29 de abril de 2014

LACAN COTIDIANO N. 353 - PORTUGUÊS


 

Quarta-feira, 13 de novembro de 2013 – 18 h 34   [GMT + 1]
NÚMERO 353
Eu não perderia um Seminário por nada nesse mundo — Philippe Sollers
Nós ganharemos porque nós temos outra escolha — AgnÈs Aflalo
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- Homenagem a Patrice Chéreau -
Documento
Figurino de Jacques Schmidt
por Jacques-Alain Miller

Escrito em janeiro de 1973 para o programa de Toller,
Direção de Chéreau em Villeurbanne.

Com estas palavras, «Jacques Schmidt» avança e diz (trata-se do ator que interpreta o papel deste personagem, e não do seu modelo. Este, neste exato momento, se levanta e, para não ser testemunha, sem dúvida, das ações do seu duplo, sai lentamente pela porta do fundo):
            «Figurinista, a seu dispor. Minha indústria é humilde e minha grandeza, secreta. Eu forjo corpos para os teatros. Permitam-me esta noite celebrar meus estratagemas.
            Eu surpreenderia, talvez, se dissesse que sei, melhor que um filósofo, o que vem a ser um corpo. Um corpo nada mais é que aquilo que vê aquela pessoa que olha para vocês, – uma imagem portanto, a mesma que, entre você e você mesmo, se interpõe no espelho – efeito de miragem onde você reconhece sua aparência, você a ama, este espantalho, meus pobres pardais, porque seu «eu penso», ele, do outro lado do espelho é sem reflexo. É porque, entre parênteses, eu aprovo que Carlyle exponha as doutrinas extremas do idealismo germânico pela boca de Teufelsdröck, filósofo das roupas. Seu envelope faz toda sua substância sem o corpo que lhes vestem, queridos, vocês não são ninguém. Na cena deste mundo, lhes é necessário, custe o que custar, manter seu papel dentro do figurino do divino Fripier – mas poderá ela jamais, esta roupa fora de moda, lhes cair como uma luva? Experimentar a roupa fez falta…
            Aí estão os sacos de pele que eu teatralizo, fazendo cada um se apropriar de seu próprio corpo. Apreciem o feito.
            Eu não tenho, como outros, maquetes para mostrar. Nenhum projeto preconcebido. Eu esculpo na hora. Não são ficções de um escritor que eu visto, mas os corpos que as habitarão, Fulano ou Sicrana, que me são entregues em sua simples nudez. Eu convivo com esses corpos, eu me misturo, eu me esfrego neles, eu observo os anglos que fazem este braço que se estende, firme ou lânguido. Quem é mestre convoca a seu grado os trajes do passado, os eterniza, dá sentido aos disparates, e desencadeia, enfim, os turbilhões da incessante alusão. As formas, a partir daí, derrapam, são evocadas e comunicam.        
Quando eu o capturo, este corte fugaz, não há tecido onde eu não o possa infundir. Este smoking é um pouco Renascença, não acha? E este gibão, é quase um fraque. É que eles modulam a mesma essência e o corte lhes são comum. Só preciso reduzir um pouco a gama de cores, economizar nas matérias primas e o heteróclito se torna clássico. O incongruente pelo incongruente, escola surrealista, faz rir.
Mas o estranho aqui é que o incongruente que eu produzo seja, de cara, tão familiar para vocês. Temam em ouvir a razão disso : essas figuras, sucessivas no palco da história, elas nunca deixaram de ser contemporâneas em outro palco que não conhece o tempo e onde, vocês também, sem o saber, estão inscritos. Olhem! Peduzzi lhes estende o espelho.

            ("Jacques Schmidt" vocifera agora.)

            A verdade não escapa daquilo que sai da boca, pequenas falácias de consciência de si. Quando eu dobro, quando eu visto ou quando eu aperto, quando eu forro e quando eu ajusto, eu digo tanto quanto e até mais que mil frases de todo o seu latim. Antes mesmo que você fale, sabemos o que você vai dizer. O tule com o qual eu anuvio você ondula diante de suas nádegas. Vemos perfeitamente que você crê que você é, e que você crê que você é você mesmo. Mas você nada mais é que esta fivela que cintila, este reflexo do cetim, esta fita brilhante, sobre a qual paralisam os olhares magnetizados.

            (Exausto, "Jacques Schmidt" se dobra em dois, e murmura, como se fosse para ele mesmo.)

