, sino la localización en el orden del goce del modo de uso de este. Lo cual es lo que marca las diferencias. Es a este modo de uso de goce a lo que llamamos sexuación[16]. Y cuyas formas hoy en día están en un creciente desorden.

4
Para finalizar una nota sobre las “herejías de la sexualidad”

La mención a las “herejías de la sexualidad” que propone este eje temático resuena además de a las clásicas variantes frente a la norma sexual; en primer lugar, con la posición de varios pensadores del movimiento LGTB, que reivindican su posición sexual como una herejía frente a la ortodoxia. Si bien es una posición que fomenta el lobby.

En segundo lugar, resuena con la afirmación de Lacan quien en su seminario “El sinthome” dice ser hereje al igual que Joyce. Porque, como dice, el hereje se caracteriza precisamente por la haeresis, que en griego significa el que elige, y que solo con el cristianismo tomó un carácter deposicionamiento prohibido frente al dogma.

Lacan propone que ser hereje de la buena manera, es elegir el camino por el cual alcanzar la verdad, es decir, la que “habiendo reconocido la naturaleza del sinthome, no se priva de usarlo lógicamente, es decir, de usarlo hasta alcanzar su real, al cabo del cual él apaga su sed”[17].

Alcanzar el inconsciente real podría entonces calmar la sed de verdad que tiene el inconsciente transferencial. Herejía, cuya homofonía en francés es RSI, apunta a este uso lógico del sinthome que anudaría los tres registros, y permitiría ir más allá de una concepción religiosa del psicoanálisis fundamentado en el Nombre del Padre.

Podríamos decir que frente a la reivindicación de la posición sexual Lacan apunta a la radical asunción de la misma.

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Notas:

[1] Freud, S.: Tres ensayos de teoría sexual. Prólogo a la tercera edición (1914). OC Vol. VII, AE. Bs As 1987. pág. 118
[2]Óp. Cit. pág. 123
[3]Óp. Cit. pág. 134
[4]Óp. Cit. pág. 132. Nota 13. Agregado de 1915
[5] Óp. Cit. pág. 125
[6]Freud, S.: Sobre la psicogénesis de un caso de homosexualidad femenina (1920). OC Vol XVIII, AE Bs As 1989. pág. 144
[7] Laurent, E.: Normes nouvelles de l'homosexualité. L'inconscient homosexuel. La cause freudienne nº 37
[8] Óp. Cit. pág. 181
[9] Óp. Cit. pág. 203
[10]Óp. Cit. pág. 202
[11] Óp. Cit. pág. 206
[12] Miller, J.A.: Los divinos detalles. Ed Paidos, BsAs 2010. pág. 65
[13] Freud, S.: Moisés y la religión monoteísta. Vol. XXIII, AE. Bs As 1986. pág. 72
[14]Freud, S.: Construcciones en análisis. OC Vol. XIII, Amorrortu Ed. Bs As 1987. pág. 268 [15] Miller, JA: Un real para el Siglo XXI. Volumen preparatorio del IX Congreso AMP. Scilicet. Grama ediciones Bs As 2014.
[16] Miller, JA: Extimidad. Ed Paidos, Bs As 2010, pág. 56
[17] Lacan, J.: El seminario Libro XXIII El sinthome, Ed. Paidos Bs As2006. Pág. 15

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22 de julio de 2014

Lacan Quotidien. La constance du passage a l'acte et la crise de noms, par Dominique Laurent



Le 23 mai dernier, à Isla Vista en Californie, un jeune homme de 22 ans, « privilégié de Hollywood », Elliot Rodger, a tué trois personnes et blessé treize autres près du campus de l’université de Californie Santa Barbara, après avoir assassiné trois étudiants dans son appartement. Pourchassé par la police, il se suicidera dans sa BMW accidentée et immobilisée dans un parking. Ce carnage a été inauguré par l’envoi sur Youtube et Facebook d’une vidéo intitulée « Le jour du châtiment » dans laquelle il donne les détails de son attaque imminente et les motifs du massacre. Il veut punir les femmes de l’avoir rejeté, ainsi que les hommes sexuellement actifs dont la vie est meilleure que la sienne. Après avoir téléchargé la vidéo, il envoie par email un très long manuscrit autobiographique intitulé « My wrong world » à sa famille, à son thérapeute et à une douzaine de personnes de son entourage.


