15 de noviembre de 2014

LACAN COTIDIANO. Hélène Bonnaud, Élise Clément, Ana Victoria Saldarriaga.

A criança rei
Uma família para todos...,
A crônica de Hélène Bonnaud 

A criança de hoje é uma criança rei? Teríamos tendência a acreditar nisso pelo tanto que a nossa sociedade considera a criança como um bem supremo, a ponto de, como nos releva Philippe Hellebois no Blog das Jornadas da ECF1, um Japonês ter feito disso coleção procriando uma trintena de crianças para o bem da humanidade. Passamos então de um bem pessoal que é ter uma criança a um bem globalizado, o que, claro, não é do mesmo registro. Para um resta, modestamente, o desejo de criança para si, para projetar e perpetuar sua descendência.

O outro destaca, num ato no mínimo surpreendente, pois trata-se de programar os bebês de si mesmo para oferecer à humanidade, como expressão de seu ego.

Ao contrário, a mãe de uma criança de 4 anos conta, no rue 892, a maneira como suas viagens no TGV foram ocasiões de repreensões dos viajantes que estavam a sua volta, ligados no fato que «seu filho fala muito alto», alguns davam-lhe até uma aula  de educação para que ensinasse o filho a não falar todo tempo, nem tão alto. Ela se surpreende, não entende que não suportem as conversas de seu filho. Na verdade, podemos as vezes observar uma criança falando sem parar, tomando o mundo inteiro como seus pais maravilhados pelas suas palavras. Isso é um fato, que temos que ensinar às crianças, a falar baixo para não incomodar as pessoas em volta, as que são estranhas. Esta noção de estranho não é fácil, mesmo se René Spitz descreveu muito bem o momento da evolução onde a criança chora frente a um estranho, na idade de mais ou menos 8 meses. Mas, esta experiência cede e a criança acaba por confiar nos estranhos assim que falam com ele e se interessam por ele, os identificando frequentemente como pais em potencial. A mãe em questão, no seu testemunho, se espanta pela intolerância de certos viajantes que não suportam serem incomodados por uma criança de 4 anos. O que a revolta é que lhe disseram que ela trata seu filho como uma criança rei...

Assistimos então a uma pequena guerra entre os velhos modelos educativos, que consiste em ensinar aos filhos as regras de vida em sociedade, e os novos, que considera a criança como uma pequena pessoa que tem o direito de se exprimir alto e forte - é tão instrutivo ver que os pais de crianças que falam alto, frequentemente falam eles mesmos alto, como uma forma de demonstração orgulhosa do que é saber falar a seus filhos. Viajar de trem é bem edificante sobre este assunto. Assistimos a cenas da vida cotidiana que nos dizem da intolerância frente ao barulho dos outros, cada um tentando achar a sua tranquilidade, pois, nos trens hoje em dia, cada um está com seu computador ou tablet, instalado para o tempo de viagem, sozinho, pacificamente, gozando de sua própria solidão. E é - aqui está o ponto de não retorno - a satisfação do silêncio. A criança é então um objeto que incomoda, pois fala muito. Certas pessoas mais velhas também, falam alto e muito. Ai está, a criança e a velhice têm sérios pontos em comum.

Michel Onfray tem também saudades do passado, de sua escola, esta que lhe permitiu aprender e tornar-se o que é. Obrigado à escola republicana que permitia às crianças saírem da ignorância para encontrar o gosto do saber.

Mas, para o Sr. Onfray, esta escola está morta. No artigo «Autobriografia no quadro negro»3, ele pinta um retrato acre da escola atual onde a nostalgia de uma época se fazia entender nas considerações sobre as mudanças operadas após maio de 68. Considera que os métodos atuais de aprendizagem não têm mais a virtude que abre para desejo de saber. Aprender de cor, aprender a ler pelo método silábico, a ortografia graças aos ditados, etc., eram métodos que permitiam engrenar o saber. Hoje, ele denuncia: «E se na escola, no lugar da teoria do gênero e da programação informática, aprendermos a ler, escrever, contar e pensar?», o que o Monde4 retoma recusando o bem-fundado de seus propósitos. E acrescentar aqui a frase que ele proferiu na France Inter, explicando: «é questão [no comitê interministerial] da teoria do gênero, não sou responsável de nada que vem dos Estados Unidos. Estou ainda surpreso que me digam que a natureza não existe e que somos seres de cultura.»