            Quando, do alto de sua torre, se desenrola e pende sua longa echarpe branca imaculada, quem é o duque de Guise, senão… ela ?
            E se me acusam de ser esteta, minha resposta está na ponta da língua : uma peça de teatro, rendilhado de discursos, não tem um só sentido. O que é tramado em cena, ninguém o controla, eu acompanho esta perna que avança, se desequilibra, trisca o chão ou aí se firma, eu analiso como, ao tronco, a cabeça, os membros são costurados, e o jogo que eles têm e até onde, quando projeta a voz, o peito infla. Eu aprendo assim os segredos dos figurinos da carne.
            Eu seria dispensável, sem dúvida, se vocês, atores, soubessem mudar sua cor quando estão apaixonados, se confundir com o fundo do cenário, ou ainda brilhar ou empalidecer quando bem quisessem. Mas é de mim que vocês obtém o mimetismo fascinante, e sou eu que, soberano, lhes confere as aparências exigidas pelas funções das quais vocês são responsáveis.
            Às vezes, me parece que eu me igualo ao poder dos sonhos. Eu não reproduzo, eu transponho. Meu olho e minha mão encontram uma verdade que transmite a exatidão. Admirem como, sobre o manto régio do sedutor Lélio, eu transplantei uma máscara dos anos 1930. Mas porque este ser compósito, inteiramente metafórico, ficava tão bem junto? É que, desde o início dos tempos, este traje e este rosto haviam sido prometidos um para o outro, e haviam se perdido no curso da história, e se reencontram aí, através da minha arte, suscitando assim um sentido que até então nunca tinha aparecido. Eu sou aquele que prova o parentesco geral das roupas.
            Posso, sem desagradar, ser axiomático ? Eu formulo :
            Para metamorfosear um traje, é necessário e suficiente descobrir-lhe a essência.
            Toda forma significativa se reduz ao emblema que a cristaliza. Eu isolo este traço precioso, eu o destaco de seu suporte, eu, a partir daí, sou senhor para colocá-lo em outro lugar, para combiná-lo a um outro, ou de o deixar, hipertrofiado e solitário, absorver o olhar de vocês.
            Todo traje, mitigado das padronagens que o carregam, deixa ver a ideia que ele tem como suporte. Eu não saberia dizer qual é, apenas meu olho e minha mão a penetram. Esta ideia não é a tesourada que fende e corta o tecido, nem a forma acabada que vocês vêem em cena, ela está entre. Na falta de coisa melhor, eu a chamo de: o corte. Mas cada papel rivaliza, narrando-lhes sua fábula, em impor sua versão à história. O sentido do acontecimento é o embate de discursos concorrentes, e esta luta faz o próprio acontecimento.

            (ele se levanta.)

            Patrice Chéreau, esta noite diante da parede espelhada, faz confrontar os egoísmos. Porque, como diz um Doutor : "todo homem leva para passear uma estátua ignorada". O Vulcão da ronda deseja a vocês uma boa noite».

Texto descoberto por Fr. Regnault
Lacan Quotidien convida vocês a reler «Patrice Chéreau», por François Regnault que menciona Toller (LQ 344 de 13 outubro de 2013)
- Entrevistas na Feira do livro de Brive, por Philippe Bouret -

É como uma ladainha que retorna sem cessar 
Jean-Louis Debré*



Jean-Louis Debré, caneta na mão, não para de assinar suas obras cuja pilha diminui a olhos vistos na Feira do Livro de Brive. Eu observo de longe este « Escravo da sessão de autógrafo » (1). Gente demais ! Um pouco de emoção também ... Enfim, eu desisto. No dia seguinte, 9h00, ele já chegou. Diacho, ele está sozinho ! Sou recebido com um sorriso. Nós conversamos sobre o prgrama das Jornadas da ECF. Nós evocamos a questão do traumatismo. De repente ele me diz, você tem alguma coisa para gravar ?

Jean-Louis Debré — O traumatismo é muito difícil de definir. Porque, naturalmente, existe aí a apreensão de uma sensação, de um choque, mas cada um pode reagir de acordo com a sua personalidade. Este choque , esta impressão, esta sensação que fere criam um traumatismo. O traumatismo, c'est quelque chose dont vous avez du mal à vous débarrasser parce qu'il est au plus profond de ele mesmo, ele o toma. Então isso se torna para mim uma espécie de obsessão. É necessário tentar sair desta obsessão. É como uma ladainha, que retorna sem cessar. Para alguns, isto pode ser apenas um pequeno fato.