Il y décrit son enfance, les confits familiaux, sa frustration envers les filles, sa haine des femmes, son mépris des minorités raciales et ses plans pour le massacre. « Son écriture est claire et précise. Il n’a rien de la qualité délirante que l’on observe dans l’écriture de personnes souffrant de psychose », dit le Dr. Michael Stone, psychiatre judiciaire new yorkais... (1). On apprend qu’il s’est entraîné au maniement des armes à feu en septembre 2012, qu’il acquiert dans la foulée un premier pistolet, puis deux autres en 2013. Onze mois avant le massacre, au cours d’une fête, il a tenté de pousser une jeune fille d’une corniche en proférant : « Je vais les tuer, je vais les tuer, je vais me tuer ». Il avait cessé d’aller en cours et passait sa vie en ligne.
 
Il avait toujours joué en ligne avec World of warcraft, mais il était passé récemment sur des sites attirant de jeunes hommes frustrés sexuellement. Sur PUAhate, il exprime « son dégout des femmes... et invite les célibataires involontaires à se battre... à renverser le système féministe oppressif, à envisager un monde où les femmes les craindront ». Sur Bodybuilding.com, il avait envoyé une vidéo intitulée « Pourquoi les filles me détestent-elles tellement ? » qui a suscité des commentaires variés et critiques, l’un considérait que « la vidéo le faisait ressembler à un tueur en série ».
 
Ces activités récentes contrastent avec ce que tout son entourage rapporte de lui. C’était un enfant introverti, solitaire, distant, énigmatique. Au moment du divorce très difficile de ses parents, sa mère, Li Chin, demandait plus de soutien de la part du père au nom de l’autisme de haut niveau de leur fils alors âgé de huit ans. Travaillant dans le milieu du cinéma, les parents, en particulier la mère, se sont beaucoup impliqués dans les soins de leur fils. Mise en place de thérapies, prise d’antipsychotiques, changements successifs d’écoles nécessités par des crises de panique pendant lesquelles il restait pétrifié par un sentiment de moqueries de la part de ses camarades, par un désinvestissement scolaire. Mr Smith, psychologue du comportement, devenu principal de l’établissement spécialisé dans lequel Elliot a réussi à passer son diplôme de fin d’études, considère qu’il présentait les symptômes classiques du syndrome d’Asperger. Il était socialement maladroit, avait du mal à établir un contact visuel, restait très isolé et était très intelligent.

Dans un article du New York Times daté du 21 juin, Benedict Carey note que ces fusillades ont braqué un projecteur sur le système de santé mentale et en particulier sur la façon dont il gère les jeunes hommes présentant des traits agressifs(2). J. Reid Meloy, psychologue judiciaire à San Diego et éditeur de l’International handbook of Threat Assessment, considère que « la plupart des gens qui passent par ce type d’états n’agit jamais de manière violente » ; même ceux qui profèrent des menaces ou font des préparatifs ne basculent pas dans la violence ; « On ne peut pas prédire qui le fera ou pas ». E. Jane Costello, épidémiologiste en psychiatrie à la faculté de médecine de l’université de Duke, considère qu’un adolescent sur 100 s’inscrit dans cette catégorie ; ces jeunes gens font l’objet de diagnostics multiples et se montrent résistants au traitement. Comme son collègue de San Diego, il observe que la plupart d’entre eux ne commettent jamais de crimes violents et encore moins d’atrocités.
 