Ah, aqui estão de novo os fantasmas sobre o que devemos ensinar às crianças referente ao gênero delas... Verdade que isso não se aprende na escola! Mas a escolha do gênero se fortifica no pátio do recreio... O que se aprende sobre sexo passa pelo que chamamos de identificações. E essas são muito potentes, pois, apesar do que avançamos em relação à igualdade entre os sexos, os meninos amam futebol, e meninas bonecas. Existem certas exceções, cada vez mais numerosas, pois hoje em dia respeitamos o direito das crianças de escolherem suas preferências. Assim, a educação não obriga mais a ser totalmente conforme os discursos dominantes sobre as atribuições próprias a seu sexo biológico. As crianças têm a experiência do próprio gênero na vida escolar, pois reina ainda um gosto feroz pela diferença dos sexos... Que devemos pensar sobre isso? Que as crianças são incrivelmente machistas? É a relação ao falo que os governa. Lacan, no Seminário …Ou pior, diz claramente: «A coisa mais clara que nos aparece, é que um ser vivo não sabe sempre muito bem o que fazer com um de seus órgãos. Talvez seja a evidência, pelo discurso analítico, do lado do embaraço que tem o falo. Não podemos dizer mais nada além disso - existe uma correlação entre isso e o que se fomenta da palavra.»5 A palavra é então o que determina o saber sobre esta questão dos sexos. A palavra é então a cultura. É alias a ambição dos ABCD6 de ter querido captar, no discurso das crianças, como se aprende a ler seu sexo, quer dizer fazer disso um saber que leva à consequência.

Mas para isso, teria sido útil ler Lacan, ao menos para aprender que o sexo biológico, ao ser nomeado, falado, experimentado, amado, dividido com outro, etc., não é suficiente para a escolha que um sujeito pode fazer, simplesmente porque ele correlaciona sua palavra singular a nenhuma outra igual.

Como a criança no trem, ele pode falar alto e forte, isso incomodará os vizinhos. Mas ele continuará sua estrada. 

3 Onfray M., « Autobiographie au tableau noir », Le 1, n°23, 10 septembre 2014.
5 Lacan J., Le Séminaire, livre XIX, … Ou pire, Paris, Seuil, Coll. Champ Freudien, 2011, p. 76.
6 Cf.  Bonnaud H., « Après la guerre des sexes, la guerre des genres ! », Lacan Quotidien, n° 381, 5 mars 2014.



Near death experience ou quando falar salva do grande salto, por Élise Clément

Near death experience de Benoît Delépine e Gustave Kervern abre sobre um "genérico elétrico", à guisa de preâmbulo, onde planos cinza-negros alternam-se com clarões no céu, iluminando os galhos sem folhas pela tempestade e deixando somente tempo de ler, nessa penumbra difícil, a trilha sonora - de Schubert a War pigs de Black Sabbath –, que sublima perfeitamente a imagem sempre desfocada, como o personagem «tragicamente desfocado», não mais que os nomes a quem devemos a existência dessa detonante cruzada ao pé da montanha Santa Vitória, na busca do possível momento de se suicidar. Porém, mesmo que assombrado por este desejo, sabemos quando a pulsão aí o precipita? 