Philippe Bouret — Uma ladainha ?  Existiria, na sua opinião, alguma coisa da ordem da repetição, alguma coisa que voltaria, sempre, ao mesmo lugar ?

J-L. D. — Você tem razão. A vida é uma sucessão de traumatismos. Evidentemente, nem todos nos marcam de uma maneira importante. Meus romances policiais, eu os escrevo depois de traumatismos. O livro que eu escrevi Regard de femme[*] (2), de que se tratava ? No começo, é um Misnistro do interior que cruza o olhar de uma mulher, por alguns segundos. E ao olhar nos olhos dessa mulher ele tem o sentimento de que ela veio para assassinar-lhe. E isso cria uma obsessão… [Silêncio] uma obsessão…[Silêncio]
Ph. B. — Isto já lhe aconteceu ?
J-L. D. — Todo político, no momento em que ele vai a uma manisfetação ele cruza com olhares hostis. É normal. Mas aí, um dia, eu era Ministro do Interior – eu cruzei com o olhar de alguém, uma fração de segundo, e eu vi tanto ódio, tanta hostilidade, agressividade que depois, eu escrevi esse romance. Então, naturalmente, não existia nenhum fundamento, eu criei o meu traumatismo, porque é nisso que é difícil de definir o traumatismo. Existem pessoas que estão a procura do traumatismo, que só vivem criando traumatismos. É isso !

*  Jean-Louis Debré é presidente do Conselho constitucional desde 2007. Ele foi presidente da Assembleia Nacional de 2002 a 2007. Anteriormente, ele foi ministro do Interior durante a presidência de Jacques Chirac de 1995 a 1997. « Francesa, Francês » Esses discursos que marcaram a V República (Paris, L'Archipel, 2013) coletânea de textos que ele escolheu e apresenta.
(1) Marianne Payot, L'Express, 12 de julho de 2013.
(2) Jean-Louis Debré, Regard de femme, Fayard, 2010.

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A psicanálise me colocou no mundo 
Yann Moix*




Philippe Lacadée (1) na Feira do livro de Brive : « Venham, eu tenho um cara para apresentar para vocês. E preciso entrevistá-lo, ele tem coisas apoixonantes a dizer sobre o traumatismo e sobre a psicanálise ». Yann Moix, escritor de olhar poderoso,de voz potente, de fala rápida e incisiva. Nada de tempo vazio, nada de hesitação, ele manda ver para falar do século xxi. Eu olho o seu livro, Naissance[†]. Mazette, Prix Renaudot 2013. Eu pego o calhamaço nas mãos (1200 páginas).

Philippe Bouret — Philippe Lacadée me disse que o senhor era imperdível. Eu penso que ele tem razão. Um título curto para um livro longo. Naissance… (Nascimento)
Yann Moix — O traumatismo para mim faz referência a um episódio cuja palavra ainda falta encontrar. Ou seja uma espécie de acidente biográfico do qual o dizer deve ser construído e que, a priori, não pode ser dito pelo discurso. Então, é necessário encontrar uma palavra para dar-lhe uma forma e, portanto, muito tempo é da ordem do inexprimível, do impossível a dizer. O traumatismo só é encontrável no momento em que a palavra para descrevê-lo se desvela. E, portanto, isso pode levar uma vida, isso pode nunca se realizar. Isso pode passar pela psicanálise ou pela literatura. O traumatismo durante muito tempo é o não dito porque impossível a formular.

Ph. B. — O senhor evoca o traumatismo e a psicanálise. Como o senhor articula os dois ?
Y. M. — Psicanálise e traumatismo evocam para mim um nó, um nó a ser desatado. E quando a gente desata este nó, a gente percebe que existiam dez mil nós que eram responsáveis pelo grande problema nodal. Então, todo o problema é de desmanchar uma padronagem, uma espécie de tapeçaria que precisamos desfazer. Neste desfazer, há um nascimento que se esconde. Escrever, não é, necessariamente, para fazer uma obra, é também para desfazer uma obra.A obra de seus pais, principalmente. Para mim, o traumatismo está ligado à família, todo traumatismo é familial e é preciso se virar para desfazer esse traumatismo. Via[‡] análise a gente constrói um traumatismo sob medida, mas que não é mais acidental, que é voluntário. É preciso se traumatizar na sua medida. Toda forma de nascimeto é traumática. Quando a gente chega na terra, todas as cores que chegam aos nossos olhos são da ordem do insuportável. Então, é necessário que se invente alguma coisa que seja adaptada a uma violência que não é mais da ordem do nascimento biológico, mas do nascimento artístico, moral, intelectual.