B. Carey examine aussi les difficultés d’une autre famille, la famille Serpico, pour souligner les difficultés auxquelles sont confrontées des milliers d’autres. Cette famille aisée a adopté les deux enfants d’une mère toxicomane. Dès l’âge de quatre ans, leur fils aîné a reçu le diagnostic de trouble de l’hyperactivité et déficit de l’attention. Il lui sera prescrit de la Ritaline à l’âge de six ans. Ce traitement l’a, semble-t-il, aidé. Il a pu suivre sa scolarité, faire du sport et de la musique. Les choses se compliquent au moment de sa première rencontre amoureuse. Il devient triste, s’isole, exprime des idées de suicide. Il fait sa première tentative de suicide à 14 ans et annonce sur un réseau social ses plans pour un second suicide en exhibant ses bras scarifiés. Hospitalisé brièvement la première fois, il est confié aux soins d’un psychiatre en ville. L’annonce de la seconde tentative est suivie d’une hospitalisation tout aussi brève.
 
La compagnie d’assurance refuse alors la couverture des soins dans un établissement de plus longue durée, car le médecin n’est pas certain que ce traitement soit le meilleur. Au terme de deux jours de négociation, de menace de la part de la famille de faire porter la responsabilité du suicide à venir de leur fils à la compagnie et de le faire savoir dans les journaux, un accord permet de couvrir les frais d’une hospitalisation renouvelée de semaine en semaine.
 
L’adolescent revient chez ses parents deux mois après, plus troublé que jamais. La police d’assurance haut de gamme des parents permet cependant de couvrir les frais des visites régulières chez les psychiatres qui ont donné de nombreux diagnostics. Dépression, trouble bipolaire, troubles de la personnalité, border line, attachement réactif. Il lui a été prescrit des antidépresseurs, des stabilisateurs de l’humeur, du Risperdal, des tranquillisants pour calmer son agressivité. Sans beaucoup d’effet. Le jeune homme menace toujours de se tuer. Il s’est mis à fumer de la marijuana, à utiliser des antalgiques sur ordonnance, à devenir provocant, à désinvestir l’école. Dans le même temps, il se montre violent physiquement avec sa mère. Des appels à la police n’ont aucune suite. Des hospitalisations de jour sont mises en place. Il s’en fait expulser par manque de participation où parce qu’il y vient avec une lame de rasoir. De l’avis du médecin et du thérapeute, il n’y avait qu’une option : un séjour dans un établissement de soins de longue durée. Le coût de l’opération variant de 10.000 à 60.000 dollars par mois, les parents, même avec une bonne assurance, ne peuvent pas suivre. Au terme d’une procédure, la famille obtient du district scolaire de couvrir les frais d’une école thérapeutique dans le Montana pour une année universitaire.
 
B. Carey constate que bien que le Congrès ait pris des mesures pour que les assureurs couvrent le traitement des maladies mentales, comme ils le font pour le cancer ou le diabète, les Serpico ne peuvent pas financer un traitement hospitalier de longue durée comme l’état de leur fils le nécessite. La libre circulation des armes, l’usage de toxiques, le coût des soins, la multiplicité des diagnostics et des thérapeutiques, le rejet des soins rendent d’autant plus aigu la crainte du passage à l’acte auto ou hétéroagressif. Ces deux cas, notons le, appartiennent à des classes aisées. Que dire alors des patients issus de classes défavorisées ?
 
Mais les États-Unis seraient-ils les seuls à être concernés ? La France offre une palette de soins étendue en psychiatrie, couverte par l’Assurance maladie. Elle a des organismes comme l’Aide Sociale à l’Enfance et la Protection Judiciaire de la Jeunesse. Elle permet des mesures de protection juridique dont les juges prennent la mesure et qui peut éviter le passage par la case prison, prison dont les statistiques indiquent qu’un tiers des sujets incarcérés est psychotique. La France exerce un contrôle strict sur le port d’armes. Cependant, ces dispositifs sont débordés. Il n’est pas rare d’attendre plusieurs mois avant d’avoir un rendez-vous dans un centre de consultation public. 

Les encadrements budgétaires influent sur la durée des hospitalisations, sur le recrutement des personnels spécialisés, sur la fréquence des consultations. La vente illégale des armes via internet ou d’autres réseaux prolifère. L’usage des toxiques est très répandu à tous les niveaux de la société. Enfin, si la souffrance psychique affecte toutes les classes de la société française, elle se révèle très grande chez les migrants au parcours traumatique.

