8 de abril de 2014

A Grande Conversação da Escola Una - Elisa Alvarenga


A Grande Conversação da Escola Una 
Flashes


Sobre a supervisão
 Elisa Alvarenga

O Conselho da FAPOL organizou e discutiu, durante o ano de 2013, um dossier sobre "A arte da supervisão", a partir dos informes dos Presidentes e Diretores das três Escolas da América, a EOL, a EBP e a NEL. A fórmula me pareceu oportuna para dizer de uma prática que não é uma ciência, mas comporta a invenção. Nosso objetivo é provocar, nos praticantes de cada Escola, o desejo de supervisão, longe da qualquer standard ou imperativo. 
O tema do Congresso da AMP, "Um real para o século XXI", coloca a supervisão da prática analítica na ordem do dia, pois trata-se de verificar o real aí em jogo. Se, como disse Lacan, os analistas operam contra o desconhecimento próprio ao real, a experiência da supervisão é uma maneira de fazer de nossa prática algo transmissível, e de proteger o paciente dos seus efeitos, pelos quais se responsabiliza a Escola.
Desde o ano 2000, Jacques-Alain Miller se perguntava se o trajeto do praticante não é marcado por momentos cruciais, como sua análise, que se verifica no passe. A supervisão teria funcionado como inspiração para Lacan fundar esse dispositivo.
Em cada uma das três Escolas da FAPOL, a supervisão se realiza mais como tuché que como automaton. Muitos supervisionam quando viajam para suas análises ou Encontros da Escola, ou quando recebem um êxtimo em suas Sedes. Mas há também os que supervisionam regularmente, especialmente os mais jovens.
Vários testemunham sobre os efeitos da supervisão, não apenas em sua prática - na direção do tratamento e na posição do analista - mas também em sua análise. Caberia dar mais lugar a uma política da enunciação dos analistas enquanto supervisores e supervisandos, colocando em evidência a orientação para o real do sintoma, assim como a relação do analista com a própria psicanálise.
A supervisão é infinita como a formação do analista, e tem a ver com o desejo de reinventar a psicanálise, levando em consideração as mudanças no mundo. Nesse sentido, deveríamos admitir novas variáveis nos modos como os jovens começam seus estudos, suas análises e sua prática, para promover o desejo que motoriza a formação?
Considerar o desejo do analista e seu ato localiza a supervisão como uma necessidade ética. Trata-se de saber que dose de saber convém, para não suturar a hiância que funda o ato. A supervisão leva, por um lado, a fazer uma aposta no inconsciente transferencial e na particularidade estrutural do sintoma, e por outro, se orienta pelo inconsciente real, pelo que se repete, sem sentido, e obriga o praticante a manter-se à distância do esforço de curar, mas perto do desejo de encontrar, em cada caso, o nó que convém.   


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