Ph. B. — O senhor poderia nos falar de suas relações pessoais com a psicanálise?
Y. M. — Eu estou em análise há cinco anos. E devo dizer que houve um desvelamento, uma abertura através da palavra que tem correlação com meu livro Naissance que tem duas mil e duzentas páginas e que é exatamente o livro de uma palavra liberta. Isto quer dizer que o próximo não deverá ter duas mil e duzentas páginas, se tudo correr bem. Ele deverá ter duzentas páginas, extremamente pensadas. Esse, é o livro de uma libertação, que é totalmente paralela à análise. Eu posso dizer-lhe que a análise não apenas me salvou, como também me colocou no mundo. Estou convencido disso.

*  Yann Moix é escritor e diretor. Ele obteve o prêmio Goncourt em 1996 pelo seu romance Jubilations vers le ciel (Grasset) e o prêmio Renaudot de 2013 por Naissance igualmente pela Grasset.






(1) Convidado para a Feira do livro de Brive pelos seus dois últimos livros, Philippe Lacadée esteve no stand onde Yann Moix autografava sua obra Naissance. Ele nos relata a troca que tiveram : « De cara, ele me disse: "Para mim, foi a psicanálise que salvou minha vida." A dedicatória que ele me escreveu foi : "Para Philippe que sabe que o nascimento é uma questão de palavra."Eu lhe ofereço, então, meu livro Vie éprise de parole[§]. "Que título extraordinário !", diz ele, precisando que este indica exatamente o que ele encontrou em sua vida: palavras. Eu lhe falo, então, do seu título Naissance e da proposição de Lacan precisando que o que provoca traumatismo de nascença é nascer malentendido ; se os pais nos deram a vida, a gente tem sempre a possibilidade de nascer do Verbo a quem se damos vida por um ato de palvra. Ele aquiesce e aceita com prazer em falar com Philippe Bouret sobre a sua maneira de ver esta história de traumatismo, sublinhando novamente o impacto em sua vida da sua experiência psicanalítica. »
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Quando nossas palavras são roubadas aos quinze anos,
não imaginamos o que é isso 

Régine Deforges*


A reação positiva de Régine Deforges ao significante psicanálise me enche de esperanças. Eu lhe pergunto se, para ela, ecrita e traumatismo poderiam entrar em ressonância. Ela fixa o livro no qual tinha a sua assinatura e me pede, então, de ir se sentar ao lado dela atrás da pilha de seus livros (1).

Régine Deforges — A palavra traumatismo evoca uma realidade que conheço, um traumatismo que sofri quando eu tinha quinze anos e que deu origem a um pequeno livro que se chama Le cahier volé[5] (2). Podemos pensar na A carta roubada de Poe. Quando eu tinha quinze anos, eu estava apaixonada por uma garota da minha idade e roubaram meu diário. Eram garotos. Eles o leram em praça pública.

Isso foi um escândalo no vilarejo e os guardas se intrometeram. Eles foram até a casa dos meus pais. Eu comecei, então, a ser um pessoa pouco recomendável e este foi um período absolutamente difícil porque as pessoas me batiam na rua, me empurravam, me insultavam, me tratavam de puta.
Eu fui obrigada... me obrigaram a queimar o caderno que eles pegaram, mas também todos os cadernos que eu tinha. É algo pelo qual eu jamais me perdoei, ter aceitado queimá-los. Eu perdoei meus pais por terem sido covardes, mas esquecer, eu não posso. Para mim é um traumatismo que poderia ter me impedido de escrever para todo sempre.