Au-delà de ces considérations sur l’Autre social ou économique, que dit la psychiatrie ? Le DSM-5 et sa fragmentation en items cliniques ont largement pénétré le système de santé français. Mais à mesure que la fragmentation clinique se répand, le passage à l’acte devient de plus en plus énigmatique. La prescription de Ritaline ou de psychotropes variés est entrée dans les mœurs médicales. La montée en puissance, au nom d’une fausse universalisation scientifique, de pratiques élevées à la dignité de psychothérapie et qui ne relèvent que de la rééducation et de l’apprentissage, se révèle illusoire pour le traitement du passage à l’acte. Les diagnostics et médications multiples que reçoivent ces sujets témoignent de l’impuissance de la clinique du DSM à nommer ces actes impossibles à réduire par la prévision. 

Le prochain congrès de la NLS sera consacré aux « moments de crises ». Ce sera l’occasion d’explorer ce que Jacques-Alain Miller a donné comme définition psychanalytique du terme de crise, qu’illustre ici le passage à l’acte : « Il y a crise quand le discours, les mots, les chiffres, les rites, la routine, tout l’appareil symbolique, s’avèrent soudain impuissants à tempérer un réel qui n’en fait qu’à sa tête. » (3) 
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Notes

1-. A. Nagorney, M. Cieply, A. Feur, I. Lovette, « Before Brief, Deadly Spree, Trouble since age 8 », New York Times, 2 juin 2014.
2-. Carey B., « Seeing Sons’ Violent Potential, but Finding Little Help or Hope », New York Times, 21 juin 2014
3-. Cf. Miller J.-A., Interview sur la crise économique, Marianne, 2008, cité par Gil Caroz, présentation du congrès de la NLS (9-10 mai 2015 à Genève), « Moments de crise », sur http://www.amp-nls.org/page/fr/170/le-congrs
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21 de julio de 2014

Hacia las VIII Jornadas NEL. LO FEMENINO no sólo es asunto de mujeres. Claudia Velásquez, Juan Fernando Pérez, Claudia Subieta.


LA EXPERIENCIA CONTEMPORÁNEA DEL ANÁLISIS Y LO FEMENINO[1], por Claudia Velásquez

En lo referente al goce de los humanos-vivientes-hablantes, y más allá del ordenamiento fálico de éste, se abre para el goce un campo caracterizado por:
 
· La potencia de la letra que escribe marcas de goce; frente a la inoperancia de la ley y la dimensión simbólica de la palabra sobre el goce allí presente.

· La existencia de lo Uno del goce; ante la inexistencia del Otro.

· Un cuerpo que se goza; allí donde es imposible la relación, cuando se trata del goce sexual.
 
· El saber inconsciente que se (re)itera cada vez como único; en el lugar del sin sentido del saber inconsciente.
 
· Sinthome constatable; allí donde los síntomas son indescifrables.
 
· Campo no-todo, de trozos de goce, de acontecimientos de cuerpo, de encuentros contingentes…
 
· Es pues un campo de ex–sistencia, es decir, "fuera de", caracterizado por un "hay" propio del goce positivado, que no se deja castrar, limitar, prohibir, restar. Es también un campo del "no hay", del "sin", del "im-", del "in-" cuando se le mira desde el campo que permanece "dentro de" (de la ley, del falo, del NP, etc.)
 
· Lo dicho hasta aquí, para proponer un campo donde situar el goce femenino.
 
Entonces,
 
¿Qué análisis, para un analizante, puede ser aquel de una experiencia tal de este campo del goce? ¿En qué consiste, para un analista, esta práctica analítica que se orienta, en dicho campo, por lo real del goce?
 
En esta experiencia, ¿de qué manera se entra en análisis? ¿Cómo entender ahora el síntoma analítico? ¿Qué transitar para los síntomas y el sinthome? ¿Cómo termina un análisis? ¿Qué destino para el goce?…
 
En esta práctica, ¿De qué manera se implica el analista? ¿Qué lugar para la interpretación del síntoma y la constatación del sinthome? ¿De qué transferencia se trata? ¿Qué es lo que sí opera en esta práctica?...
 