Paul, funcionário de uma plataforma France-Telecom - um acaso a escolha da sociedade? –, abandona sua existência que ele tinha assim pensado: «tranquilo em família, tranquilo no trabalho, tranquilo na minha cabeça. Eu até consegui gostar de meus colegas. Eu que não gostava de amizades. Sorria nas brincadeiras do escritório. Um milagre! Mas tudo isso afundou. O muito cheio, o muito vazio». É para Houellebecq que os dois ex-Groelandeses escreveram os monólogos e filmaram este filme, inspirados na experiência real de um homem que viveu cinco meses na montanha provençal. A confissão deles, para imortalizar o escritor em seu corpo! Houellebecq oferece uma performance absolutamente genial, de um homem que largou as amarras da civilização made in século XXI, intimando cada vez mais ultrapassagens de si, alienante pelas palavras de ordem de um consumo a todo preço, suas injunções sobre o corpo, sua imagem, sua saúde, e que, apesar das tomadas de natureza e um gozo que não se ordena mais nos pequenos arranjos de sua vida, tenta alojar o seu corpo de homem em uma errância quase dançante, imitando os animais do lugar. «Um pai morto, vale mais que um pai sem vida?», lança a questão aos seus filhos na aventura ante-mortem.

É pelos acting out, o salto impossível no grande vazio sublime da montanha - não tão solitário, na natureza - é pela voz-off de Houellebecq sussurrando com uma voz quase infantil, absolutamente emocionante, que Paul nos conta de seu exílio e de sua vida passada, sob o sol, «que ele evidentemente se acha lindo»! Ele pode dizer enfim com profundidade, simplicidade e poesia o que habitava silenciosamente seu corpo enroscado nele mesmo, grudado no controle remoto para enganar o tédio, diluindo a angústia em copos de vinho, fugindo nos banheiros, para um pouco de descanso solitário, este real que o deteriora e que nomeia como sendo aquele de um homem que se tornou «obsoleto» aos 56 anos, e que vive como «dejeto».

Da alienação profissional às miragens de uma vidinha bem tranquila, quando o véu se rompe sobre «a inefasta e estúpida existência» – mais cruamente ainda para os que são submetidos à tirania da demanda do outro, do cliente, e a do chefe que canta o ritmo da repetição -, este filme performático coloca em corpo e em palavra o que as vezes não se encontra  meios de dizer, ou não se ousa dizer, ou ainda não sabe a quem se endereçar... e pode então terminar na passagem ao ato. Paul o exprime assim: «Paul, decididamente tu falas demais, e tu não te suicidas o suficiente!» E é de maneira esperta e involuntária, mas reagindo à voz do outro, afligindo por sua banalidade ainda que querendo ser amável, que Endorfina não lhe dará mais do que dois minutos em sua companhia...

Se o burlesco do personagem não apaga a gravidade de sua experiência, nem a sua carga política, algumas passagens são de dar gargalhadas, principalmente quando Paul, leve, tenta as variações da «a vida deve ser inebriante» ou se joga o joguinho da barbicha! Uma farsa mortal, metafísica e política, este NDE. 



Do saber e da verdade em uma conversação ordinária, por Ana Victoria Saldarriaga

A autora deste texto narra uma pequena aventura lacaniana. Que ela aprenda, neste momento, a língua francesa tem toda a importância. Em concordância com ela, a redação de Lacan Cotidiano manteve a versão original de seu texto. A arte do bem dizer que se aloja ali reforça a proposta, a saber, a disjunção entre saber e verdade.



Eu tinha escutado pela Radio Lacan1 a quarta sessão do Seminário XXIV Seminário de Lacan, L´insu que sait de l´une-bevue s´aile a mourre (1976-1977)2. Seu título, «O saber e a verdade não tem nenhuma relação entre eles», é uma afirmação difícil de esquecer. Eu me dizia: aí está mais uma lição de Lacan que vai me demandar tempo para começar a compreender! Uma conversação ordinária, sustentada dois dias depois, me deu a ocasião de me aproximar desse instante de ver. Apesar das minhas limitações na compreensão da língua francesa falada, ainda mais quando vai rápido demais e, às vezes, nas gírias dos jovens, eu acho que pude salvar as coisas essenciais desta conversa memorável para mim, e aliás, distinguir suas fronteiras de ponto de vista do discurso analítico.

Eu peguei carona até Combourg. O último passageiro sobe em Rennes. Sentou-se do meu lado. Um instante de polidez e, depois, vemos um jovem homem negro, alto, magro, de rosto simpático mais bem agitado, nervoso, excitado. Como de hábito, quando pegamos carona, conversamos sobre o que fazemos na vida.