Philippe Bouret — Como isso não a impediu de escrever?
R. D. — Quando nossas palavras são roubadas aos quinze anos, não imaginamos o que é isso… Eu, eu devo muito a uma mulher, que é a autora de Histoire d'O[6] (3), Pauline Réage. Ela se tornou um amiga e eu fiz com ela, em seguida, um livro de entrevistas que se chamava O m'a dit[7] (4). Ela me dizia : « Minha criança, as pessoas não te entendem o suficiente.» Então, eu desenvolvi algumas coisinhas. Isso me desbloqueou e, no ano seguinte, eu comecei a escrever meu primeiro livro, que deveria ter sido o Le cahier volé, seguindo a lógica, mas não foi o caso. Esse foi um negócio em torno de minhas avós (5). Le cahier volé, eu o escrevi três ou quatro anos depois, com um sofrimento que você não faz ideia. Eu ia para o interior de carro, eu saía titubeante, gritando, foi algo muito duro.

Ph.-B. — Você evoca o corpo que titubeia, a voz, os gritos.
R. D. — Eu vivi este traumatismo no meu corpo. Tanto que eu era uma linda garotinha, que andava de barco no rio, sempre seminua. E foi aí que eu me dei conta, bem cedo, da importância do corpo, da arma que podem ser o corpo e a nudez contra a estupidez.
* Régine Deforges é escriora e editora.

(1) Régine Deforges, L'Enfant du 15 août.Mémoires (Memórias), Paris, Laffont, 2013.
(2) Régine Deforges, Le Cahier volé, Paris, Fayard, 1978. Romance inspirado em parte pela infância na escola Saint-Martial de Montmorillon.
(3) Pauline Réage, Histoire d'O, Ed. Jean-Jacques Pauvert, 1954 ; adaptado para o cinema por Just Jaeckin e publicado em Livro de Bolso, Pauvert, Paris, 1975.
(4) Régine Deforges, O m'a dit, Paris, Pauvert, 1975, reeditado em 1995, entrevistas com Pauline Réage, a autora de Histoire d'O.
(5) Régine Deforges, Blanche et Lucie, Paris, Fayard, 1976.
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De divã em divã…

Serge Moati*


Serge Moati está sentado no stand da Flammarion. Dos dois lados do seu corpo, duas colunas, pilhas do seu último trabalho, Le vieil orphelin[8]. Como epígrafe podemos ler na capa : « Era um lindo dia de verão onde soprava o sirocco leve da minha infância ». Diante dele, uma multidão de leitores. Eu me aproximo... Ele lê com grande atenção passagens do « 4 pages » nos J43 e diz : « Leia meu livro que conta tudo isso. Dê a volta, venha ! »

Philippe Bouret  (Apontando com o dedo o cartaz da Jornada da ECF, « Trauma ») Seu livro « conta tudo isso » ?
Serge Moati — O traumatismo, é a minha vida. Eu não posso dizer outra coisa. Desde que eu perdi os mes pais aos onze anos, esse traumatismo nunca me abandonou de divã em divã. Talvez, seja este traumatismo a minha identidade. Talvez tenha sido isso que me fez me tornar o sou. E ao mesmo tempo, eu nunca me senti apaziguado, ou seja, meus pais me fazem falta como se fosse o primeiro dia. Eu não pude chorar de jeito nenhum, imediatamente. Eu criei para mim uma falsa identidade para sobreviver. Portanto, o traumatismo está aqui… ele está diante de você.

Ph. B — Então, a esccrita nisso tudo…Qual é o seu lugar?
S. M — Uma espécie de catarse agradável. Pela primeira vez, eu ousei fazer dialogar duas pessoas dentro de mim mesmo. É um diálogo entre Serge, o nome de meu pai morto – nome que escolhi – e Henri, eu. E pela primeira vez, eu os fiz se debater, se falar, estar às vezez em concordância, às vezes em antagonismo e é primeira vez que eu faço isso. Isso me… apazigou ? Eu acho que não, mas em todo caso, isso me fez me divertir, e eu espero que os outros se divirtam também com o meu próprio traumatismo. Os faça rir também…
E se existe uma palavra que tenha marcado a minha existência, ela é « sobreviver »… Sobreviver e deixar um rastro.

* Serge Moati é escritor, ator, roteirista, produtor. Ele foi conselheiro de François Mitterrand em 1981.
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[*] Numa tradução livre Olhar de mulher.
[†] Numa tradução livre : Nascimento.
[‡] No original.
[§] Numa tradução livre : Vida apaixonada pela palavra
[5] Numa tradução livre: O Caderno Roubado.
[6] Numa tradução livre: A História de O.
[7] Numa tradução livre: O me disse.
[8] Tradução livre: O velho órfão.


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