Los invitamos a proponer elaboraciones sobre estas cuestiones y en Lima encontrarnos para avanzar en la investigación de este campo del que ¡apenas si tenemos idea![2]
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Notas:

[1] El texto de referencia para este escrito ha sido el curso, inédito, de Miller: El ser y el Uno
[2] Trabaja en este tema de investigación el grupo conformado por Beatriz García, Julieta Ravard, Fernando Schutt y Claudia Velásquez
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A PROPÓSITO DE LA FEMINIDAD Y LA HISTERIA, por Juan Fernando Pérez 

Es indudable que la histeria plantea la pregunta por la feminidad de manera relevante. Por ello siempre las dos problemáticas, histeria y feminidad, han sido pensadas como hechos conexos, aun antes del psicoanálisis; lo han sido en casi todos los espacios culturales, históricos y clínicos, lo que subraya su significación.
 
En esa perspectiva, los desarrollos de Freud y de Lacan lo precisan y resultan indispensables al examinar el nexo. 

Destaco tres de sus proposiciones, como referencias de base para una investigación al respecto:

1.- Histeria y feminidad
 
Lacan propone en De un Otro al otro: "La histérica, y por eso esta modalidad se da sobre todo en las mujeres, se caracteriza por no tomarse por la mujer".[1] Es una manera neta de reconocer la relación entre histeria y feminidad, de indicar cómo se sitúa una histérica ante lo femenino, de enunciar lo que la histeria comporta para la comprensión de lo femenino, de considerar el no-todo de lo femenino y otros hechos más. Es entonces una base de trabajo para el abordaje del tema.

2.- Un rasgo en la identificación histérica
 
La identificación histérica (y naturalmente la identificación es un concepto importante para el examen de la feminidad en general) es objeto de una larga y rigurosa elaboración por parte de Freud y de Lacan, aun con las reservas de éste en el período final de su enseñanza. En ese sentido el desencadenamiento de la neurosis es una clave al precisar los rasgos propios de la histérica. Uno de ellos es el que nombra el sintagma freudiano, recogido a su vez por Lacan, cuando describe el desencadenamiento de Dora: "descollar por lo insoportable". Freud reconoce así la importancia de la identificación de Dora con ese rasgo de la madre quien, en efecto, solo acierta a hacerse visible a partir de hacerse insoportable. Y ese rasgo sustancial de la histeria, tantas veces evidente, pone plenamente en juego los goces que la definen, por tanto el goce femenino.
 
3.- De la histeria masculina
 
Lacan señala: "¿Y el histérico macho? No se encuentra ni uno que no sea hembra." [2] De esta manera, tajante y precisa, Lacan, al final de su recorrido, sitúa diferentes tópicos ligados a la histeria que incumben al par destacado: de la naturaleza de la histeria como hecho que se haya definido desde lo femenino, la significación de un tipo clínico en la posición sexual, el problema de la histeria masculina y seguramente otros temas.
 
Sean estos algunos elementos y referencias para elaboraciones inscritas en el contexto de las Jornadas de la NEL de Lima 2014.
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Notas:
 
[1] Lacan J. Seminario 16, De un Otro al otro. Paidós, Buenos Aires, 2008. p. 304.
[2] Lacan, J. "Consideraciones sobre la histeria", Bruselas 1977. Quarto No. 90. (Texto establecido por J.-A. Miller).

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ALGUNAS CONSIDERACIONES ACERCA DE LA "FEMINIZACIÓN DEL MUNDO" Y LA "FEMINIZACIÓN DULCE", por Claudia Subieta
Eric Laurent, en el "Otro que no existe y sus comités de ética" [i] plantea que cuando se habla de Feminización del mundo no se refiere "(S)olamente a la cantidad de mujeres que ahora acceden a profesiones antes reservadas a los hombres, ni a las virtudes femeninas (...) la feminización dulce, la virtud femenina, quiere hacernos olvidar a las damas de hierro (...) hay una "relación femenina con la autoridad que no es solamente la negociación". (pág. 108, 109)

Esta "feminización dulce" no opaca el planteo central de la "feminización del mundo" y surge en este marco la relación con lo pulsional y la "relación endeble de la mujer" con el ideal como si lo pulsional fuera predominante, en lo femenino.
 