O menino ao lado da condutora trabalha com materiais da indústria de aviões. Ela, no controle do açougue de uma indústria agro alimentar. Antes que ele me pergunte e para evitar o desdobramento de prestígios de meus estudos frente aos dele, o que me parecia não ter muito, eu pergunto o que ele faz na vida. Ele responde: «sua arte», quase de maneira inaudível. Pergunto o que quer dizer «sua arte». Ele explica que faz desenhos e que tem diversos deles na sua mala. Depois nos pergunta, ainda na mesma excitação, das nossas origens. Os dois jovens nasceram em vilarejos da Bretanha. Eu respondo que venho da Colômbia e pergunto sobre ele. Ele me responde, mas não entendo e peco para repetir, por favor. Ele fica um pouco incomodado. Explico que estou aprendendo a língua francesa. Mas não tem efeito nenhum, ele me olha como se não tivesse compreendido que eu não tivesse compreendido. Então, é a condutora que me repete. Ele é de uma cidade da França também. Diz também alguma coisa de Camarões e do Congo. Eu não entendi. Mas me calo. Seu discurso é agitado e alguma coisa deve dizer respeito às suas origens.

Além disso, bate de maneira compulsiva e forte no teclado de seu telefone celular sem ligar para ninguém. Depois, pergunta aos jovens na frente do carro sobre o trabalho de cada um, como se tivesse esquecido as respostas. O menino responde. Eu acho que neste momento eles entenderam que tinha algo que não ia bem com este garoto simpático. Ele pergunta algo ao menino sobre motores. Ele responde sem complicações, mas o jovem se engaja em uma conversa quase que delirante sobre sua teoria da energia. Para ele, as coisas são simples, tem uma energia livre na natureza que devemos aproveitar e uma outra que o homem que criou. A menina explica que devemos colocar gasolina para que a energia atue e que a energia não se cria, que ela se transforma. Ele toma também o fio das energias renováveis e a energia nuclear. Mas inútil, as questões do jovem vão sempre em outra direção, a de seu delírio, se podemos dizer assim, de sua certeza, fora de todo discurso escolar ou ecológico. Eu perco o fio da discussão pensando que ela é incrível!

A condutora diz que é uma questão para mim. Saindo de minhas reflexões eu pergunto o que. Ela me diz que o jovem me perguntou qual o segredo para ser feliz. Ah!, eu exclamo. Ela lhe explica que sou eu que devo responder pela minha profissão, psicanalista. Ele me pergunta o que é isso. Eu digo que é uma espécie de psicologia e sem mais explicações, respondo: «Para sermos felizes na vida devemos fazer aquilo que amamos».

E acrescento, lendo o que no fundo dele deve ter a ver, frente aos outros dois jovens, que ao contrario dele, têm a disciplina do trabalho:

«Pois, se fazemos o que amamos, o faremos bem e teremos o dinheiro que precisamos. O inverso não funciona».

Todos consentem comigo e o jovem se tranquiliza. Ele se cala, descansa em sua cadeira e reflete, mas sem a inquietude de antes. Diz que é verdade, mas que dá medo. Eu consisto e lhe digo que, de toda maneira, encontraremos a coragem para fazer. Ele fala com a menina da frente sobre as coisas bizarras que dizem as crianças para crescerem. Depois diz que no Congo tinha uma mulher que sabia tudo. Eu estava silenciosa, mas me escutam: «Ah, não, isso não é possível!».

Ele diz que sim e desiste da conversa sobre o aprendizado. Diz que aprendemos muito quando viajamos. Todos estão de acordo. Mas há algo que insiste. Ele pergunta a idade dos outros. Eles tem 26 anos. Ele tem 25. Mas estava como se tivesse que saber tudo ou em frente de alguém que transbordava de saber. Digo que não podemos saber tudo, que aprendemos todos os dias e aos poucos. Eles são jovens e têm toda a vida para aprender. Vejam eu, na minha idade, vim da Colômbia para aprender a língua francesa, podem ver meus cabelos brancos. Então, ele me olha calmamente e nos conta que ele conheceu «um único colombiano na vida». Era uma história estranha. Mas, tratando de colocar esse colombiano em uma relação imaginária com ele mesmo.