En este sentido, Laurent plantea también la sensibilidad de lo femenino al significante del Otro que no existe y su debilidad cuando se trata del Ideal, con el que tiene, como bien sostenía Freud, menos relación que el hombre.
 
Laurent como Miller sostendrán en el texto mencionado que las mujeres tienen una relación particular con el significante del Otro que no existe, planteando una dominación del objeto a sobre el ideal. "Ante las exigencias de la civilización cada uno se encuentra como las mujeres manteniendo el derecho y el valor de la relación sexual convertida en modo de gozar. El goce de cada quien que se presenta como un derecho" (pág. 109). Lo que implica para Miller caracterizar la época como el nuevo reino del no-todo en el que será "lógico", entonces, que se tenga en cuenta el fenómeno de la feminización.

Fenómeno de la feminización que viene entonces acompañada de una desregulación, un exceso, ya no es más el amo quien manda sino lo real, lo real que se presenta bajo la forma de capricho, que toma ese carácter ilimitado, absoluto, tenaz, esa ausencia de ley; de ahí que esta "relación femenina con la autoridad que no es solamente la negociación" sino que su contracara es la dama de hierro, pueda pensarse ligada a "si el Otro no existe, por que no yo en su lugar". Lo que plantea la pregunta si desde esta premisa, la del capricho, el exceso, lo ilimitado, se podría pensar a su vez la dureza, rigidez, crueldad de muchas mujeres ubicadas en lugares de poder, entre ellas la mencionada "dama de hierro", y si la feminización contemporánea reside en la extensión de estos rasgo a la esfera de lo social.
 
Esta "relación femenina con la autoridad" abre también a la pregunta por la relación de la mujer con el superyo y este saldo de "odiamoramiento" como rasgo distintivo del superyo femenino, la conservación de las huellas del Odio hacia el Otro primoridal que marca la relación preedipica de la mujer y que lleva a la mujer a esta relación más endeble con la autoridad. 

Estas viscitudes determinaran una particular forma de la mujer con el goce y el Otro y una particular relación con la ley en que "la creencia femenina siempre apunte mas al juez que a la ley". ¿Creencia que podría pensarse como lo que permanece irreductible a la castración simbólica? Pregunta de la cual surge otra: si hablamos de la feminización del mundo ¿podemos hacer una extensión a lo social de este rasgo?, ¿cómo se juega esto hoy en los fenómenos actuales, en la manera que los sujetos regulan su goce, que en muchos de los fenómenos sociales, -piénsese sin más por ejemplo lo que sucede en Venezuela-, se presentan por el lado del exceso?
 
Para terminar: esta interpretación del estado actual de la civilización como la Feminización del mundo, como un modo de gozar, un sistema de distribución de goce, plantea a su vez la pregunta sobre su efectos e implicancias en la subjetividad, en la producción síntomas, en las formas de las identificaciones, en los lazos sociales y amorosos, en los cuerpos en la sexualidad femenina, en sus modos de relación al Otro que no existe, a la autoridad, al Ideal, al goce no todo fálico, ¿cuál el lugar del analista?
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Notas:  

1-. "Lo real y el sentido". Capitulo 5
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 Para mayor información, Usted puede acceder a: http://nel-amp.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1429:jornadas-lima-2014

Twitter: @JornadasNELima

20 de julio de 2014

AMP-WAP: Jacques-Alain Miller: "L’inconscient et le corps parlant”

Association Mondiale de Psychanalyse

Le video de la conférence prononcée par 
Jacques-Alain Miller au dernier Congrès de l'AMP:

est maintenant sur le site:
http://wapol.org/fr/articulos/Template.asp?intTipoPagina=4&intPublicacion=13&intEdicion=9&intIdiomaPublicacion=5&intArticulo=2745&intIdiomaArticulo=5

Watch the video up.

Presentation of the theme for the Xth Congress of the WAP in Rio de Janeiro in 2016

Rather than the icing on the cake, I'd prefer to think in terms of a beverage that I'm about to serve you as an after-dinner liqueur, to wash down the nourishment that this Congress  has given you and to whet your appetites with a thought for the next Congress two years from now. So, the expectation is that I shall set the theme for the next Congress and provide an introduction to it.

I was just thinking how this has lasted for over thirty years, if we suppose that this series of WAP Congresses took over from what were known as the International Encounters of the Freudian Field that began in 1980. So here we are again, up against the same wall.  Mur , the French word for "wall", is the word that has occurred to me, and this is evocative of the neologism that pokes fun at  amour : is it to  amur that I owe the invariable honour that has been bestowed upon me of setting the tone of the symphony, the symphony that the members of the WAP, whom we are, will have to compose over the next two years before we meet again? Is this the doing of transference, a transference that is brought back to the one to whom fell the onus of founding our association so long ago? But as I've just reminded you, the onus of setting a title, a name, or at least a theme, was something that I had assumed before, at the time of the first International Encounter that was held in Caracas, in Lacan's presence. If there is  amur , I would not refer it to the function of the founder, which nothing in our statutes sanctions, I would rather it were referred to the function of a guide, which is a function that I ascribed to myself by giving my Course the title  Lacanian Orientation.

Amur means above all that the wall of language has to be pierced through anew each time in order to try to grasp more tightly, let's not say the real, but rather what we do in our analytic practice. In the end, though, to orient myself in Lacan's thought has been my concern, and I know that this is something we share. In fact, the World Association of Psychoanalysis has no other cohesion but this. At least, this concern is the fundamental principle behind the gathering that we form, above and beyond the statutes and the insurance systems, and even beyond the ties of friendship and sympathy that have grown between us over the years.

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19 de julio de 2014

Hacia las VIII Jornadas NEL "LA ESTRUCTURA DE LA PAREJA Y LA FAMILIA HOY MOLDEADAS POR EL GOCE FEMENINO", por José Fernando Velásquez



El goce femenino ¿qué es? En primer lugar es el campo donde no hay relación sexual, porque a nivel de lo femenino reina el Uno y no el dos. Es el régimen de goce como tal, primario, cuando el goce no está especializado a través del falo[1].

El goce femenino funda el "hay de lo Uno"[2]. El goce femenino rompe la universalidad del Simbólico, lo agujerea con su iteración, con su insistencia. Acá el significante no es de la serie del dos; es un Uno que se repite de forma singular y válida solo para un Uno. Esa repetición de goce fuera del sentido introduce un disturbio de goce[3] en el régimen de goces que el Otro propone.

De allí el desencuentro, el malentendido de goces. De este goce surgen diversas formaciones, en su andar escurridizo deja huellas, trazos, y en ocasiones cenizas o cadáveres: el acto más que el pensamiento, "lo quiero y así debe ser", la astucia con su aporte de invención, la movilidad, la creatividad; y también el estrago en sus diversas formas. Es de anotar que este goce tiende a depositarse en el cuerpo como protesta al Amo. Esto lo podemos corroborar en la relación entre el cuerpo del niño y la madre, y entre el cuerpo de la mujer y el hombre.

Con la caída de los semblantes fálicos que universalizan según los postulados el Amo, queda al descubierto y más potenciado el goce femenino que subraya lo singular y lo autista, lo que conlleva en el lazo con el otro, la segregación.

Esta nueva desproporción entre los goces, en las dinámicas de pareja y de familia  contemporáneas abre posibilidades a nuevas formas de parentalidad y/o el reforzamiento de algunos rasgos de la relación entre los goces al interior de las familias, rasgos que han existido siempre en la cultura. De ello da cuenta la literatura:

1. La exclusión de uno de los miembros de la pareja, generalmente el padre, frente a la consolidación temporal de la posición en la que la madre es el soporte del sistema familiar: Al estilo de Úrsula Iguarán en la novela "100 años de Soledad"

2. O la exclusión de ambos padres, porque ellos están cada uno por su lado arreglándoselas con su goce, y los hijos son criados por agentes externos bien sea de la parentela o del ordenamiento social, lo que a veces provoca o fracasa en su función de anudamiento. Joyce en "El Retrato del Artista Adolescente".
 