Ele termina a sua história. Ninguém pergunta nada. Ele se entende na sua própria palavra. Depois, ele pergunta minha idade. Respondo, 54. Em seguida, pede para ver minha mão, eu dou. Ele vai ler as linhas. A linha da vida, eu terei uma vida dupla ou tripla. Na linha do amor, eu pergunto se terei outro amor e ele me responde que já tem amor na minha vida. Eu consinto. E na linha da sorte ele exclama: «Mas você é uma sortuda!». Respondo: «Sim. Verdade. Tenho sempre sorte na vida!».

Ele me pergunta por quê. A primeira coisa que me vem à cabeça é um livro que encontrei por acaso em uma manhã em uma pequena biblioteca de uma cidadezinha: «O museu de pipi, cocô»3. Mas, desta vez minha resposta não foi boa. De fato, ele respondeu excitado que tinha duas mães e dois pais e que não entendia nada! E que tudo era um problema na sua cabeça! Então, entendendo o meu erro, lhe digo que sou uma pessoa de sorte, porque eu sempre pego boas caronas. Ele me olha e acrescento que, ao contrario, minha sobrinha, por exemplo, teve uma experiência ruim pegando carona. Ele me pergunta onde está minha sobrinha. Digo que está também na França, estudando Francês porque ela não sabia. Ele se acalma, então. E alguns minutos depois nos pergunta: «O que é para vocês o sucesso?». O outro menino e eu respondemos juntos: «Ser feliz!».

Ele reage como se não esperasse esta resposta, mas tranquilizado. A menina consente também. Ele fala consentindo com o outro menino, e lhe pergunta alguma coisa incompressível para mim. Mas ele me olha amavelmente e traduz, jogando com as palavras: «C'est ça est çaest».* (Isto é, é isto)

Alguma coisa mudou em relação ao episódio de sua cidade de nascimento. A conversa continua sobre fazer o que amamos. A menina lhe diz que para fazê-lo precisamos: «Parar de fazer perguntas todo o tempo!!»
Então, ele se sobressalta, joga o telefone celular ao seu lado e, se mexendo inquieto na cadeira, fala palavrões: «Puta! Merda!».

Ela tinha tocado, sem dúvida, um ponto sensível nele. E ele não sabia o que dizer. O tinham lançado uma vez mais na areia movediça. Assim, lhe digo para trazê-lo de volta a terreno firme de sua arte: - «Mas sabemos fazer o que amamos».

Ele me olha completamente aliviado. E terminamos a viagem tranquilamente. Ele nos disse que vinha a Nantes se encontrar com uma amiga. No fim do trajeto, ele me diz com voz calma e sincera: obrigada. Não tinha uma outra razão além das palavras que eu pude lhe dizer.

Depois: sim, este menino me ensinou a diferença entre a verdade e o saber. A verdade estava do lado das perguntas sobre a existência, tal qual Lacan nos ensina em Sobre uma questão preliminar... Tudo o que tocava suas origens, seus pais, as questões sem fim, o levavam à inquietude, a um saber insuportável, situado na cadeia significante. Mas o saber suportável para ele estava do lado da existência mesmo, do real enquanto tal, do lado de sua arte, do que ele sabia fazer com seu gozo e o que o agarrava a vida. Não precisamos lhe perguntar mais.

E acredito, então, que eu começo a entender porque saber e verdade não têm nenhuma outra relação entre eles. O primeiro está do lado do simbólico, da cadeia significante, e o segundo do lado do real. Mas é  somente o instante de ver. Eu paro aqui. 


1 http://www.radiolacan.com/fr/topic/219/2 , 11 de setembro de 2014.
2 11 de janeiro de 1977
3
Andrews S., Pipi caca au musée, Éditions Palette.


 

Tradução: Fernanda Azevedo Turbat
Comunicação: Maria Cristina Maia Fernandes


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