3. Querer un hijo a como dé lugar, siguiendo los postulados del capricho de un uno cualquiera, soltero, casado, viudo, homosexual, etc. Esto se opone a otro designio: "no deseo hijos", y muchas veces, en cualquiera de las dos situaciones, se desbarata la pareja.

4. La tendencia a la debilidad de la posición masculina frente a la fuerza y contundencia de la posición femenina: una pareja al estilo "Macbeth" y Lady Macbeth, Ella lo lidera, lo empuja, lo precipita. Las mujeres tienen una particular disposición para encarnar el superyó de un hombre.

5. La relación familiar se constituye a partir de un error del destino, de un accidente, de un impulso, de un "encarrete" y una elección que no se sabe, y que dura mientras dure el primer impulso. "No nacimos pa´semilla".    

6. La tendencia de la mujer actual a no ser ya la única para un hombre, al estilo de la mujer que Lacan comenta en el Seminario 8[4]. En el díptico de Catherine Millet, el primero, llamado "La vida sexual de Catherine M.", cuenta con detalles todos sus encuentros sexuales con personalidades de la vida francesa y europea; la participación en encuentros por fuera de la forma propuesta por la estructura social; y en el 2008 publica "Celos", en el que da cuenta de su obsesión angustiada por los amoríos de su esposo. "Habría querido acceder a la totalidad de sus agendas durante años, a su empleo del tiempo hora por hora". Y concluye: "Es más fácil tirar con mil extraños que tener el corazón en una sola persona".[5] Es una cita paradigmática para nombrar lo que sucede con algunas de las parejas de hoy.  

7. La segregación del goce del niño puede dejarlo en el marginamiento del discurso familiar y tomar las vías del síntoma en lo real, como la hiperactividad, la farmacodependencia, la disfunción académica o cualquiera de los síntomas contemporáneos que tachan y cuestionan el sentido y los ideales. 

8. La auto-segregación experimentada como soledad por mujeres cuando han terminado su trabajo y su función materna. No viven su estado como una elección sino como frustración.

Destinos de un real que toma forma de yo ideal como el joven al volante de su pequeño auto deportivo, con los riesgos y con el sentido que cada uno puede darle.

Notas:
[1] Miller, J. A. "El ser y el Uno", inédito, Clase V, del 2 de marzo del 2011

[2] lo demuestra Lacan en el Seminario XIX.

[3] Miller, J. A. "El ser y el Uno", inédito, Clase VIII, del 23 de marzo del 2011

[4] Lacan, J. "El Seminario VIII, La Transferencia". Buenos Aires, Paidós, 2003. Pág. 380. , "La transferencia", presenta un recorte clínico: "Déjenme hablarles del caso de una paciente. Digamos que ella se toma más que libertad con los derechos, si no con los deberes del lazo conyugal, y que, Dios mío, cuando tiene una relación, sabe llevar las consecuencias hasta el punto más extremo de lo que un cierto límite social, el del respeto ofrecido por la fachada de su marido, le ordena respetar. Digamos que es alguien, para decirlo todo, que sabe sostener y desplegar las posiciones de su deseo admirablemente bien. Y prefiero decirles que con el pasar del tiempo ha sabido mantener en el seno de su familia, quiero decir sobre su marido y sobre sus amables retoños, completamente intacto el campo de fuerzas, de exigencias, estrictamente centradas sobre sus propias necesidades libidinales. Hay mujeres que tienen éxito, con la sola excepción de que ella, sin embargo, necesita un análisis"

[5] Millet, C. "Celos: la otra vida de Catherine M". Anagrama. 2010. 



Twitter:  @JornadasNELima